| CASUAL SEX | “Aceitaríamos de caras tocar em Portugal”

Sam, Chris, Peter e Edward (esq>dta)

Sam, Chris, Peter e Edward (esq>dta)

EXCLUSIVO
Andam a tocar juntos há coisa de dois anos e saltaram para os escaparates em março de 2012, a reboque de uma compilação local da We Can Still Picnic Arts Collective. O vocalista Sam Smith, com quem falámos em exclusivo, já era conhecido pelos Mother and the Addicts, um projeto de Glasgow que recebeu notas de 4/5 de publicações como a Mojo ou a Uncut. Com música própria em mãos e a trabalhar num estúdio, Sam começou a formar um outro projeto e passou a lançar música avulso. Em abril, passado, com o single “Stroh 80”, pela Moshi Moshi Records, começou a afirmar o novo grupo e não só pelo sugestivo nome de Casual Sex. Em vésperas de lançarem um novo EP, “The Bastard Beat”, o grupo anunciou a primeira digressão norte-americana, a fazer as primeiras partes dos conterrâneos Franz Ferdinand. Poucas semanas depois de ter passado umas belas férias no Algarve, Sam falou connosco e apresentou-nos este novo quarteto oriundo de Glasgow, que no som revela influências de Gang of Four, Orange Juice, David Bowie e até, porque não, do próprio grupo de Alex Kapranos, um dos primeiros culpados, via Twitter, da internacionalização dos Casual Sex.

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ENGLISH VERSION of the interview
(without the additional video and audio on the portuguese version)
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“Stroh 80”, Casual Sex
(Videoclip do tema título do single editado em abril de 2013)

FrankMarques – Comecemos pela pergunta óbvia: Porquê Casual Sex?
Sam Smith
– Foi uma das coisas que nos surgiu após um longo e difícil período a brincar com nomes. A primeira coisa que pensámos foi: “Que nome idiota, mas também é capaz de surpreender as pessoas”. Era curto, chamativo e pouco amigo dos papás, por isso decidimo-nos por ele. Quanto a sexo casual, não tenho qualquer restrição moral. Nem por algum tipo de palmadinhas e carícias. Reservo, contudo, as minhas intenções amorosas para a minha querida namorada.

Capa do single "Stroh 80" (abril 2013)

Capa do single “Stroh 80” (abril 2013)

Qual é a história do projeto, como se conheceram?
Eu dirijo um estúdio chamado Green Door, em Glasgow. Gravei algumas das minhas próprias composições com a minha colega Emily McClaren e andava à procura de uma banda para as tocar ao vivo. O Ed Wood, o guitarrista, já conhecia e primeiro entrou para a bateria. O Peter Masson e o Chris McCrory realizaram algumas formações que demos no estúdio. O Chris acabou por assumir a bateria depois de eu o convidar e o Peter foi-se intrometendo no baixo. De início, lutamos com as minhas composições mais antigas, mas depois começámos a escrever e a gravar como um grupo. Nas palavras do saudoso Vivian Stanshall, “o destino fez o que quis do homem honesto e o resto é história.”

Os Casual Sex lançaram em abril o primeiro single pela Moshi Moshi Records: “Stroh 80”, inspirada no rum austríaco do mesmo nome, e mais duas músicas. O que nos podem contar desse disco? Percebe-se que pelo meio se canta algum sexo casual…
Bem, a primeira música, “Stroh 80”, é sobre ser apanhado a fazer “sacanagem” no chão de um ocultista local. Já foi há muito tempo, felizmente. “Soft School” é sobre o ensino nos anos 70, enquanto o Bryan Ferry conversa com a Jerry Hall. Outros lançamentos incluem a “National Unity”, que é uma sátira às atuais medidas de austeridade – uma regra para os que têm e outra para os que não têm – tocada através de uma pessoa que reflete de forma caprichosa sobre uma relação falhada enquanto assiste pela TV aos motins de Londres.

Chris McCrory (foto Jamie McPhee)

Chris McCrory (foto Jamie McPhee)

No vosso Soundcloud podemos encontrar algumas músicas mais antigas, como “North”. Porque é que não lançaram um álbum no início deste ano?
O plano era lançar um álbum no Reino Unido, com o single a servir para nos promover. Da forma que acabou por decorrer, acabamos agora por ter coisas a acontecer connosco nos Estados Unidos e em França. Os nossos promotores dizem que precisam de algum tempo para nos promover no estrangeiro. Por isso, vamos lançar todos os nossos singles, que, por acaso, são três. Um na Moshi Moshi e os outros dois através da We Can Still Picnic, tudo como um EP para download digital. em outubro, vamos lançar o EP em vinil de 12 polegadas no Reino Unido, embora vá estar disponível em formato digital por todo o Mundo para que todos tenham acesso à nossa música. Depois, finalmente, vamos avançar para o álbum.

Li no vosso Facebook que em outubro contam lançar o EP “The Bastard Beat”. O que podem antecipar-nos desse disco?
De facto, esse é o EP de que falava atrás: 5 temas num vinil de 12 polegadas. Sexo furtivo de um lado; energia negra do outro.

“Nothing on Earth”, Casual Sex
(primeiro avanço para “The Bastard Beat”, EP a ser lançado a 22 de novembro)

Os Casual Sex são descritos por alguns meios de comunicação como “os novos Franz Ferdinand”. Como se sentem face a esta comparação? Também são de Glasgow, conhecem pessoalmente os Franz Ferdinand?
É uma daquelas coisas que se diz assim de uma forma demasiado liberal. Não somos os primeiros a ser assim descritos e provavelmente não vamos ser os últimos. Penso que talvez partilhemos os mesmos gostos e ambos damos uso às guitarras, mas praticamente não passa disso. Por acaso, sim, somos amigos deles. É malta porreira.

O "twitt" que os apresentou ao Mundo

O “twitt” que os apresentou ao Mundo (ver o original clicando na imagem)

Vão fazer, entretanto, uma digressão à América do Norte como banda de suporte dos Franz Ferdinand. Como surgiu esse convite?
Nem sei muito bem. Penso que um dos nossos membros falou com um deles e um dia o convite bateu-nos à porta. Esperamos conseguir levar algumas cópias do nosso novo EP, mas está dependente da manufatura dos discos estar ou não pronta a tempo da nossa partida. Devemos lançá-lo no final de outubro (n.: a digressão vai de 17, em Nova Iorque, a 24 de outubro, em Toronto, Canadá). Para além de tudo, temos também de perceber as regras de importação de “merchandising”, quais os impostos envolvidos e esse tipo de coisas antes de nos comprometermos a levar qualquer coisa para nos promover no estrangeiro.

Soft School”, Casual Sex
(excerto ao vivo do concerto de apresentação do single “Stroh 80”)

Quando vos ouvi pela primeira vez senti qualquer coisa de Gang of Four no som. Talvez por causa da linha de baixo. Imagino-os como uma influência óbvia. Que outras têm?
Por acaso, gosto muito dos Gang of four. Outras influências que tenhamos… poderia dizer os Public Image Ltd, The Pop Group, Siouxsie & the Banshees ou Peters Teddy “Tweddy”.

Sam Smith no Carvoeiro em agosto

Sam Smith no Carvoeiro em agosto

Esteve recentemente de férias em Portugal, Sam. Ficou quanto tempo? Houve oportunidade para… sexo casual?
Fiquei três noites em Lagos e mais três no Carvoeiro. Passei umas férias fantásticas. Gostei muito de comer ameijoas. E não, nada de sexo casual.

Com que ideia ficou de Portugal?
Foi a primeira vez que fui a Portugal. Adorei. Fiz muitas caminhadas pela costa. A comida e o vinho são excelentes. Em especial o “vino branco” de que nunca tinha ouvido sequer falar.

Teve hipótese de ouvir rock português?
Nada. Por acaso, temos um amigo português em Glasgow, que teve um “número 1” em Portugal há algum tempo – A ver se descubro qual era a banda. Esteve uma banda a tocar no centro de Lagos, num sábado à noite. Era mais música tradicional do que Rock, mas eu gostei.

Peter Masson em primeiro plano

Peter Masson em primeiro plano

Vi no vosso Facebook que o Peter Masson participou de forma solidária no final de agosto na edição escocesa do Tough Mudder, prova que combina modalidades com ambientes de dificuldade elevada. Como correu a prova dele? Ele já conseguiu voltar a pegar no baixo?
Ele participou na prova sem sequer ter treinado. Mas o Peter é um gajo duro e feito 100 por cento de suor e determinação. Depois da prova, havia um brilho especial nos olhos dele e alguma fraqueza nas pernas, mas nada que não fosse reprimido com uma careta bem máscula.

Já receberam algum contato para tocar em Portugal?
Ainda não. Mas aceitaríamos de caras a oportunidade de tocar em Portugal.

Que mensagem final gostariam de deixar às pessoas que vos vão conhecer através desta entrevista?
Espero que ganhem vontade de descobrir mais sobre nós através do nosso Soundcloud. Da minha parte, pessoalmente, gostaria de agradecer ao país pelo seu lado cultural e pelas ameijoas.

“Stroh 80”, Casual sex
(ao vivo no Sofar Sounds London, março de 2013)

Mais informação dos Casual Sex:
Facebook oficial
Twitter oficial
Soundcloud oficial
Loja Casual Sex

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