| LINDA MARTINI | “Gostamos de controlar o que fazemos”

André, Cláudia, Pedro e Hélio

André, Cláudia, Pedro e Hélio

ENTREVISTA EXCLUSIVA
Encontrámo-nos com Cláudia Guerreiro e Hélio Morais, respetivamente baixista e baterista dos Linda Martini, por alturas da edição de “Turbo Lento”, o terceiro e novíssimo álbum do projeto lisboeta, que está, curiosamente, a celebrar 10 anos de existência. O objetivo era a realização de uma entrevista sobre o novo disco e fazer um apanhado desta primeira década de existência. Tornou-se numa conversa, que chegou a deixar, imagine-se, o entrevistador à parte. Foi longa. Mas foi também completa. Foi aquilo a que se chama entrevista de fundo. Houve temas sensíveis, revelações e recordações até então omitidas. Oriundos do Punk Hardcore, o estilo diluiu-se na pureza do Rock e nas letras pessoais do André, mas a atitude mantém-se. Em especial nas palavras. É um exclusivo para ler… até ao fim.

[Entrevista publicada em primeira mão na MUDA Magazine n.17 novembro/ dezembro]
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Página 2: O novo disco “Turbo Lento”
Página 3: A internacionalização do grupo
Página 4: O estado do Rock em Portugal
Página 5: A proposta “vergonhosa” do Rock in Rio
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FrankMarques – Estão a festejar 10 anos de carreira. Que balanço fazem?
Cláudia Guerreiro
– Um balanço positivo. E é por isso que continuamos juntos. Se não o fosse, não nos mantinhamos juntos como esperamos que aconteça se um dia as coisas correrem mal.
Hélio Morais – Nem se conseguiria trabalhar. Nós são somos uma banda profissional na medida em que cada um vai ali, cumpre o papel e volta para casa. Vivemos muito da empatia que há entre todos. Se deixasse de haver essa empatia, o trabalho ia revelar isso mesmo assim como a nossa prestação em palco. As pessoas iam perceber e ia deixar de fazer sentido.

Tem que fecha o primeiro EP, “Linda Martini”, editado em 2006 pela Naked Records.

É também por isso que se mantém os quatro juntos desde o início?
CG
– Éramos 5, mas os 4 que estamos somos fundadores.
HM – Nunca substituímos ninguém.

Cláudia Guerreiro: baixista

Cláudia Guerreiro, baixista

É a amizade que mantém os Linda Martini?
CG
– Acho que “a” coisa que nos mantém a tocar. Se não fosse assim, não acontecia. Se não falássemos uns com os outros, se tivéssemos uma chatice grande e não falássemos, a banda não teria como continuar.

É um género de casal a quatro.
CG
– Completamente.
HM – E ainda outra variável para a equação. Há muitas bandas em que as pessoas são muito amigas no início, quando começam. Estão no início dos seus 20’s (anos) ou lá a chegar e aí têm uma determinada personalidade. Mesmo que não mudes essa personalidade ao longo da vida, tu vais mudando as tuas crenças e vais-te tornando uma pessoa diferente. E, às vezes, quando chegas aos 30, que é onde nós estamos, já não temos tantos pontos de afinidade com outros amigos. E por isso é natural às vezes as pessoas crescerem de forma diferente, não mudam os objetivos, mas eles tornam-se diferentes. No nosso caso, os objetivos de fundo e a maneira de estar acaba por ainda coincidir passados estes anos todos. E por isso continuamos a ser amigos e continua a fazer sentido fazermos música juntos. Por exemplo: eu tinha amigos no início dos meus 20 que hoje em dia não são meus amigos porque as pessoas seguem caminhos diferentes. É, portanto, uma questão de amizade, mas também de sorte e de teres começado uma banda com pessoas que quando cresceram, o fizeram no mesmo sentido.

Conseguem situar o dia em que “a” Linda Martini nasceu?
HM
– Não. Conseguimos situar o ano. Assumimo-nos como Linda Martini desde 2003, quando tínhamos a formação dos 5. Já tínhamos feito algumas coisas antes, mas a banda existe desde 2003. Mas o dia… não.
CG – Sei que era inverno. Era princípio do ano ou fim do ano. Deve ter sido janeiro de 2003. Ou até antes. Agora a pensar nisto… eu fiz Erasmus em Barcelona, em 2004, e fui em fevereiro. Então é isso, inícios de 2003.
HM – Foi quando gravámos o EP (n.: homónimo gravado entre 2003 e 2005 e editado em 2006 pela Naked Records).

“Amor combate”, Linda Martini
(Realizado e editado por Sergio Diamantino, 2013 – tema de “Olhos de Mongol”, 2006)

Há algum concerto previsto de forma especial para celebrar os 10 anos?
HM
– Não. Nem pretendemos fazer grande bandeira dos 10 anos. O facto de estarmos a editar um disco novo quando fazemos 10 anos foi pura coincidência. Estamos a compor este disco há quase 3 anos e na verdade a ideia era termos editado o álbum no ano passado quando fazíamos 9 anos. Não aconteceu porque tocámos bastante e as vidas às vezes também não permitem porque há quem tenha (trabalhos) “full times” na banda, que por vezes complica. Mas de repente apercebemo-nos de que este ano fazíamos 10 anos e é simpático perceber isso. Aí é inevitável fazer exercícios de memória: quando é que foi determinado concerto, quando começámos a ensaiar, as primeiras demos…
CG – Tenho uma gravação da primeira vez que toquei convosco (diz, dirigindo-se a Hélio). Fui tocar harmónica, pus a máquina a gravar.
HM – Tens a data nisso?
CG – Não sei se está lá a data.

Isso dá para um disco de extras…
CG
– Acho que tem muito má qualidade.

Má qualidade é “vintage”.
HM
– Aquilo deve ser mas é para aí “quarentage”.

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Página 2: O novo disco “Turbo Lento”
Página 3: A internacionalização do grupo
Página 4: O estado do Rock em Portugal
Página 5: A proposta “vergonhosa” do Rock in Rio
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