| HAPPY MONDAYS | “Estamos a gravar músicas novas”

O antes e o depois: 20 anos

O antes e o depois: 20 anos


Em dezembro passado noticiámos o regresso do grupo da “Madchester” ao ativo e já aí se falava de música nova. Agora, numa entrevista exclusiva ao FrankMarques’blog, a confirmação: “Podem esperar um EP ou um álbum a qualquer altura”. É uma das revelações que nos foram feitas por Rowetta Idah, a vocalista feminina do grupo, que não cabe em si de contente com este regresso aos palcos ao lado de Shaun Ryder e do grande amigo Bez. Com 47 anos feitos a 5 de janeiro, ela contou-nos tudo o que importa saber sobre este regresso dos Happy Mondays, recordou a passagem pelo Estádio de Alvalade em 1991, pediu o regresso de Cristiano Ronaldo ao Manchester United, explicou-nos os motivos de ser uma ativista contra a violência doméstica e falou sobre a experiência de cantar ao lado de Peter Hook alguns dos temas mais emblemáticos dos Joy Division. E, atenção: Está nos planos grupo o regresso a Portugal.

“24 Hour Party People”, Happy Mondays
(Tema do primeiro álbum do grupo, “Squirrel and G-Man Twenty Four Hour Party People Plastic Face Carnt Smile (White Out)”, lançado em 1987, e no qual substituiu “Desmond”, música que continha um sample dos Beatles e michael Jackson, à altura detentor do catálogo dos Fab Four de Liverpool, não autorizou a utilização)

Rowetta fala do regresso dos Mondays

Rowetta fala do regresso dos Mondays

FrankMarques – Como está a ser este regresso aos palcos dos Happy Mondays?
Rowetta
– Está a ir tão bem. Todos nos sentimos muito bem. Estamos a tocar a cantar melhor que nunca. Estamos a conseguir boas críticas dos fãs e da imprensa, e estamos também a dar-nos todos muito bem fora de palco. Desta vez, estamos a desfrutar de tudo isto em grande e, esperemos, vamos continuar ainda por mais alguns anos.

Que diferenças, em particular, sente entre estes novos Happy Mondays, que agora se reuniram, e a banda de início dos anos 90?
Estamos mais velhos e ajuizados. A maior parte da banda acalmou agora e assentou junto das respetivas famílias. O Bez ainda vai a festas, eu e o Mark também, mas menos. Mas o Shaun está mais feliz a ir para casa, para junto da família, a seguir aos concertos. Para além disso, todos nós levamos agora um estilo de vida mais saudável. Durante o tempo que os Happy Mondays estiveram parados, todos nós tocámos e escrevemos muita outra música e penso que isso fez de nós melhores músicos e letristas.

“Stinkin’ Thinkin'”, Happy Mondays
(Tema de abertura do quarto e último álbum de estúdio, “Yes, Please!”, lançado em 1992)

Shaun Ryder e Bez em concerto

Shaun Ryder e Bez em concerto

O Bez, por estes dias, já não atua “como se fosse 1999” (citando o Prince). Como é que estão as costas dele?
As costas estão boas. Ele estava preocupado porque achava que estava velho demais para dançar em cada uma das músicas como antigamente, mas, por acaso, até está em boa forma e está a cuidar dele mesmo. Já não dança todas as músicas por estes dias, é verdade, mas está connosco. Faz a nossa apresentação em cada concerto e depois junta-se a nós para dançar em algumas das canções. O público sempre gostou do Bez e ele é um dos meus melhores amigos. Adoro dançar com ele em palco.

Rowetta e Shaun Ryder de novo juntos

Rowetta e Shaun Ryder de novo juntos

É estranho imaginar o Shaun Ryder com 50 anos. Como é que ele está a digerir este já meio século de vida?
Ele está um cinquentão muito confortável. Gosta de passar a maior parte do tempo livre com os filhos mais novos e parece estar a atravessar um momento muito feliz. Ao mesmo tempo, está a desfrutar dos concertos. Não tenho a certeza se ele conseguia sequer recordar-se dos concertos, mas agora tem a cabeça limpa e está realmente a gostar de voltar à estrada outra vez com os Mondays.

Identificação de Rowetta

Identificação de Rowetta

O primeiro concerto dos Happy Mondays em Portugal foi há mais de 20 anos (27 de julho de 1991). O que se recorda desse concerto?
Lembro-me que fizemos a primeira parte do Carlos Santana num estádio de futebol. Ainda tenho o meu passe [para o backstage] dessa noite. E também me lembro o quão bonitos os portugueses são e que bonita receção nos reservaram.

O estádio onde atuaram, era a antiga “casa” do Sporting, onde “nasceu” Cristiano Ronaldo. Sabia?
Claro que conheço o Sporting de Lisboa. O Cristiano Ronaldo jogou pelo meu clube, o Manchester United. E eu quero que ele volte. Sei que não depende só dele, mas faria-nos a todos, os fãs do United, muito felizes.

“Loose Fit”, Happy Mondays
(Terceiro single do terceiro álbum, “Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches”, de 1990)

Podemos esperar, para breve, um regresso dos Happy Mondays a Portugal?
Sinceramente, espero que sim. Todos o desejamos e acredito que seja algo que pode vir mesmo a acontecer. Espero que nos possamos encontrar em Portugal em breve.

Lembra-se de alguma palavra em português?
“Eu amo Portugal!” (sorriso). Cantei há pouco tempo no casamento de uns amigos. A noiva era brasileira e por isso aprendi alguma coisa lá. Mas também tenho alguns amigos que falam português. Mas, confesso, não sou muita boa com idiomas.

“Bob’s your uncle”, Happy Mondays ao vivo em Glastonbury em 2000
(Tema do terceiro álbum, Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches”, de 1990)

Os Mondays têm andado a celebrar os 25 anos de carreira. Podemos, ainda assim, esperar música nova da banda num futuro próximo?
Nós já começámos a escrever e a gravar músicas novas, por isso, podem esperar que seja lançado um EP ou um álbum a qualquer altura. Tem sido difícil concretizar o disco porque temos andado em digressão e ao mesmo tempo a trabalhar nos nossos outros projetos pessoais. Mas espero que as novas canções consigam ser ouvidas porque estão a soar-nos lindamente.

É uma ativista na luta contra a violência doméstica. Faz parte de alguma organização?
Eu fui vítima de violência doméstica e fui ajudada por uma organização chamada “Women’s Aid” (“Ajuda a Mulheres”, em tradução direta). Por isso, agora, faço por ajudar tanto quanto posso também. Dei a cara por uma campanha realizada com a polícia, durante o Mundial de Futebol, para parar com a violência doméstica, que se chamava “End of Fear” (O fim do medo). E ajudei muitas outras organizações porque este é um problema que me toca no coração.

Alguma vez trabalhou com artistas portugueses? Antes de mais, conhece algum?
Sim. Um dos meus colaboradores preferidos é o Mirror People (link para o site oficial). Escrevemos, gravámos e lançámos uma música no ano passado chamada “Feel the need” através da editora Disco Texas. E agora acabámos de escrever uma outra, que está em fase de mistura e cujo título está em fase de estudo, mas que poderá ser algo como “Telephone call” ou “Talking Too”. É um tema que devemos lançar lá mais para o fim do ano. O Rui Maia é a pessoa por trás do Mirror People. Ele cresceu no Porto, toca sintetizadores e bateria eletrónica nos X-Wife. Nas músicas que fizemos, ele escreve a música e toca-a, eu faço as letras, canto e dou a melodia.

“Feel the need”, Mirror People feat. Rowetta

Peter Hook e Roweta

Peter Hook e Roweta

Por fim, os Joy Division e o EP “1102 | 2011”. O que a levou a arriscar cantar as canções de Ian Curtis?
Sou uma boa amiga do Peter Hook e, primeiro, ele convidou-me a cantar com ele há alguns anos num evento de caridade. Cantei a “Insight” na altura e as reações foram muito boas. Depois disso, o Peter convidou-me para voltar a cantar ao lado dele, na Manchester Arena, uma das minhas canções preferidas, a “Atmosphere”, num dueto com o Tim Booth, dos James. Foi para o evento “Manchester versus Cancer” (Manchester Contra o Cancro). E foi uma experiência maravilhosa. Sou uma grande fã das letras do Ian Curtis, da voz, da melodia. E, claro, como artista, ele é um dos melhores de sempre. Por isso, ter agora a oportunidade de cantar estas músicas ao lado do grande Hooky (alcunha de Peter Hook), no baixo, e da sua espantosa banda, os The Light, é um prazer absoluto e uma honra.

Podemos esperar que volte a atuar ao lado de Peter Hook e dos the Light?
Canto com eles sempre que possível. Cantei, aliás, com eles há algumas semanas num evento chamado “Junction 16”, em Manchester, no qual tanto os Happy mondays como Peter Hook faziam parte do cartaz. E vou cantar com eles outra vez se surgir a possibilidade. Adora dar voz a “Atmosphere”, “New Dawn Fades” e “Colony”, e isso permite Peter dedicar-se ao baixo. Ele tem uma grande voz e gosta de cantar, mas o grande amor dele é tocar baixo e nisso ele é um dos melhores. Sinto-me abençoada de ainda poder cantar com os meus músicos preferidos de Manchester.

Mais informação:
Site oficial dos Happy Mondays
Site oficial de Rowetta

2 respostas a | HAPPY MONDAYS | “Estamos a gravar músicas novas”

  1. Rui diz:

    muito boa entrevista.parabéns. parabéns pelo exclusivo.

  2. José Graca diz:

    Boa Kiko muito fixe…..gostei

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