| BARREIRO ROCKS | 15 anos a dar música a Portugal

Três amigos partilhavam uma banda e um sonho. Fizeram-se à “estrada” e, de uma assentada, criaram uma editora e um festival: a Hey Pachuco e o Pachuco Fest. Mais de uma década depois, a associação em que se tornaram em 2004, a Hey Pachuco!, resiste e continua a organizar um dos mais emblemáticos eventos Rock da Península Ibérica. A recuperar de orçamentos estrangulados em modo “troika”, a ginástica e a determinação permite aos “pachucos” apostar agora num modelo de 3 dias com cabeças de cartaz internacionais. A celebração dos 15 anos do Barreiro Rocks contou com um coletivo japonês a fechar a primeira a noite (4 de dezembro 2015), num “line up” também com “embaixadores” espanhóis, britânicos e norte-americanos.

Página 2: A ascensão do Barreiro Rocks (2005-2015)
Página 3: A crise Vs. a resiliência do Barreiro Rocks (2011-2015)

Os cartazes: 2000-2015

Tudo começou a 30 de Setembro de 2000. Carlos Ramos, Iolanda Vilarinho e João Cruz partilhavam uma banda, os The Ballyhoos. Carlos, também conhecido como Nick Nicotine, tocava ainda com o João nos The Sullens e acumulava também os Los Santeros. A ideia inicial era gravar em CDR os primeiros discos desses projectos, apresentá-los ao vivo e tentar vender algumas cópias. “Estávamos naquela fase do ‘do it yourself’ [“DIY” – tr.: faz tu mesmo] em Portugal e isso fez-me um sentido brutal”, recorda ao FrankMarquesBlog um dos principais motores da criação da editora tornada festival e associação.

“De repente, tínhamos três discos e pensámos apresentá-los no Matador [n.r.: antigo espaço da Câmara Municipal do Barreiro destinado a manifestações culturais para a juventude]. ‘Já agora, vamos chamar qualquer coisa ao acontecimento e inventar um logótipo para colocar nos discos’. É assim que surge a editora Hey Pachuco e o Pachuco Fest”, prossegue Carlos Ramos, que entretanto tinha criado um quarto projecto, os Dynamic Duo. “Aquela primeira noite foi gloriosa”, recorda João Cruz, o até hoje e eterno director artístico do evento. A história da editora, hoje também associação, é por isso indissociável do festival, que em 2002, um ano depois de saltar fronteiras e de se internacionalizar, rebaptizou-se como Barreiro Rocks.

Compilação Gratuita em MP3

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A mudança de nome do festival não começou, aliás, por ser bem vista pelos responsáveis da Hey Pachuco. Carlos Ramos reconhece, contudo, que “o projecto até ganhou maior destaque e mais dinheiro para trazer mais e melhores bandas”. “Quando fizemos o Pachuco Fest estava o PCP à frente da Câmara. Depois da segunda edição [2001] houve eleições e mudou para o PS. No ano seguinte [2002], fomos apresentar o projecto à Câmara e basicamente houve uma lavagem política. Mas até nem nos podemos queixar”, assume Carlos, apesar de ter chegado a considerar “um pouco pateta” a exigência de que o nome do festival incluísse o da cidade. O pior, acrescenta o director da Hey Pachuco, foi mesmo a sugestão avançada por “uma senhora da Câmara”: “Qualquer coisa como Festival Internacional de Bandas de Garagem do Barreiro. Nós acabámos por sugerir apenas Barreiro Rocks e ficou.”

Em 2000, o festival limitou-se a três projetos do Barreiro: os Ballyhoos, os Sullens e o Dynamic Duo. “Foi feito sem dinheiro. A Câmara limitou-se a ceder o espaço e o equipamento de som”, lembra Carlos Ramos. Um ano depois, os três elementos da Hey Pachuco arriscaram algo um pouco maior e conseguiram. “Mudámo-nos para o pavilhão do Luso FC, no centro do Barreiro, e aí já com um PA [equipamento de som] decente e bandas estrangeiras”, lembra, orgulhoso, Carlos Ramos, acrescentando que, tal como na primeira edição, a entrada no festival “ainda foi gratuita.”

Colocar um preço nos bilhetes foi outra alteração consequente à mudança de executivo na Câmara. “Eles acharam, e bem, que, por uma questão de credibilidade, se devia começar a cobrar”, recorda o fundador do festival. Apesar desse retorno, porém, a gestão dos dinheiros para contratar as bandas ficou nas mãos da autarquia. “Eles tratavam de tudo, nós apenas dizíamos as bandas que queríamos, com todos os atrasos e problemas que [essa burocracia] podia acarretar. Nós limitávamo-nos a fazer o nosso trabalho sem contrapartidas nem remuneração. Foi assim até 2003”, atirou.

Apesar da cobrança de bilhetes iniciada em 2002, a noite dessa edição em que se estrearam no Barreiro os The Parkinsons resultou na primeira de duas vezes em que a organização se viu obrigada a colocar na entrada um cartaz a informar “lotação esgotada”. A banda luso-britânica voltaria no ano seguinte, num cartaz que incluiu também The Legendary Tigerman, o alter-ego de Paulo Furtado, dos Wraygunn, em início de carreira a solo. Apesar desse sucesso, o Barreiro Rocks viria a sofrer depois num ano negro: “Em 2004, o festival foi cancelado à última hora.”

A pedra de toque para a Hey Pachuco se oficializar como associação cultural, assumir em mãos a organização e gestão de todo o festival, aconteceu por alegadas “politiquices”. “Houve um tiro que saiu pela culatra a alguém. Havia já algumas bandas contratadas, faltavam três ou quatro meses e o cartaz estava delineado. Um dia, do nada, chamaram-nos à Câmara para nos darem más notícias: o festival ia ser cancelado. Ficámos ‘abananados’, sem saber o que fazer”, recorda o artista hoje conhecido como Nick Nicotine, revelando que “o mês a seguir foi dramático.”

“Era o nosso nome que estava em jogo [face às bandas convidadas] e tivemos de andar a pedir desculpa a montes de pessoas. Todo o nosso trabalho, que não era remunerado, foi pelo ar. No resto do ano, decidimos formar a associação e, em 2005, foi a primeira vez que o festival foi inteiramente organizado pela Hey Pachuco. O dinheiro passou para o nosso lado e coube-nos pagar tudo, desde a luz e o som às bandas.”

Página 2: A ascensão do Barreiro Rocks (2005-2010)
Página 3: A crise Vs. a resiliência do Barreiro Rocks (2011-2015)

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