|The LOVE ME NOTS | “Depois do cancro, ficámos mais fortes”

The LMN: Nicole, Jay, Kyle e Michael

São americanos, de Phoenix, estão de volta aos discos e à espera de um convite para tocar em Portugal. A baixista Kyle Rose Stokes fala em exclusivo ao FrankMarquesBlog. Ela explica porque decidiu aprender português, assume gostar da música de The Legendary Tigerman, que acaba de conhecer, e levanta a cortina sobre o novo álbum da banda, “The Demon and the devotee”. Um registo, o quarto do grupo, que se sucede e é influenciado pela vitoriosa luta da vocalista, a advogada Nicole Laurenne, contra um tumor maligno que lhe foi diagnosticado a meio do ano passado.

 

 

FrankMarques – Preparam-se para lançar o quarto álbum. Este último ano, foi muito intenso para a banda. Como ultrapassaram todo o pesadelo que se abateu sobre a Nicole?
Kyle Rose Stokes – Estávamos a preparar uma digressão pela Europa e a finalizarmos o trabalho no novo disco quando a Nicole foi diagnosticada [com cancro da mama]. É óbvio que ficámos todos muito preocupados apenas com a recuperação dela, mas tenho a certeza que a Nicole também sentiu alguma frustração ao pensar que tínhamos trabalhado tanto para estar onde estávamos e, subitamente, tudo tinha simplesmente que parar. É claro que, como músicos, nunca se pára totalmente. Sou da opinião que para todos nós a música é terapêutica. E o trabalho que fizemos após todas aquelas más notícias é o reflexo disso.

É uma doença que não escolhe vítimas, não é uma doença justa. A Nicole já mostrou vontade de manter o apoio à busca de tratamento contra o cancro da mama. É uma missão assumida também pelos Love me Nots (LMN)?
– Lembro-me de me sentir muito zangada quando soube da doença dela. Perguntava-me: ‘Como é que isto pode acontecer à Nicole?’ Porque é que isto teria de acontecer a uma pessoa tão querida e talentosa, e que tem tanto para dar ao Mundo? A um nível pouco racional não me parecia justo o que estava a acontecer. Mas é como é referido na pergunta, ‘não é de facto uma doença justa’. Julgo que a forma como a Nicole enfrentou o problema desde o dia 1 tornou-se numa causa própria. Em vez de se esconder ou minimizar a doença, a Nicole abriu-se para o público: ‘Bem, vejam, eu tenho isto e vou fazer da luta contra isto um inferno. E, enquanto nós fazemos isto, é melhor vocês irem fazer um check-up’.
Esta é uma doença que se pode tratar, especialmente se for diagnosticada cedo. Penso que a Nicole está numa posição vantajosa para poder fazer diferença e todos nós, a banda, queremos apoiar qualquer causa que possa ajudar mulheres como a Nicole.

Este novo álbum foi de alguma forma influenciado por todo este problema? O título, “The Demon and the devotee”, parece fazer uma referência directa…
– Penso que o título é mais obscuro. É quase como vencer os nossos medos. Por vezes os acontecimentos que nos moldam enquanto pessoas não são os mais fáceis que ultrapassamos e eu sou da opinião que tudo o que atravessámos este ano colocou definitivamente a sua marca em algumas das nossas novas canções. Quando enfrentas os teus próprios demónios pensas que não vais conseguir vence-los. Mas, no fim, acabas de alguma forma por sair mais forte.

Nicole e Kyle no estúdio em Detroit

Numa entrevista a Nicole revelou que foste um dos melhores apoios dela e a da família durante o tempo que esteve internada. Os LMN são hoje mais do que uma banda de rock?
– Sem dúvida. Sou mesmo da opinião que cada banda é uma família. E, depois de uma situação destas, a relação ficou ainda mais forte.

Para este quarto disco, o Jay Lien [elemento fundador] voltou à bateria do grupo. Como se processou esse regresso?
– Ele deixou a banda em boa parte porque reside em Nova York. É difícil para viajar para os concertos do grupo e quando a Christina [baixista fundadora] deixou a banda, ele também partiu. Quando o Bob [Hoag, último baterista] decidiu deixar o grupo, o Jay pediu para voltar. Eu também vou mudar-me agora para Nova York. Vamos ser vizinhos.

Depois de todo o problema com a Nicole ter sido ultrapassado, voltaram aos concertos no final de Dezembro como “The Jay Lien Asian Missile Crisis”. Como foi esse regresso?
– Baptizámos o grupo dessa forma por piada. Íamos tocar como favor para um outro grupo amigo nosso. Precisávamos da prática. Foi um concerto secreto porque íamos ter outro concerto uns dias depois. E esse outro concerto depois foi muito bom. Após muitos meses sem tocarmos e também depois de tudo o que se passou com a Nicole, foi incrível regressar a um palco e tocar.

Pelo que percebi, este novo álbum foi o primeiro em que os quatro elementos dos LMN participam na elaboração total do disco, das letras e da música.
– Sim, realmente foi. Um dos aspectos positivos que podemos retirar de tudo o que aconteceu com a Nicole é que pudemos dispensar mais tempo a este novo disco. Estávamos a planear ir para estúdio em Setembro, mas foi tudo adiado para Novembro. Acabámos por gravar um álbum totalmente diferente do que teríamos feito se nada tivesse acontecido. E uma boa parte dessa diferença passa pela colaboração.
Entrar num projecto já consolidado pode ser intimidador, mas ter a oportunidade de nos conhecermos ao longo dos tempos e ultrapassarmos tudo o que conseguimos este ano deu-me realmente a confiança para experimentar e dar sugestões. Penso que podemos ser muito mais criativos se não tivermos medo de falhar. E eu cheguei a um ponto que podia dizer: ‘Isto pode soar louco, mas o que pensam disto?’ E mesmo que daí só se aproveite uma coisa em cada cinco sugestões, não deixa de ser algo que nunca ali apareceria se não o tivesse dito. O Jay e o Michael têm trabalhado juntos em várias bandas, por isso pensei que o grande obstáculo para a participação dele fosse geográfico. Mas ali estávamos todos nós a remexer o trabalho durante as gravações. Depois de passar oito horas no estúdio, íamos para o bar do outro lado da rua e revíamos as letras em conjunto.

Podem esperar-se novidades no som da banda ou vão manter-se fiéis ao som original com o órgão Farfisa [instrumento de teclas de origem italiana]?
– Por acaso, desviámo-nos um pouco neste disco. É o nosso quarto álbum e nós não queremos andar a fazer sempre a mesma coisa. As bandas podem tornar-se aborrecidas se não evoluem. Não podes querer editar quatro álbuns que não se distingam uns dos outros. Mas por outro lado também queres manter o espírito da própria banda. Há definitivamente neste disco algumas músicas típicas dos “Love Me Nots” com o som do Farfisa. Mas também há algumas músicas que fizeram alguns dos meus amigos querer ouvi-las uma segunda vez. Tenho de confessar que fiquei aliviada depois de ouvir o novo álbum dos Dirtbombs, ‘The party store’. É um disco que faz os nossos desvios parecerem minúsculos.

Tem uma série de concertos marcados para França, em Abril. E Portugal? Já alguma vez tocaram por cá?
– Infelizmente não temos nada marcado para Portugal agora, só em França. Mas vamos regressar à Europa no Verão e talvez aí possamos tocar em Portugal. Só precisamos é de um convite. Tivemos concertos em Espanha no ano passado e eu fiquei muito triste por não termos tido tempo para visitar Portugal. Especialmente porque passámos perto da fronteira quando tocámos na Galiza [Vigo e Ferrol, em Abril de 2010].

É possível que a digressão de “The Demon and the devotee” volte à Europa antes do final do ano? E festivais de Verão, vão andar deste lado do oceano entre Julho e Agosto?
– Iríamos adorar voltar à Europa e estamos a ver algumas datas para Agosto. Estamos muito entusiasmados com este disco, por isso esperamos receber algumas propostas que nos façam sentido. E, quem sabe, talvez tenhamos que nos mudar para esse lado do Atlântico.

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O regresso aos concertos
Aconteceu no final de 2010, após Nicole se libertar a 100 por cento do cancro da mama. Para ver, gravado no Yuca Tap Room, em Tempe, no Arizona, na noite de passagem de ano, a primeira apresentação ao vivo de um dos novos temas do grupo: “Im gonna be your girl”. O álbum, gravado em Detroit, é lançado este mês de Março.

Twitter oficial
Myspace oficial

Kyle Rose Stokes: Entrevista pessoal

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