| the LEGENDARY TIGERMAN | “Quis um disco que fosse real”

The Legendary Tigerman em Lyon

The Legendary Tigerman em Lyon

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Cinco anos depois de se ter rodeado por várias mulheres em estúdio para gravar “Femina”, o homem-tigre de Coimbra volta aos discos retomando o princípio de “one man band”. O resultado chama-se “True”, mas ao vivo faltava alguma coisa. Decidiu experimentar e juntou à equação um baterista, o “Sega” (Vicious 5). Resultou. Ao contrário do habitual, desta vez o disco saiu primeiro em França, na Bélgica e em Itália. Só depois em Portugal. A digressão também começou no estrangeiro e, em menos de dois meses, o projeto está de regresso aos palcos do centro da Europa. Onde voltará, de novo, em outubro. Uma nova estratégia? O músico garante que não. Ao mesmo tempo, vai repetindo um nome: o da cada vez mais presente Rita Redshoes. As bandas sonoras entre os dois parecem cogumelos. Há ainda uma peça de teatro em cena e uma série de “curtas” a caminho para completar o formato físico de “True”. Depois do concerto a 14 de março, voltamos a encontrar o lendário homem-tigre em Lyon, França. Agora para uma entrevista. Ele nem tirou os óculos escuros.

“Do Come Home”, The Legendary Tigerman
(Videoclip oficial do primeiro single extraído de “True”, 2014))

FrankMarques: Porque saiu este novo disco, o “True”, primeiro no estrangeiro e somente uma semana depois em Portugal?
The Legendary Tigerman:
Acabou por ser um acaso. Não foi estratégia. De início, a ideia era que o disco saísse na maior parte da Europa mais ou menos ao mesmo tempo. Depois o que se passou é que os espetáculos internacionais marcam-se com antecedência e em Portugal em cima da hora. Havia também, na altura, muitos discos a sair na mesma data em Portugal e eu decidi, na realidade, adiar uma semana. O que acabou por adiar também a abertura da digressão em Portugal. Não foi estratégia, foi mesmo um acaso.

Essa casual antecipação internacional ajudou de alguma forma a promover “True”?
Eventualmente, sim. Como houve muita imprensa internacional antes da saída do disco, em Portugal talvez isso tenha criado alguma expectativa, algum “buzz” à volta do disco.

“Gone”, The Legendary Tigerman
(Videoclip do segundo single extraído de “True”, 2014, e sequela do primeiro clip)

Sentiste alguma diferença na adesão aos concertos face ao lançamento do “Femina” (2009), o álbum anterior?
Pelo momento que atravessamos em Portugal, não tinha grandes expetativas em relação ao disco e aos espetáculos. O que se passou com o disco acabou por ser uma inesperada felicidade. Foi uma surpresa o disco ter estado como número 1 do top durante um mês. Muitos espetáculos estiveram esgotados e outros muito próximos disso. Não estava à espera. Neste momento, as pessoas têm de decidir onde gastar o dinheiro entre muitas coisas que são fundamentais como comida, os filhos ou escolher entre uma peça de teatro, ir a um concerto ou ir duas vezes ao cinema, se puderem. Nota-se que há um esforço para ter acesso à cultura e poderem ter coisas mais do que o essencial para viver, mas que são importantes também para podermos ter uma vida plena. Estava preparado para que pudesse não correr tão bem porque Portugal não está bem. Felizmente, correu bem.

Tigerman e Sega em concerto

Tigerman e Sega em concerto

Esses problemas são uma das influências neste novo disco e a verdade é que regressaram pela segunda vez, em menos de dois meses, aos palcos no centro da Europa. Já te sentes de alguma mais europeu do que um simples português?
Sempre tive a perspetiva de fazer música a nível mundial. Ainda não consegui, mas a nível europeu penso já o ter conseguido. Nunca quis fazer música apenas para Portugal. Não por não gostar de Portugal, antes pelo contrário, adoro tocar e viver em Portugal. Mas, como qualquer outro artista, quero mostrar a minha música internacionalmente. A quantas mais pessoas a puder mostrar melhor. Tive sorte nisso. Neste momento, para quem é músico e só toca em Portugal, a situação é muito complexa. Talvez 90 por cento dos músicos não estejam sequer a ser músicos neste momento. Como também, se calhar, 80 por cento dos atores não estejam a ser atores. Quando as pessoas precisam de cortar alguma coisa, uma das primeiras é a cultura. Tudo isso está à minha volta. Este disco tem um lado influenciado pela negatividade, mas tem outro de revolta, de querer que as coisas mudem e avancem.

Uma das revoltas deste disco é também a foto de capa sem os óculos escuros – acessório que se mantém em palco. Porquê?
Usar os óculos em palco serve de defesa. É um género de fato de super herói. Na capa do “Femina” já não tinha os óculos, mas não faço disto algo do género: ninguém me pode ver sem os óculos escuros ou o meu personagem usa óculos escuros. Não. É algo que em palco acaba por funcionar como uma muleta. Até porque, parecendo que não, sou bastante tímido.

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