| THE LAST INTERNATIONALE | “Nada deve ser estático”

Ao vivo em Sintra

Encontrámos-nos com os nova-iorquinos em Sintra, momentos antes do 7.º concerto do grupo em Portugal. Era final de janeiro e estava frio. Muito frio. Edgey e Delila, um casal também para lá dos palcos, ladearam o recém entrado baterista Woody. Falou-se do início, do presente e do futuro do projeto. Discutiram-se ideais políticos, explicaram-se músicas e revelaram-se as raízes lusas do guitarrista e as porto-riquenhas da vocalista. Foi pouco mais de meia hora de conversa, entretanto atualizada. A banda chegou a Portugal para ficar. Ou melhor, para voltar. Daqui a uns meses e depois, em princípio, também no Verão. Eventualmente já com um álbum novo e talvez… talvez, gravado num estúdio português.

[Colaboração FrankMarques’blog/ MUDA Magazine]
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Página 2: Os discos
Página 3: As referências e Portugal
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\\ ENTREVISTA em VÍDEO, com excertos do concerto no Espaço Reflexo, em Sintra
(Edição DVD da MUDA MAgazine n.º 009, Fevereiro/Março)

FrankMarques – O que é motivou a formação dos The Last Internationale (TLI)?
Edgey
– Normalmente é ela que responde a essa.
Delila – Não, ele é que responde a essa (risos… começámos bem).
Edgey – Bem… eu tinha escrito umas quantas canções e precisava de um vocalista. Tinha um baixista e um baterista a trabalhar comigo quando a vi a cantar num clube em Nova Iorque. Assim que ouvi a voz dela quis que ela entrasse para a banda. E o resto é história.

O que estava ela a cantar, Rock?
Edgey – Ohh… sei lá o que era (risos). Sei que não era Rock’n’roll…
Delila – Eu passei por algumas bandas. A cantar onde calhava, a divertir-me. Mas nessa altura andava a cantar muito Folk acompanhada pela minha guitarra. No início, quando nos juntámos, começámos a descobrir uns quantos artistas Folk e outros mais ligados ao Blues.

“Crawling queen snake”, videoclip oficial dos The Last Internationale
(“Choose your killer”, Manifesta Records, 2011)

No início, vocês surgiram como um grupo Folk, certo?
Edgey
– Não. Éramos um pouco de tudo. Nós apenas gravamos como um duo Folk. Quando a Delila entrou, os outros dois não podiam estar tão empenhados no projeto. Tinham outras coisas para fazer. Por isso, fui só eu e a ela para estúdio. Algumas vezes contratámos outros músicos para tocar baixo ou bateria ou então eu tocava a bateria e ela o baixo ou eu o baixo e… vocês percebem. Acabávamos por tocar todos os instrumentos e arranjávamos outras pessoas para tocas as partes mais difíceis da bateria. Mas, sim, éramos sobretudo um projeto Folk. Mas estávamos tão virados para o Folk e o Blues como estamos agora. Aliás, começámos a olhar mais para o Blues quando formámos a banda.

Como é que se lembraram deste nome, The Last Internationale? O anarquista Bob Black teve alguma coisa a ver?
Edgey
– Sim, por acaso tem. Não sei se foi ele que inventou o nome, mas foi num dos livros dele que li pela primeira vez esta expressão. Por acaso, conheci-o quando ele foi à minha universidade dar uma conferência. Se bem me lembro corretamente – porque isto foi há alguns anos –, ele contou-me que os comunistas e os esquerdistas correram com ele de Berkeley [n.: Califórnia]. Não sei se foi bem assim, mas foi como ele me contou. E, na sequência disso, ele faz uns cartazes que espalhou por toda a parte e em que se intitulava o “The Last International”. Eu gosto particularmente da expressão e, claro, nós damos-lhe o nosso próprio significado.

E qual é esse “vosso” significado?
Edgey
– São múltiplos. E de cada vez que atuamos há algo novo a acrescentar. Alguém diz alguma coisa sobre o nome e o significado volta a mudar. E é assim que deve ser, nada deve ser estático. Para mim, é algo que resulta do “First international, second international, third international…”, que era o movimento dos trabalhadores. Para nós, The Last Internationale significa que esta bem pode ser a última oportunidade que nós, enquanto povo, temos de colocar as coisas nos eixos ou de criar de uma vez o tipo de sociedade que queremos no futuro. Com o advento das armas nucleares e do aquecimento global podemos não voltar a ter uma nova oportunidade de fazer do planeta um mundo melhor. Tem de ser agora. É urgente!

“Fuzzy little creatures”, do álbum “Choose your killer”
(Manifesta Records, 2011)

Consideram-se uma banda política com um ideal forte?
Woody
– Eu espero que sim! (risos)
Edgy – Ideais, plural! A banda vê as coisas e a vida como não sendo nunca estáticas. Não se pode criar um paradigma para ver o Mundo e depois esperar que o Mundo se mantenha dessa forma. As coisas estão em constante movimento e mudança. Não há uma maneira correta de ver o Mundo, mas há um classicismo, como as pessoas na Europa já reconheceram. Nem tanto na América. Lá o classicismo é quase irrelevante ou obsoleto ou completamente inexistente para a maioria da população. Especialmente para os “media”, que gostam de fingir que não há classicismo. Mas para nós existe. E quando olhamos o Mundo, vemo-lo tal como ele é: Existem os que têm e os que não têm; os que vão trabalhar e os que exploram os que vão trabalhar. E qualquer visão que se possa ter do Mundo deve de ser com esta estrutura. Mas depois pode-se complicar ainda mais as coisas quando queremos aprofundar os significados do que é socialismo, anarquismo ou outros tipos de “ismo”. No fim, percebemos que é tudo um grande “merdismo”. Pessoalmente, eu gostava que recuássemos à forma como os índios americanos viveram em tempos, sem um Governo centralizado ou estas grandes cidades que se veem.

Vieram para Portugal numa altura de grande depressão. Como é que encontraram os portugueses? Parecemos-vos um povo feliz?
Edgey
– Sim e não (risos).
Woody – É difícil julgar uma população inteira pelo que temos visto.
Edgey – Eu venho cá muitas vezes porque os meus pais são portugueses. Por isso, estou habituado a isto. Sou meio português. Até os meus hábitos são muito portugueses apesar de ter crescido em Nova Iorque. Eu não vejo os portugueses deprimidos ou miseráveis. Nos concertos, estão bem animados e divertidos. Parecem-me muito felizes. Saltam, cantam, batem palmas. Mas isso não é um verdadeiro indicador daquilo que as pessoas possam estar a sentir por dentro porque os concertos são para se passar um bom bocado. Mas quando perguntamos às pessoas se estão bem, elas nunca são muito efusivas na resposta. Respondem sempre que “as coisas podiam ir melhor” ou “vai-se andando”. Essas são as respostas habituais dos portugueses.

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