| SENSER | “Qualidade é mais importante do que quantidade”

Senser estão a ultimar o quinto álbum de originais

Formaram-se nos finais da década de 80, alguns anos antes dos Rage Against the Machine. Foram sempre apontados, apesar disso, como a resposta britânica aos norte-americanos. Não se chateiam com essa confusão. Explosivos ao vivo e ainda sem qualquer disco editado, foram convidados a tocar em 1993 no festival de Glastonbury. O primeiro álbum surgiu em 94 e, quase duas décadas depois de “Stacked up”, estão prestes a lançar o quinto longa duração. Chamam-se Senser, são um sexteto e já atuaram em Portugal. A primeira vez em 98. Voltaram em 99 e 2009. E esperam regressar em 2013. É isso que dizem em exclusivo ao FrankMarques’ blog. Mas há mais. Muito mais. Eis um dos grupos dos anos 90 mais atuais nos dias que correm.

Página 2: “Damos sempre tudo o que temos”

Os Senser estão a celebrar duas décadas sobre a edição dos primeiros discos. Que balanço fazem destes últimos 20 anos?
Heitham al Sayed
(vocalista) – Temos tido a sorte de poder visitar muitos países e de fazermos amizades duradouras por todo o Mundo. Tal como dizia o Rutger Hauer no final do “Blade Runner”: Vimos um fantástico fogo de artificio depois do concerto da Bjork num festival europeu, recentemente nadámos nos lagos da Eslovénia antes de nós mesmos tocarmos, andámos de teleférico nas montanhas do Japão e assistimos a tempestades elétricas a partir do nosso “tour bus” no Novo México. O único senão, diria, são apenas as pequenas lesões que nos impedem por vezes de atuar. Não é culpa de ninguém em especial, mas é frustrante.

“Switch”, Senser
(gravado ao vivo na televisão – tema de “Stacked up”, 1994)

O planeta tem passado por grandes alterações sociais e económicas neste novo milénio. Os Senser costumam ter uma visão política do que vos rodeia. O que pensam do que está a acontecer na Europa?
HaS
– Quanto tempo tenho para responder? É que existem vários problemas com as economias europeias que são verdadeiramente tristes. Os bancos e as instituições financeiras têm sacado dinheiro em sintonia, interligando os sistemas de juros e os câmbios para, no fim, enganar as pessoas através das próprias regras. O resultado é não haver liquidez nos sistemas. Os Governos endividaram-se fortemente e de forma irresponsável. Por isso, os países limítrofes estão a sofrer. Nada disto é sequer necessário. Os princípios básicos do capitalismo, para lá do alegado desenvolvimento sem limites, só fazem sentido se tiverem princípios morais associados.

Heitham Al Sayed em Glastonbury’94

O que sabe, em particular, da situação de Portugal?
HaS
– Sinto muito pelos portugueses. Tenho uma ligação especial com o vosso país. Há muito tempo que costumo visitar Portugal. Mesmo antes de ter sido implementado o Euro. Penso que os portugueses estavam a começar a sentir um pouco de conforto quando tudo isto derrapou. O que é preciso para recuperar a economia é promover o consumo, mas a classe média já não está em posição de o fazer. O problema torna-se um ciclo vicioso. É necessária uma limpeza completa da “casa”. Uma nova geração de profissionais moralmente credíveis tem de substituir os ideais velhos e obsoletos em nome da transparência dos mercados e dos bancos – tenho plena consciência de que é mais fácil falar do que dizer.

Os problemas a que assistem nas ruas de Londres servem de alguma forma como inspiração para os Senser?
HaS
– Os problemas, como lhes chama, são de certa forma um sinal dos tempos. Ao contrário dos protestos de Tottenham nos anos 80, os que vimos agora não tiveram diretamente motivações políticas, mas refletiram as intensas pressões que os jovens enfrentam face ao consumo. Foi triste porque percebemos que aquilo era mais um saque às lojas do que outra coisa qualquer. Não sei se se pode chamar-lhe inspiração, mas é no mínimo uma questão que me preocupa.

Michaelson (esquerda) e Morgan ao vivo na Eslovénia

Os Senser estão em estúdio a gravar o novo álbum. O que podemos esperar deste disco?
Nick Michaelson
(guitarrista) – Estamos a meio caminho. É o nosso quinto álbum. Todos contribuímos para as letras e, no fim, temos sempre vários estilos e emoções no nosso som. Temos muita sorte, enquanto banda, porque sempre tivemos a possibilidade de experimentar e fundir estilos e sons distintos, embora no fim tenhamos sempre um som à Senser. Isto dá-nos uma grande liberdade quando estamos a compor. Mas vão ter de esperar e ver como é que vai ficar o som depois de acabarmos o álbum. Mas, nunca se sabe, podem haver algumas surpresas musicais.

O vosso último álbum, “How to do battle”, saiu em 2009. O que motivou esta pausa de 3 anos?
NM
– É vital que cada álbum pareça fresco e excitante. Para isso precisamos de ter o nosso tempo entre a gravação dos discos para que possamos recarregar as nossas baterias criativas. Além disso, passámos um par de anos a promover o “How to do battle”, logo a pausa não foi tão grande como se pode pensar. A qualidade, para nós, é sempre mais importante de que a quantidade.

“2,3, clear”, Senser
(álbum “How to do battle”, 2009)

No início dos anos 90, os Senser foram considerados como a resposta britânica aos norte-americanos Rage Against the Machine (RAtM). Como é que se convive com esta comparação?
NM
– A certa altura, na década de 90, perguntavam-nos essa mesma questão a cada entrevista. O que as pessoas não sabem é que nós já cá andávamos uns bons anos antes. Eles são uma grande banda, que não haja dúvidas. E nós tivemos, inclusive, a sorte de partilhar o palco com eles nos anos 90. Pessoalmente, não tenho qualquer problema com a comparação.

“Bulletproof”, Senser
(álbum “SCHEMAtic”, 2004)
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Conhece algum dos elementos dos RAtM?
NM
– Pessoalmente, não, embora já tenha estado com todos eles. Pareceram-me pessoas porreiras, genuínas e com os pés bem assentes no chão. Identificamo-nos mais porque os meios de comunicação sempre estabeleceram uma ligação entre nós e eles. Mas também nos identificamos com eles porque ambas as bandas, no início dos anos 90, foram percursoras na fusão do Rock com o RAP em ambiente de concerto.

Página 2: “Damos sempre tudo o que temos”

2 respostas a | SENSER | “Qualidade é mais importante do que quantidade”

  1. Helder cruz diz:

    Podes dizer que podem ficar cá por casa ! Afinal conseguiste ! Mais um bom artigo …

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