| PRIMITIVE REASON | “Para muita gente já nem existíamos”

Cartaz oficial do concerto dos 20 anos

Cartaz oficial do concerto dos 20 anos

ENTREVISTA EXCLUSIVA
Formaram-se em 1993. Um sonho de três amigos. Projeto de fusão de estilos e nacionalidades, arriscou e despertou a atenção de uma editora. A reboque de uma era ávida por ritmos novos, por novidades, conquistaram as tabelas de vendas e os maiores palcos nacionais impulsionados por um tema “Seven Fingered Friend”. Chegaram a partilhar o cartaz com nomes como David Bowie. Vinte anos depois, o grupo lançou “Power to the People” e começou a preparar a celebração do aniversário redondo. São vários os amigos alinhados para o concerto especial desta quinta-feira, 6 de março, entre antigos membros e outros músicos convidados como Marta Ren (Sloopy Joe) ou Nelassassin. “O concerto só vai acabar quando estivermos satisfeitos” diz-nos Guillermo de Llera, o fundador resistente dos três que há 20 anos criaram o agora chamado “universo Bobo Grey”. É uma entrevista exclusiva para ler aqui.

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Página 2: O poder nas mãos do povo
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“The Day Will Come”, Primitive Reason
(Tema de abertura de “Some of Us”, o terceiro álbum lançado em 2011)

FrankMarques – Descrevam estes 20 anos em cinco palavras isoladas, cinco termos isolados. É possível?
Guillermo de Llera
– Sonho, Visão, Aventura, Travessia, Sacrifício.

Preparam-se para resumir a carreira num espetáculo especial no São Jorge. O que podem revelar deste espetáculo? Vai ter hora para acabar? 20 anos é muito tempo…
O concerto só vai acabar quando estivermos satisfeitos. O que significa que vai ser largo. É um concerto que, pelas circunstâncias e variantes, caminha para ser um momento incomparável, único. Um momento destes só se poderá repetir daqui a dez anos. Nessa altura, connosco na casa dos 50 e mais 5 discos nas costas, não será bem a mesma coisa, apesar de a ideia ser inegavelmente interessante. Por isso arrisco-me a dizer que o dia 6 de Março de 2014 será épico em todos os sentidos.

Marta Ren canta no 20.º aniversário

Marta Ren canta no 20.º aniversário

Vão ter vários convidados. Alguns regressos de antigos elementos e a presença de vários amigos com quem têm partilhado esta viagem, como o Nelassassin ou a Marta Ren. O que vão eles levar para o espetáculo? Temas próprios refeitos com som caraterístico dos Primitive ou vão, antes, entrar dentro do “universo” do Bobo Grey?
Os convidados vão trazer o seu ‘toque especial’ à miscelânea Primitive Reason, daí o concerto ser, também nesse sentido, único. Haverá temas que vão ter uma roupagem completamente atípica e surpreendente por causa da colaboração musical com gente de fora do núcleo da banda, mas sempre dentro do “universo” Bobo Grey, que é um carácter muito particular mas adaptável a novas influências.

Nestas duas décadas, quais foram os momentos mais delicados e sensíveis na existência dos Primitive Reason?
O primeiro momento mais delicado foi quando a nossa travessia para os Estados Unidos significou a perda de vários membros da primeira formação. Apesar de, nessa altura, os Primitive Reason já serem um colectivo com entradas e saídas de membros, a formação que gravou o “Alternative Prison” e o “Tips and Shortcuts” tinha uma química especial.
O segundo momento foi quando voltamos dos Estados Unidos, após vários anos fora, e o Jorge Felizardo, fundador da banda comigo e com o Brian Jackson, optou por sair e mudar-se para Londres. O Jorge e eu somo amigos de infância e temos uma amizade especial. Perdê-lo foi como perder um braço direito.
O terceiro momento mais sensível foi a minha decisão, após a tournée do “Pictures in the Wall”, o nosso quinto disco gravado em 2005, de fazer uma pausa indeterminada para trilhar outros caminhos e refrescar o mundo “Primitive” ou universo “Bobo Grey” com novas ideias e uma nova direcção.

“Alternative Prison”, álbum de estreia
(15 de Maio de 1996, Kaminari Records, União Lisboa)

E os três melhores momentos da vida do grupo? Um, imagino, foi quando perceberam que “Alternative Prison” estava a ganhar asas…
Sem dúvida. Mas o primeiro foi quando fomos ‘descobertos’ e contratados para gravar o “Alternative Prison”. Foi um sonho tornado realidade, uma validação de que o nosso trabalho ‘anti-sistema’ iria ser recompensado e uma sensação de que o risco tinha valido a pena.
O segundo momento foi ver o sucesso do “Alternative Prison”. A sensação é indescritível porque nós tínhamos feito um trabalho para gente como nós, de mente muito aberta, que prima a arte na vida e de olhar sempre para a frente. Não esperávamos, de forma alguma, ver que tanta boa gente se identificava com o que vínhamos a transmitir ao panorama musical Português.
Tenho que dizer que me ficam curtos os bons momentos porque há mesmo muitos mais, mas o terceiro foi a nossa quase tripla tournée à volta dos Estados Unidos a abrir para os Fishbone e mais tarde os Misfits. Essa é que foi uma grande aventura, a tocar 8 de cada 9 dias, sempre numa cidade diferente e sempre a conquistar público. Eramos os “Portuguese boys” que arrasavam todos os palcos. Sempre nos lembraremos desse período da nossa carreira com muito carinho.

“Seven Fingered Friend”, Primitive Reason
(Videoclip oficial do primeiro single do álbum de estreia, “Alternative Prison”)

Recuando a essa altura: Como explicam o sucesso alcançado, em especial, por “Seven Fingered Friends”? O que é que havia a vosso favor naquela altura? Foi também quando apareceram os, digamos, também alternativos Blasted Mechanism, que cresceram ao vosso lado.
O sucesso de “Seven Fingered Friends” não pode, simplesmente, ser explicado nem duplicado. Quem acharia que essa canção, com aquela sonoridade, iria ter a repercussão que teve? Nós não de certeza. Mas a ‘label’ que nos contratou sim, sem dúvida. Eu diria que foi uma conjunção de factores onde a maior parte de boa culpa foi o tempo em que vivíamos, uma altura em que o país pedia algo de novo a todos os níveis. É verdade, os Blasted eram vizinhos nossos e eles também apanharam a mesma ‘onda de mudança’ um pouco depois.
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Página 2: O poder nas mãos do povo

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