| PJ HARVEY | Das ovelhas ao dia de São Valentim

A rebeldia nota-se nas atitudes mais estranhas

Polly Jean teve uma infância ligada à agro-pecuária, nomeadamente à criação de ovelhas. Mas também a sorte de ter uns pais que gostavam de blues-rock e que a introduziram no mundo da música através de artistas como John Lee Hooker, Jimi Hendrix, Rolling Stones, Bob Dylan e Captain Beefheart. Depois passou pela pop que os amigos ouviam coimo Duran Duran e Soft Cell. Aos 17 anos, rezam as crónicas, começou a escrever os próprios temas. Depois descobriu os Pixies e, em 1991, criou a própria banda, um power trio, depois de já ter integrado os Automatic Dlamini, projecto seminal de John Parish.

“Dry” foi o primeiro disco “dos” PJ Harvey e deu que falar em Londres. “Rid o f Me” foi o segundo. Pelo meio, ultrapassou um colapso nervoso e começou a ficar conhecida como uma estrela envergonhada e demasiado discreta. Um pouco, até, misteriosa face ao sensualismo que revelava a gosto, mas a distanciação dos ideais feministas. A ruptura com a “sua” banda aconteceu e, em 1995, lançou “Too Bring You My Love”, a primeira colaboração com o produtor Flood, o reencontro com o amigo John Parish. Mick Harvey, ex-Birthday Party, também entrou na equação.

Deste terceiro disco ressaltou “Down By The Water”, música que gerou alguma polémica. “Alguns críticos têm levado as minhas letras tão a sério que chegaram a ouvir ‘Down by the Water’ e pensaram que eu tinha de facto dado à luz e depois afogado a criança”, acusou PJ Harvey, numa entrevista à revista Spin.

O desgosto amoroso que deu em música

A balada assassina
1996 ficou marcado pelo romance com Nick Cave, com o qual gravou dois duetos para as “Murder Ballads” do australiano: “Henry Lee” e “Death is not the end”. Intensa, mas curta, a relação foi marcante. Tão marcante que o próprio Cave chegou a escrever depois duas músicas para as suas “Boatman’s Calls” inspiradas em Polly Jean, “Into my arms” e Black hair”.

A ruptura deixou marcas também na menina de Dorset. O álbum seguinte, “Is This Desire?”, explorou os mistérios e o significado da paixão. Foi o disco que serviu de pretexto para a estreia da rocker em Portugal, em Agosto de 1998. Dois anos depois, Polly Jean, mais animada, lançou o álbum mais pop da carreira, “Stories From the City, Stories From the Sea”, no qual colaborou com Thom York, vocalista dos então aclamados RadioHead. “Eu quero beleza absoluta. Quero que este álbum cante, plane e esteja cheio de melodia”, disse, então, Harvey. Valeu-lhe o Mercury Prize de 2001 e o primeiro lugar no ranking das “100 melhores mulheres do rock”, da revista Q.

Passaram três anos até ao sexto disco. Totalmente trabalhado, tocado e gravado pela própria Polly Jean, “Uh Huh Her”, foi seguido de uma digressão de sete meses, que passou pelo Festival de Vilar de Mouros e incluiu ainda algumas primeiras partes de Morrissey. Outros três anos e surgiu “White Chalk”, um álbum íntimista, composto ao piano, instrumento que Harvey ainda aprendia a tocar. “O bom de aprender um novo instrumento do zero é que isso nos liberta a imaginação”, confessou a artista à revista The Wire.

E agora, depois de mais uma “interrupção” ao lado do amigo John Parish (“A Woman a Man Walks By”), surge a veia política, que já lhe valeu ser a artista mais procurada na internet no início de Dezembro, segundo revelou a The Hype Machine. “Let England Shake”, o álbum, chega às lojas britânicas no dia de São Valentim de 2011 e aos palcos portugueses a 25 e 26 de Maio. Os bilhetes custam entre 35 e 45 euros, o que não impediu que esgotassem em três dias para o primeiro concerto. Hoje foi anunciado o segundo para a noite seguinte, 26 de Maio. Os concertos marcados para Bruxelas (18 e 19 de Fevereiro), Paris (24 e 25 de Fevereiro) e Londres (27 e 28 de Fevereiro) também estão lotados. Restam, assim, ainda disponíveis, os de Berlim (21 e 22 de Fevereiro), o segundo de Lisboa e o de Amesterdão (31 de Maio).

Mais informação:
Polly Jean em modo protestante
As visitas de PJ Harvey a Portugal

14 respostas a | PJ HARVEY | Das ovelhas ao dia de São Valentim

  1. Miguel Ramos diz:

    Incompleto !!! Wikipédia não eh tudo ! a sua passagem nos ” Dessert Sessions ” também foi muito importante ! já para não falar do romance que ela teve com Josh Homme lol

    • Sem dúvida que sim… mas apenas optei por não fazer referência. Como não fiz a uma série de outros detalhes da carreira dela. As Desert Sessions, com o Josh Homme, fazem parte do momento em que ela se vira mais para a música americana depois do sucesso alcançado com Stories from The City….. E acabam por resultar no esforço dela, sozinha, produzir por completo o Uh Huh Her.
      Sim de facto o Wikipedia não é tudo, por isso recorri a outros documentos. Não muito mais, é certo, porque também não havia necessidade de fazer muito mais.

      Obrigado pelo comentário e espero que voltes,

      FM

      • Miguel Ramos diz:

        Não nunca é de mais, os detalhes são muito importantes! e o facto de não falares do seu lado mais “UnderGround” é caíres na banalidade ! porque não deste novidade nenhuma ao publico! ou quase nenhuma lol mas devias !

        Mas os meus parabéns, pelas poucas novidade que me deste.

        Obrigado pelo reconhecimento, e espero não voltar.

      • Tens de aprender jornalismo, nem que seja a consumires jornalismo. Porque será muito difícil ires mais além com esse espírito. Um artigo, uma notícia, não pode tornar-se num livro. Ainda menos na internet. Os detalhes aqui deixam de ser importantes quando não acrescentam muito mais ao que se pretende transmitir. Esta é uma pequena biografia de uma artista cuja actualidade, a notícia, a novidade, é ter anunciado um segundo concerto em Lisboa depois de já ter esgotado um. Uma pequena biografia.

        E o lado mais “underground” da PJ Harvey é referido. Assim como o lado mais pop. E o mais intimista.

  2. Rui Carapêto diz:

    Gostei muito deste artigo.Adoro a Polly desde que a ouvi a 1ª vez no “Som da Frente” do saudoso António Sérgio…foi inesquecível o tema Yuri G. do album “Rid of Me”…tenho toda a discografia oficial dela, e alguns não oficiais, apenas a vi uma vez no Sudoeste de 1998, foi com muito prazer que consegui bilhete para o primeiro dia na Aula Magna.A actual situação no mundo origina-me uma certa curiosidade em relação á sua forma de a entender.

  3. Oi! Sou do Brasil, também gostei muito deste post a respeito de Polly Jean Harvey… Me identifico demais com a obra musical dela, ela é uma das pouquíssimas artistas viva atuante que apresenta uma sonoridade genuinamente única e criativa… Que a chamem de esperta por usar do seu coração, de sua verdade como ingrediente de seus discos… O que importa é que ela fascina seus fãs, como eu..

  4. andreia diz:

    Eu li o teu artigo e nao acho que seja uma biografia. E as ovelhas aqui nao fica nada bem. Ela estudou artes e é escultora sempre teve ligada a esse aspecto e a musica tambem.
    Porque é que fazem uma comparaçao da pj harvey com o campo e as ovelhas? Ela fez um album inflenciado em nova iorque deves saber, Stories From the City, Stories From the Sea, provavelmente deve gostar de cidades, tambem escreveu em Dorset. lol!
    Mas o titulo das ovelhas as duas noites ou s.valentim acho falta de gosto.
    Eu sou tambem jornalista e nao concordo.Fica um titulo polémico! lol
    Eu gosto muito do som da guitarra e a voz sao duas coisas importantes. Escreve da musica que ela faz nao se esteve ligada a agropecuaria. Eu nunca ouvi falar disso.
    A fotografia dos sovacos. Horrivel. Ela tem muitas fotografias execelentes escolheste logo esta!
    O dia dos concertos nao é dia 31 de maio mas 25 e 26 maio. O lançamento do novo album é em fevereiro nao sei se é dia de s.valentim, mas tem piada!
    De resto o texto esta bom, esta incompleto falta muita coisa.
    Mas é dificil escrever para quem da poucas entrevistas como a pj harvey.
    Sei que detesta ser comparada a uma pessoa que tem frustraçoes, timida, mulher do campo a cuidar das ovelhas, que nao sabe falar. Diz que as pessoas têm uma ideia errada de como ela é.
    Como prova tens esta entrevista no youtube.

    Espero que vejas. è uma boa entrevista

    Andreia Pinho

    • Andreia,

      Muito obrigado pelo teu comentário. E permite-me tentar responder às questões que colocas sobre o trabalho que fiz. As ovelhas são uma referência da vida dela, do início da vida dela. Não são nem pouco mais ou menos uma comparação. Seja como for, as pessoas que cuidem de ovelhas não são menos do que quaisquer outras. O título não é de mau gosto, é objectivo. Este é um texto que parte da infância dela, passa por vários episódios da vida e acima de tudo da carreira e termina a falar dos concertos de Maio. Já agora, eu escrevi que os concertos de Lisboa são a 25 e 26 de Maio. A referência de 31 de Maio é para o concerto de Amesterdão.

      A foto dos sovacos é uma foto como outra qualquer da PJ Harvey. Não foi trabalhada em PhotoShop e é resultado de uma produção cuidado que ela acedeu fazer. Aquela é a PJ Harvey, não é outra pessoa. E o impacto que a foto, que consideras horrível, tem é o pretendido: Mexe com os leitores, provoca reacções. Se és jornalistas sabes que é isso que qualquer um de nós procura com os nossos trabalhos: contar verdades e provocar reacções com as nossas palavras e as nossas fotos. Não é sermos iguais a todos os outros. E não é deixarmos de ser rigorosos. Foi o que tentei. Penso que consegui.

      Muito mais ficou por referir. Esta é uma mini-biografia, mas nunca poderia ser “a” biografia. Ela dá poucas entrevistas, é um facto. Mas existe algum material que permite fazer um bom trabalho. Voltando às ovelhas, discordo que seja de mau gosto. Foi o início da vida dela, não a considero menos por isso, bem pelo contrário.

      O álbum sai de facto no dia 14 de Fevereiro, dia de São Valentim, mas duvido que seja propositado. Ainda assim, tem a sua piada a coincidência.
      Por fim, não o escrevi, mas é o que penso: não critiquei o preço dos bilhetes, mas tinha toda a lógica faze-lo. Ela critica a crise instalada internacionalmente, nomeadamente nos países britânicos. No entanto, vem actuar a um dos países em pior situação na Europa e “impõe” (talvez não ela pessoalmente) preços dos mais caros já pagos na Aula Magna para concertos de rock. É um custo que não joga com o que ela canta neste novo álbum. Não concordas?

      Mais uma vez, obrigado pelo comentário e espero que continues a ajudar-me a ser melhor.

      Até à próxima,

      FM

  5. andreia diz:

    Eu acho que provocar um efeito desses nas pessoas depende do teu ponto de vista de fazer jornalismo. Sempre aprendi dizer a verdade as pessoas, informar nao provocar sensacionalismo, tabu etc
    Mas tudo bem! Provocaste reacçao nas pessoas. Tens alguns comentarios sobre as ovelhas e aos sovacos. nada mau!
    Eu comprei o bilhete para o concerto a 45 euros vou estar mesmo a frente. Eu ja fui a quase todos os concertos da Pj Harvey em Portugal. Gosto mesmo muito!
    Mas espero que tenhas visto a entrevista que te enviei do youtube ela deu uma entrevista que explica que nao gosta de ser comparada a uma rapariga do campo, com frustraçoes e que nao sabe falar. Se ela diz isso, um titulo desses das ovelhas as duas noites ela de certeza que nao ia gostar muito.
    Vais ao concerto em Lisboa? Ja agora trabalhas no blitz?
    Nao era incrivel conseguires uma entrevista com ela? Acho dificil mas se conseguires diz me. Quem sabe com estes textos se conseguires isso conhecer a Pj Harvey podes apresentar-me pessoalmente. Acho que caia para o lado. lol
    Porque é a sensaçao de ser a minha cantora favorita. enfim…se der avisa me.

    Andreia Pinho

    • Olá Andreia,

      Antes de mais, não trabalho na Blitz. Sou jornalista de profissão, é um facto, e neste meu blog escrevo apenas do que gosto e me apetece. Não de tudo o que é ou deve ser noticiado. E por isso escrevi sobre a PJ Harvey, de que gosto muito. Vi dois dos concertos que ela deu em Portugal e tinha bilhete para o primeiro concerto que ela deveria ter dado em Lisboa há dez anos. Não vou ver nenhum dos concertos de Maio próximo com muita pena minha. A hesitação que o preço elevado do bilhete me provocou levou a que os deixasse esgotar e, de certa forma, não me arrependo. Porque já a vi actuar e porque sei que vão haver muitos concertos este ano que vou gostar de ver. E a carteira, a minha carteira, não dá para todos. Regra geral eu pago para ir aos concertos.

      Não tenho no horizonte conseguir qualquer entrevista com a PJ Harvey. E ela não é de facto uma pessoa muito dada a dar-se a conhecer, a dar entrevistas, embora nesta que me enviaste ela até se tenha mostrado simpática e disponível. O problema, contudo, não me parece ser “enfrentar” a PJ Harvey numa entrevista, mas sim conseguir que ela aceite sentar-se diante de alguém para ser entrevistada. Desconheço o caso dela, mas com muitos artistas/ músicos o problema nem são eles mesmos, mas os “managers.”

      O meu “ponto de vista de fazer jornalismo”???? Não percebi bem o que quiseste dizer. Eu limitei-me a escrever sobre a história conhecida dela, não a comparei com nada, não lhe diminui a personalidade. O que fiz foi apenas mostrar que a artista, a enorme e conceituada artista, que só agora se vai estrear em Lisboa, apesar dos vários concertos em Portugal, teve uma história de vida curiosa que começou numa quinta onde cuidava de ovelhas e ouvia velhos discos de rock que os pais tinham. E escrevi esta história de uma forma que seduzisse as pessoas a lê-la. Não é ficção, são os dados que existem sobre ela. E eu dei simplesmente eco disso. O efeito procurado, de que falei antes, foi o de levar as pessoas a ler, de te levar a ti ler. E foi esse efeito que penso ter conseguido, não o de chocar ou de tentar denegrir de alguma forma a pessoa sobre quem escrevi. E volto a dizer, não vejo mal algum no facto de ela ter cuidado de ovelhas ou trabalhado no campo. E nem ela vê. Ela ainda vive no campo. E faz muito bem. Quem me dera a mim.

      FM

  6. Andreia diz:

    ola Frank ja vi o concerto na aula magna.
    Tenho tudo em video e fotografias se der ainda te envio uma ou outra.
    ja viste comentarios do concerto?

    Andreia Pinho

    • Vi alguns e não foram os melhores. São de pessoas que iam em busca da PJ Harvey crua, rocker dos sete costados, e depararam com uma pessoa introspectiva, mais preocupada em colocar a sua música em bandas sonoras etéreas. Eu acabei por não ir ver o concerto porque achei o bilhete demasiado caro e antecipava exactamente um concerto bem diferente, para pior, dos que já tinha visto. Ao que parece confirmou-se.

      Se quiseres escrever uma crónica do concerto, terei todo o gosto em edita-la e publica-la aqui.

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