| MIKE DOUGHTY | “Tomei todos os tipos de drogas”

Mike Doughty em exclusivo

Está ligado a Portugal desde que nasceu, a 10 de junho de 1970. Acaba de celebrar 42 anos, não tem filhos e anda a promover um livro onde fala da difícil relação que manteve com a heroína e com a banda que lhe deu fama, os Soul Coughing. Esteve em Lisboa em setembro de 1996 com ela e não mais voltou à capital lusa. Mas já esteve várias vezes no Porto desde então. Sozinho. Tem um disco novo a solo, o oitavo. E anda na estrada. Por estes dias, o antigo vocalista dos Soul Coughing anda pela Europa e sonha com uma chamada de Portugal. Vamos ver se surge esse convite.

Página 2: O pesadelo da banda

FrankMarques – Escreveu um livro sobre a sua relação com drogas e com os Soul Coughing. Não eram, também, os Soul Coughing ou a fama que a banda lhe proporcionou uma droga da qual fugiu?
Mike Doughty
– Não diria isso. De facto, nem éramos assim tão famosos. Senti que havia uma relação abusiva e eu pensava que a nossa música já não era o que devia ser. Não dava ‘pica’.

“Looking At The World From The Bottom Of A Well”, Mike Doughty
(videoclip retirado do álbum “Haughty Melodic”, de 2005)

Segundo li algures, disse que a primeira vez que tomou heroína foi uma experiência fantástica e depois tornou-se o inferno. Porque decidiu experimentar conhecendo os riscos?
É uma sensação maravilhosa e tirou-me as dores emocionais. Só a usava de forma ocasional até a vida nos Soul Coughing se ter tornado desesperante. Depois disse: ‘que se foda!’ E virei costas a tudo aquilo.

A heroína foi a única droga dura que usou?
Tomei todos os tipos de drogas. Não acredito em drogas pesadas e leves. No meu núcleo, sou um viciado. Uma droga é uma droga.

Mike (à esquerda) com Livingstone em concerto

Houve muitos jovens assustados depois de verem o “Trainspotting”. O filme de Danny Boyle está de alguma forma próximo da realidade?
Não acho. Os atores não me pareceram ‘mocados’. Eles alucinavam, mas de forma muito ativa e acordados. A heroína faz-te sonolento, deixa-te lento e atordoado. Sempre! Faz-te falar num tom baixo e arranhado porque os pulmões estão pressionados. Dá-te muita comichão – os viciados em heroína estão constantemente a coçar-se. Os realizadores de cinema tendem a gostar de cenas assustadoras no uso de drogas, mas depois os atores não se comportam como se estivessem todos fodidos. A desintoxicação, já agora, também não é assim tão dramática. É lixada e dolorosa.

Editado a 10 de janeiro de 2012

Qual foi o maior problema que sofreu com o uso de drogas e o que fez parar com elas?
Tive problemas severos nos pulmões. Estava sempre a sufocar. Como se fosse um ataque permanente de asma. Estava num estado extremamente degradado.

Como pensa que os seus filhos vão, um dia, interpretar o livro?
Ó meu Deus! Não faço ideia. Irei eu ter filhos? Tenho 42 anos.

Sabe se “Book of drugs” vai ter uma edição portuguesa?
Não sei. Adorava que houvesse uma tradução em português. Vocês têm uma idioma tão belo.

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“Na na nothing”, Mike Doughty
(Tema retirado do álbum “Yes and also yes”, de 2011)
DOWNLOAD GRATUITO

Página 2: O pesadelo da banda

2 respostas a | MIKE DOUGHTY | “Tomei todos os tipos de drogas”

  1. Hugo Henriques diz:

    Entrevista interessante e que mostra bem aquilo por vezes está por trás do relacionamento de uma banda e uma pessoa nem se apercebe. Neste caso concreto, é uma pena…
    Abraço!

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