| LUCY MICHELLE | “Nem sei onde estaria sem a música”

Lucy Michelle tem 24 anos e é professora

Andou perdida entre empregos, numa cidade que não era a dela, no frio Inverno do Minnesota, Estados Unidos. Ficou deprimida. Refugiou-se na música. Escreveu e compôs um álbum. Juntou-se aos amigos Velvet Lapelles e foram para estúdio com Matt Boynton, que já havia trabalhado com MGMT, Beirut e Bat for Lashes. Apesar de já terem 3 discos, tiveram de recorrer a uma recolha de fundos para financiar “Heat”, o novo álbum, que tem saída marcada para 29 de maio. O FrankMarques’blog falou com Lucy Michelle e a professora de 24 anos explicou-nos tudo sobre o projeto.

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Página 2: O novo disco
Página 3: Regresso à Europa
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FrankMarques- Quem é a Lucy Michelle?
Lucy Michelle
– Bem, tenho 24 anos, vivo em Minneapolis, no Minnesota, e tenho cerca de 1,50 metro de altura, o que não é muito. Não tenho filhos, mas sou casada e temos um cão, o Jolie. Vivo no andar superior de um duplex e que é praticamente um estúdio porque as únicas portas que tem são as de entrada e a da casa de banho. O meu marido chama-lhe o nosso pequeno loft francês. Não temos ainda filhos, mas eu trabalho numa escola como professora assistente e, por isso, todos os dias passo muito tempo com crianças. E penso que são crianças que me cheguem para já. A minha prioridade, porém, é a música e é para ela que vivo. Toco desde que me lembro. Sinto-me sortuda pelos sítios onde a música já me levou e pelas muitas pessoas maravilhosas que ela me permitiu conhecer. Nem sei onde estaria sem a música.

As companheiras de viagem, Lucy e Ashley

É verdade que andou pela Europa de mochila às costas?
Eu e a Ashley Boman (acordeonista) viajámos pela Europa durante um mês. Tinha estado em Inglaterra quando era criança, mas a Ashley nunca. E assim poupamos algum dinheiro, comprámos um par de bilhetes de avião e começámos em Dublin. Ficámos em Hostels da Irlanda, de Florença, de Barcelona, e de Paris. Em Barcelona fomos ao festival Primavera Sound. Foi fantástico, embora tenhamos ficado surpresas por ver que a maioria das bandas era americana. Gostava de ter visto mais bandas europeias.

E pagaram parte da viagem com concertos de rua, certo?
Chegamos a tocar nas ruas de Dublin. Nas outras cidades onde estivemos era preciso uma licença especial para tocar na rua, o que se revelou frustrante. Mas em Dublin, o dono de uma loja pagou-nos para tocarmos algumas horas na sua montra. E com isso pagámos as nossas refeições durante alguns dias.

Passaram por diversos países, as duas, mas Portugal não esteve no vosso roteiro. Porquê?
Gostava que tivéssemos chegado a Portugal. Parece-me um país maravilhoso. Conhecemos alguns rapazes portugueses no Primavera Sound, em Barcelona. E eles disseram-nos que a Ashley tinha uma cara muito cinematográfica.

“Father’s song”, Lucy Michelle & the Velvet Lapelles
(ao vivo no estúdio da KUMD, Minnesota, 2010)

O que conhece de Portugal?
Não muito, honestamente. E tenho de ouvir ainda muita música portuguesa. Gostava muito de ir a Portugal e conhecer mais. Se tudo correr bem, nós vamos para os vossos lados no próximo Inverno.

As cinco lapelas de veludo e, à direita, Lucy

Para além da Lucy, quem são os Velvet Lapelles e porque escolheram este nome? São macios como veludo?
Adoro esta pergunta. Sim, eles são macios como veludo. Os Velvet Lapelles são 4 músicos fantásticos e amigos com quem tenho a sorte de tocar. O Geoff, o nosso baterista, foi o meu colega de casa e está agora a formar-se em Educação. Ele é casado e tem uma filha de 5 anos. Depois temos a Ashley Boman, a minha melhor amiga e companheira de viagem pela Europa. Ela é fotógrafa, ourives e acordeonista. O Eamonn McLain, o nosso violoncelista, é também escultor e pinta murais. Por fim, temos o Jesse Schuster, músico extraordinário e especialista de baixo elétrico assim como de guitarra. Toca em várias bandas e farta-se de viajar pelos Estados Unidos.

Quais são as suas principais referências musicais?
Vou apenas listar algumas e vocês devem definitivamente pesquisar estes nomes se não os conhecerem ainda: Django Reinhardt, Mirah, Billie Holiday, Bill Callahan, Jule Doiran, Sharon Jones, Sharon van Etton, Elliot Smith, Zoo animal, Cat Power, Joanna Newsome, The Dodos, Dr. Dog, Heartless Bastards, Wild Flag, Johnny Cash, Bob Dylan, Karen Dalton, Lucinda Williams. M. Ward, John Lennon, Nick Lowe, Thao Nguyen. Há tantos… mas penso que estes são os que mais oiço regularmente. Também devemos ter algo de cigano na nossa música.

Que discos têm andado a ouvir por estes dias e qual foi a primeira música que ouviu hoje ao acordar?
Tenho andado a ouvir muito o Bill Callahan e o Tom Waits, dois músicos e letristas muito inspiradores. A primeira música que ouvi esta manhã, quando já ia para o trabalho, chamava-se “All the while”. É aqui de uma banda local chamada The Pines.

Sampler do álbum “Good of that”, Lucy Michelle & the Velvet Lapelles
(Video Grandma, outubro de 2010)

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