Kyle Rose Stokes: “Gosto muito de português”

Kyle no estúdio com os LMN

Tem vinte “e tal” anos, revelou. Estuda política internacional, centrada na América do Sul. E está a aprender português. Foi na língua de Camões que tentou responder à maior parte das perguntas do FrankMarquesBlog. E pediu para lhe fazer chegar alguma música portuguesa porque só conhece The Legendary Tigerman por recente sugestão do produtor Jim Diamond. É a baixista dos The Love Me Nots, mas também trabalha para a Governadora do Arizona e, no restante tempo, serve às mesas e trabalha numa gráfica. Tudo para juntar dinheiro e fazer um Masters em Nova York.

FrankMarques – Estás na banda desde 2008, mas já tinhas feito um casting antes. Porque não ficaste logo da primeira vez?
Kyle Rose Stokes – Nessa altura do casting estava a trabalhar, a estudar em simultâneo e ainda era a baixista dos Dames. Logo à partida, não tinha muito tempo. E além disso estava de viagem marcada para prosseguir os estudos no México, em Chiapas. Eles queriam que eu começasse logo na banda, mas eu tinha uma revolução para ir assistir. Era um programa de estudo oferecido pelos Zapatistas. Um dos meus professores foi comandante do Exército Zapatista de Libertação Nacional [EZLN]. Mas eu estive lá mais como observadora do que participante. Posso dizer, por exemplo, que uma revolução ainda está em curso no México, mas nada como o que se soube ter acontecido em 1994. Os nossos cursos de ensino levaram-nos para a Cidade do México para assistirmos às eleições presidenciais de 2006. Os resultados foram disputados e eu pude testemunhar os massivos protestos que se lhes seguiram.

Quando entrou na banda, em 2008, ainda participou na elaboração do segundo álbum ou essa era uma tarefa exclusiva da Nicole e do Michael?
– Não participei no segundo álbum. Entrei logo depois da elaboração dele.

A certa altura os elementos da banda mantinham as suas profissões fora do mundo da música. O Michael por exemplo é designer gráfico. Ainda é assim? O que fazem para ganhar dinheiro além de estarem nos LMN?
– Sim, o Michael é designer gráfico. E nisso somos muito afortunados porque numa banda é sempre necessário haver posters e grafismos. E ele tem muito talento nisso também. De resto, a Nicole exerce advocacia, o Jay é escritor e eu trabalho para a governadora do Arizona [n.: Jan Brewer], mas também sirvo às mesas e trabalho numa gráfica. Estou a poupar dinheiro para quando for para Nova York e começar a minha pós-graduação no Outono. Vou fazer um Masters em política e concentrar-me em políticas comparativas.

Está também a aprender português. Porquê?
– Estudo Ciência Política. Mais especificamente política da América Latina. Falo espanhol, mas há mais pessoas a falar português na América do Sul do que espanhol.

Está a gostar da nossa língua, é difícil?
– Eu gosto muito de português. É mais difícil do que o espanhol, mas é uma língua que abre portas para outros Mundos.

Conhece alguma banda ou música portuguesa?
– A minha professora [de português] na Universidade ensina pela música e, por isso, fui exposta a muita música brasileira. Adoro Os Mutantes e também oiço Chico Buarque, Caetano Veloso, Elis Regina… Na semana passada comprei um disco do António Carlos Jobim. Mas, de música portuguesa, não conheço nada.

Jim Diamond (ao fundo) com Michael no estúdio

O Jim Diamond, que produz os vossos discos, esteve em Portugal em Janeiro para participar no concerto de The Legendary Tigerman, um músico português. Já ouviu falar? Editou em 2009 um álbum (“Femina”) com várias vocalistas convidadas, incluindo a Lisa Kekaula, a Asia Argento e a Peaches…
– Sim, conheço. Eu tentei convencer o Jim a levar-me como intérprete. Não tinha ouvido falar de The Legendary Tigerman até ao Jim ter ido a Portugal. Mas ouvi algumas coisas depois. Parece-me que foi um grande concerto. Gostei do que ouvi. Tenho de arranjar o disco. Gosto imenso da Peaches.

No final de cada ano, realiza-se no nosso país um festival chamado Barreiro Rocks. Vai para a 11.ª edição e já contou com actuações dos Black Lips, Andre Williams, Kid Congo e em 2010 recebeu King Khan, Ty Segall e os Strange Boys. Já ouviste falar deste festival?
– Nunca ouvi falar, mas esses são sem dúvida grandes nomes da música. King Khan é definitivamente um dos meus preferidos. É difícil para mim tirar o ‘Tandoori knights’ do gira-discos.

Os White Stripes, por outro lado, são uma das vossas referências. Que comentário faz ao anúncio do fim da colaboração entre o Jack e Meg White?
– Penso que é o fim de algo muito importante. Posso ouvir toda a discografia deles sem saltar uma única música. Por isso, deixa-me muito triste vê-los separarem-se. O Jack, obviamente, tem mais projectos em andamento e isso torna mais fácil aceitar a decisão porque toda a gente sabe que ele vai continuar a fazer música. Eu penso, porém, que há algo de especial nos White Stripes por causa da simplicidade deles. E isso, infelizmente, não vai traduzir-se nos outros projectos do Jack.

Para terminar: pelo que investiguei, os LMN começaram por ser uma banda de Internet. Colocaram algumas músicas na Web e as pessoas começaram a seguir a banda. O que pensa da partilha de música pela Internet, da apelidada pirataria? É boa ou não para os músicos? E o Myspace, na sua opinião, tem futuro ou o Facebbok vai acabar por lhe roubar todo o protagonismo?
– Não interessa se gostamos ou não, a pirataria é real, existe. Eu já produzi e financiei álbuns com outras bandas e quando me cruzo com uma cópia pirata de um dos meus CD fico muito contente. Pessoalmente, enquanto artista, acho que quanto mais pessoas possam ouvir o que estou a produzir melhor. Eu não iria pintar um quadro para depois o tentar esconder do resto do Mundo. Quanto mais gente for exposta à minha música, mais probabilidades há de que elas venham aos nossos concertos. E isso pode fazer com que as coisas financeiramente se tornem melhores porque para além de estarem a comprar o bilhete para o concerto, podem também, espero, comprar uma t-shirt. O que é interessante, por estes dias, é ver como as pessoas voltaram a comprar vinyl. Nós até considerámos editar ‘The Demon and the Devotee’ apenas em vinyl e disponibilizar o download digital, abandonando por completo os CD. Mas ainda não chegámos a esse ponto.
O Myspace, por sua vez, está praticamente morto, ‘pobrezinho’. O horizonte muda tão rapidamente e a indústria musical atravessa uma completa reestruturação. Os consumidores e os produtores praticamente eliminaram os intermediários com os consumidores a ganhar a maior parte e os músicos a terem uma fatia pequena do bolo. Penso que vai ter de se chegar a um equilíbrio se os consumidores quiserem ter um produto de qualidade. Vai ser interessante perceber onde é que isto irá acabar.

The Love Me Nots: O regresso em 2011 (entrevista)

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