| FAST EDDIE NELSON | “Este disco é mais festivo”

Fast Eddie Nelson está de volta com novo disco

Faz parte da colheita de 74. E tal como a revolução de abril, que por estes dias enche avenidas na celebração da liberdade e democracia, chega este ano às 38 primaveras. Em 2011, depois de ter alinhado ao longo da carreira por inúmeras bandas, lançou-se a solo. De guitarra prateada nas unhas e a solidão nas margens do rio como inspiração, lançou “Riverman”, o primeiro disco em nome próprio. Menos de um depois, está de volta. Mas agora traz a companhia do baterista Phil D., com quem tem vindo a partilhar o palco desde há alguns meses. “Nuff said!”, o novo disco, é posto à venda por estes dias. Falámos com o Bluesman mais conhecido do delta do Tejo sobre este novo capítulo da carreira e ficámos a saber os segredos por trás do novo vinil amarelo, que desta feita e até ver, não terá edição em CD.

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Rodelas de plástico: “Riverman” (2011)
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FrankMarques – Um novo disco a menos de um ano da saída do primeiro. O que motivou este regresso ao estúdio?
Fast Eddie Nelson
– A razão é sempre a mesma, ver-me livre das canções novas para poder concentrar-me noutras. Que eventualmente gravarei e editarei para me ver livre delas e poder concentrar-me noutras. É tudo um bocado obsessivo-compulsivo, mas no bom sentido claro . Surgiu, entretanto, o interesse conjunto da Vinil Experience e da Raging Planet em editar qualquer coisa minha e juntou-se o útil ao agradável.

A capa do novo vinil amarelo transparente

Face a “Riverman”, o primeiro disco, a capa ganha mais um nome: Phil D. O projeto alargou-se a dueto?
Não sei dizer. Não consigo pensar a música em termos deste ou daquele projecto. Há uma continuidade nas coisas que tenho feito desde o primeiro disco dos Riverside Monkeys mas, tirando isso, as canções é que decidem se são tocadas com guitarras e bateria ou oboé e cavaquinho. Gosto de me basear no que já fiz mas detesto a estaticidade e as fórmulas. A última coisa que quero é repetir-me. Entretanto comecei a tocar com o Phil e, como temos um excelente ‘rapport’ (tr: expressão francesa para “relação”), decidi convidá-lo para este disco.

“Nuff said!”, o título do novo disco, soa a ponto final no que há para dizer. Porquê este título? Alguma coisa relacionada com Nina Simone, que teve um disco com este mesmo nome?
Não há referência nenhuma à Nina Simone, é coincidência. Acho que o nome se adequa perfeitamente à música, que é nua e crua e sem artificialismos de qualquer espécie. Daí não termos inventado nenhum nome para a banda tipo The Amazing Fantastics ou qualquer coisa do género. São dois músicos a tocar música.

É um disco na linha de “Riverman”, com meia-hora de duração?
De certa forma. É um EP e a base de inspiração é a mesma: Blues e Bluegrass. Mas este disco tem uma componente muito mais eléctrica e rítmica, daí a participação do Phil D.

Inclui alguma versão?
Não. Embora toquemos algumas ao vivo, não achei pertinente nesta altura gravar nenhuma. O que não quer dizer que não o venha a fazer no futuro.

Produção para o disco "Riverman"

“Riverman” destacava o rio. Agora o ambiente, pela capa, é mais de quinta. Porquê esta mudança?
Bem, o “Riverman” é mais intimista e centra-se mais numa relação solitária com o mundo. Este, por outro lado, tem um carácter mais festivo. Já não estou a tocar sozinho e a idéia é criar um ambiente em que as pessoas dancem ou se mexam um bocado.

Que papel assume o Barreiro neste disco?
Assume um papel fundamental. Tirando o Phil D., que é de Setúbal – ninguém é perfeito – e o Vasco (mistura do disco), que é de Lisboa e caiu neste disco por via de um inesperado, todos os intervenientes são do Barreiro. Gravação (Vitor Lopes), fotografia (Claudio Ferreira) e design (José Mendes) estiveram nas mãos de artistas do Barreiro. Tirámos, inclusive, as fotos para a capa entre as caldeiras e os moinhos de Alburrica.

A apresentação de “Nuff said!” em Setúbal decorreu com casa cheia. Contavam com a adesão ou foi uma surpresa?
Foi um recepção bestial. Vi imensa gente a dançar e a cantar. E a ideia era essa. Nunca toco um concerto a contar com casa cheia. Foi bom e isso é que interessa.

Depois de teres tocado com outro baterista na Tasca da Galega, no Barreiro, regressas à tua cidade agora com o Phil num espaço de Jazz, que não te é estranho. Onde é que sentes a tua música a respirar melhor?
Seja onde for que hajam pessoas que a queiram ouvir. São as pessoas que fazem o concerto, não é o espaço.

“The believer”, Fast Eddie Nelson
(original dos Riverside Monkeys gravado ao vivo no Be Jazz Caffé, no Barreiro, Julho de 2011. Apresentação de “Riverman”)

Tens recebido muitos convites para tocar?
Alguns. Espero que com este disco surjam ainda mais.

Os concertos deste disco vão ser a dois ou poderás apresentar-te a solo?
Tenho concertos agendados em trio, duo e uno . Depende muito das características específicas de cada actuação.

Em Setúbal e agora no Barreiro, por acaso, vão contar com um terceiro elemento em palco. Quem é e o que acrescenta ele à música de “Nuff said!”?
Chama-se El Pavoni, toca baixo e harmónica. É um músico muito enérgico e que nos permite aumentar o nosso leque de possibilidades ao vivo.

É desta que o Fast Eddie Nelson passa a fronteira de guitarra prateada às costas?
Andamos a ver essa possibilidade. Depende de muita coisa. Se existir vontade, vamos.

O que dizes, por fim, aos indecisos que ainda não sabem se vão ao Be Jazz no sábado?
Não digo nada. As pessoas é que sabem do que é que gostam e, se gostarem de nós, apareçam. Serão muito bem recebidos.

“Driftwood” e “The innocent”, Fast Eddie Nelson
(“Riverman” ao vivo no Pitta’s Place, em Setúbal, 14 de maio de 2011)

Mais informação:
Facebook oficial de Fast Eddie Nelson

2 respostas a | FAST EDDIE NELSON | “Este disco é mais festivo”

  1. sophiabia diz:

    gosto disto🙂

  2. sophiabia diz:

    ficaste tu como tenfdo posto o like….n consigo entrar na página…besos

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