| VIRALATA | “Crescemos muito e vamos crescer mais”

A primeira vez dos Viralata

A primeira vez dos Viralata

Estão a celebrar 3 anos de existência e a preparar a edição do segundo álbum, que ainda não têm título mas do qual já começam a dedicar músicas aos governantes nacionais. A celebração do terceiro aniversário é mais do que motivo para a primeira entrevista exclusiva dois anos e meio depois de termos assistido e reportado a estreia ao vivo dos Viralata. A conversa foi com Ulisses Silva, o vocalista e um dos principais agitadores dos espetáculos do grupo. A crise, o desemprego, o estado do Punk em Portugal, o novo disco e, claro, as mamas da Ivone são alguns dos temas desta entrevista.

Ulisses Silva na gravação de um videoclip

Ulisses Silva

FrankMarques – Juntos, na garagem, há 3 anos, qual é o balanço?
Ulisses, Viralata –
Fazemos um balanço muito positivo. Em apenas 3 anos, criámos uma banda de raiz, fizemos, gravámos e editámos o álbum de estreia que foi bastante bem recebido na cena underground e já temos outro disco pronto para ser gravado. Demos bastantes concertos de norte a sul do país, tivemos destaques em alguns órgãos de comunicação de dimensão nacional. É um balanço muito positivo.

“Contagem Decrescente”, Viralata
(Videoclip oficial retirado de “Vai Buscar”, 2012)

Têm apenas um álbum editado, “Vai buscar”. Porque não houveram mais edições Viralata?
Três anos parece muito tempo mas numa banda não é assim tanto. Como respondi antes, fizemos muito em 3 anos e o próximo disco já está pronto para ser gravado e editado no início de 2014. Na realidade, nestes 3 anos, desde o primeiro dia em que começámos a ensaiar, já fizemos 2 discos de originais. O que é muito.

O início e o fim apoteótico no Avante 2011

Concerto no Avante 2011

Transpira do grupo uma forte amizade entre os quatro “cães vadios”. É esse um dos segredos dos Viralata?
Sem dúvida. Para nós a música é partilha, é amizade, é divertimento, é paixão. Estamos nisto por amor e só faz sentido estarmos com pessoas que realmente gostamos. Por isso é que os Viralata são uma banda que transmite essa energia ao vivo, essa genuinidade, porque aquilo que as pessoas vêem, é real, é aquilo que somos. Já nos conhecíamos de outros projectos. O Ivan, nosso baterista, já tinha tocado comigo nos K2o3; o Filipe, baixista, também já era um amigo destas lides musicais; e o Gano foi-nos apresentado pelo Ivan.

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“Homem que é Homem”, Viralata
(Videoclip de 2013 retitrado de “Vai Buscar”, àlbum de 2012)

A situação do país tem atacado com agressividade os Viralata, que, pelo que se sabe, não fazem da música o ganha o pão. Alguns de vocês caíram, aliás, no desemprego. Como é que toda esta situação afetou a música do grupo e como se irá refletir no novo disco?
A situação do país é dramática e as perspectivas de futuro não são nada animadoras. Obviamente que é preciso lutar, não baixar os braços e tentar inverter a situação. Este próximo disco dos Viralata reflecte também aquilo que é não só a nossa vida como também a vida de grande parte dos portugueses. Nós inspiramo-nos naquilo que nos rodeia, na vida real, por isso é natural que este novo trabalho seja um disco mais crítico, mais acutilante mas, ao mesmo tempo, um disco que fala de esperança, que transmite coisas boas, não queremos falar apenas de “Desgraças”, mas sim de formas de dar à volta por cima. As pessoas precisam de esperança e de acreditar que as coisas podem melhorar.

O que nos podem revelar para já sobre o segundo álbum, que vai sair em 2014? O que há de novo no som dos viralata? Já tem título?
Neste momento não queremos revelar muita coisa, ainda é cedo para isso. Mas posso dizer que terá 14 temas originais. É na nossa opinião, um disco muito melhor que o “Vai buscar”, é um disco mais maduro, mais pensado, mais trabalhado mas que mantém a linha de som dos Viralata, ou seja, cruzar temas sérios com temas mais divertidos. Estamos muito contentes e empolgados com este novo álbum.

“Ivone”, Viralata
(Concerto de apresentação de “Vai Buscar”, 31 de agosto de 2012, Ritz Clube, Lisboa)

O maior cartão de visita de “Vai Buscar” foi, sem dúvida, a “Ivone”. Haverá no segundo disco uma nova aventura desta carismática personagem?
Não sei, curiosamente, se a “Ivone” terá sido o maior cartão de visita dos Viralata. Outros temas acabaram por ter uma dimensão se calhar maior, como por exemplo “Carocho”, “Contagem decrescente” ou “Famel”. A “Ivone” irá ficar pelo primeiro disco. É um tema engraçado, que a malta gosta de cantar pela “palhaçada” e entretenimento, mas não é de forma alguma aquilo que queremos que seja a “cara” dos Viralata.

Viralata ao vivo na Moita (dez 2011)

Viralata ao vivo na Moita (dez 2011)

Qual foi a maior inspiração para este segundo disco?
A inspiração é tudo aquilo que nos rodeia. Não tem hora nem dia marcado para aparecer, mas quando aparece faz-nos criar sobre tudo um pouco. Neste novo disco falamos de coisas muito diferentes.

Como se desenrolou o processo criativo para este segundo capítulo da vossa carreira? Seguiram a receita do primeiro?
Não há propriamente uma receita, nem uma fórmula. Isto é punk rock, é puro e duro, não há que inventar a pólvora. Nós somos uma banda simples, directa, sem caganças técnicas e sem pretensões a ser outra coisa qualquer. Trabalhámos da forma como sempre fizemos pois é desta maneira que conseguimos levar a banda para a frente.

Filipe e Ivan na LX Factory, 2011

Filipe e Ivan na LX Factory, 2011

Já andam a tocar algumas músicas novas ao vivo. Como tem sido a recetividade?
Tocámos 1 tema novo num concerto na Marinha Grande a receptividade foi óptima. Os novos temas estão fabulosos e as pessoas vai ficar supreendidas com a “nova” energia dos Viralata, com a mensagem, com tudo. A banda cresceu muito e vai crescer ainda mais.

Para lá do concerto de aniversário, 28 de setembro no Sabotage, em Lisboa, a agenda de marcações para 2013 está fechada ou têm mais concertos previstos antes do lançamento do novo disco?
Não. À partida, iremos “fechar” a loja em 2013 depois deste concerto do Sabotage. Só voltaremos com novo disco e em 2014, com novos singles, novos videoclipes, nova imagem, tudo novo. Temos muito trabalhinho pela frente até lançarmos o novo álbum.

Ensaio no 5 para a  Meia a Noite

Ensaio no 5 para a Meia a Noite

Os Viralata têm vindo a conseguir furar em algumas rádios locais. Mas não foi uma “penetração” fácil. De uma forma geral, como veem a notoriedade dada ao “panque roque” nacional nos meios de comunicação social?
Nada é fácil. É uma luta constante para ir dando pequenos passos e as coisas demoram imenso tempo. Mas com persistência e determinação as coisas fazem-se e vão acontecendo. O punk rock assim como outros géneros musicais são sempre os “parentes” pobres, principalmente em Portugal. Há demasiados lobbies, grupos e grupinhos, modas e hypes. A maioria deles passageiros, mas que acabam por monopilizar alguns meios de divulgação, e não é só na rádio. Tudo isto, obviamente, acaba por se propagar aos concertos ao vivo. Não há muito espaço para as bandas punk rock, mas isso também não é de agora, sempre foi assim. Os Viralata, porém, vão continuar a acreditar que é possível porque temos razões para isso. O mais importante é fazer coisas, é lançar discos, organizar os próprios concertos, ter cada vez mais público e crescer até que um dia não possam continuar a deixar-nos de fora. É um processo longo, mas nós temos tempo, ainda somos novos (risos).

“Carocho”, Viralata
(gravado ao vivo no programa 5 Para a Meia Noite, da RTP, 15 outubro 2012)

O que esperam de 2014 para os Viralata? Tocar no Rock in Rio?
Esperamos lançar um excelente disco, marcar a nossa posição, promover bastante o nosso trabalho e tocar ao vivo o mais possível que é isso que nós gostamos de fazer. Com 2 álbuns em carteira, teremos a possibilidade de proporcionar um concerto bem melhor, mais variado e melhor construído. Rock in Rio? Se nos convidarem, nós vamos a todo o lado. Até tocamos no Rock In Barranco desde que haja electricidade.

Que mensagem deixam aos políticos que nos governam e, para terminar, que música do próximo disco lhes dedicam?
Aos políticos, peço que deixem de governar para os partidos, que comecem a ser cidadãos sérios e responsáveis, que pensem no seu país, que vejam a “coisa” pública não como uma oportunidade de orientar as suas vidinhas pessoais e a dos amigos, mas como uma missão fulcral e de sacrifício para ajudar Portugal e os portugueses, e para contribuírem para que todos tenhamos uma vida melhor. Isto é, obviamente, utópico. Do próximo disco, dedicamos aos políticos o tema “Cheira mal”. E mais não digo (risos)!

“F.A.M.E.L.”, Viralata
(Audio de um dos temas mais entoados de “Vai Buscar”, 2012)

Outros artigos sobre os Viralata:
O primeiro concerto (Maio de 2011)
Primeira parte dos Mata Ratos (Dezembro de 2011)

Mais informação sobre os Viralata:
Facebook oficial
Canal Youtube

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