| COLDFINGER | “Já não estamos sós e isso dá-nos vida”

Margarida Pinto e Miguel Cardona

Margarida Pinto e Miguel Cardona

Formaram-se em 1998 quase por acaso, como assumem sem revelar o dia certo do “vamos tornar isto mais sério”. Miguel Cardona tinha acabado de largar os Blasted Mechanism, que ajudara a tornar numa das principais referências da música portuguesa nos anos 90. Ao lado de Margarida Pinto, feliz “proprietária” de uma das melhores vozes da música portuguesa, depressa apresentaram os primeiros temas à editora Nortesul e em 1999 nascia o primeiro disco da dupla como “EP 01”. Prestes a celebrar 15 anos de existência um dia destes e com o quarto álbum já nas lojas, esta sexta-feira (3 de maio) chega a noite da tão ansiada apresentação oficial ao vivo de “The Seconds”, o novo e excelente disco da dupla. Um registo onde em alguns momentos sentimos um travo a Lamb ou até a Cocteau Twins. Ao FrankMarques’blog, Miguel e Margarida concederam uma entrevista exclusiva onde falam um pouco da história do projeto, desvendam os segredos por trás destes “segundos” que demoraram seis anos a passar e revelam algumas opiniões mais pessoais acerca do presente da música em Portugal.

AUTOPLAY

——————–
Página 2: A fome de palco e os projetos pessoais
Downloads legais & gratuitos no final da entrevista
——————–
FrankMarques – Celebram 15 anos de existência em 2013. Ainda se lembram do dia em que nasceram os Coldfinger? De que forma chegaram à ideia e qual o processo até dizerem um para o outro “vamos tornar isto mais sério”?
Coldfinger –
Foi um processo simples e não foi voluntário. Quando tomámos consciência, estávamos em palco a tocar a nossa música.

“Shades”, Coldfinger (Tema em AUTOPLAY via Soundcloud)
(Primeiro avanço do álbum “The Seconds”, lançado a 15 de abril de 2013)

A música que produzem soa confortável. Sente-se calor na ligação dos instrumentos à voz da Margarida. O que esteve na base da escolha do nome “dedo frio” (Coldfinger) para o projeto?
Acho que foi uma noite mal dormida. Já não me lembro das outras hipóteses, mas eram mais bizarras.

Disco lançado a 15 de abril de 2013

Lançado a 15 de abril de 2013

Acabam de lançar o quarto álbum de estúdio (descontando o EP de estreia e o disco de remisturas de “Lefthand”). Porque demoraram quase seis anos a voltar ao estúdio?
Nesses seis anos, a Margarida deu continuidade à carreira a solo, trabalho no qual eu (Miguel Cardona) participo como músico. Em 2009 e 2010 andámos na estrada com esse projecto e foi exactamente nessa altura que comecei a trabalhar neste disco.

São seis anos resumidos num disco chamado “segundos”. Que “segundos” são estes?
Bem, são segundos em stop-motion. Alguns são estáticos e outros são invisíveis mas todos são imparáveis.

São 9 temas que, segundo assumem, representam o vosso imaginário. Há títulos como “Shades”, “You should fall” ou “Alice Barracuda”. Que imaginário é este?
O imaginário da banda remete para um universo sensível no qual as emoções quebram as regras da física e os objectos ganham caráter simbólico, com reminiscências do surrealismo, do psicadelismo e também do real poético, que no caso dos Coldfinger fica a cargo da Margarida, a autora da maioria das letras deste disco.

Vídeo promocional de apresentação de “The Seconds”, pelos Coldfinger

Na apresentação de imprensa do disco, refere-se “uma nova vida do projeto” e “o tempo enquanto factor de mudança”. O que mudou nos Coldfinger nesta segunda década do século XXI?
Os Coldfinger aprenderam a trilhar o seu percurso acompanhados por um público que é, para nós, mais um elemento da banda. Sentimos que já não estamos sós e isso dá-nos vida e muita força.

Apresentaram as novas músicas em outubro passado, no Ritz, ainda sem informação disponível sobre a data de lançamento do disco. Era um teste que precisavam de fazer antes de concretizar o disco ou uma forma de mostrar que valia a pena apostar neste regresso?
O concerto no Ritz Clube em 2012 foi uma forma de experimentar as músicas do álbum perante uma audiência antes do trabalho de estúdio terminar. Como referi na questão anterior, o público que nos acompanha é muito importante para nós e essa partilha ao vivo permite-nos trabalhar os temas tendo em conta o seu feedback.

“Beauty of you”, Coldfinger
(Tema do álbum “Lefthand”, 2000)

Nesse concerto do Ritz, tiveram um interlúdio com um poema de cariz religioso pelo que se percebeu. Que relação existe entre a música dos Coldfinger e esse momento inesperado que registaram no Ritz?
Bem, essa é, sem dúvida, uma pergunta para a qual eu não tenho uma resposta. O Nuno Campos, o protagonista desse momento, é um amigo muito especial e convidámo-lo a participar do concerto do Ritz, não com uma finalidade litúrgica, mas mais numa busca do silêncio interior. Essa foi a forma do Nuno se expressar naquele momento.

Este é um disco, pelo que se percebe, que cresceu em várias “maternidades” (entenda-se “estúdios”). Por quantos passaram e porquê esta diversidade? Fatores económicos ou mera busca de sonoridades diferentes?
Passámos por 5 estúdios, se contarmos com a fase de pré produção. As razões que nos levaram a estúdios diferentes foram as apontastadas, ou seja, uma mistura de fatores económicos e a busca de sonoridades diferentes.

——————–
Página 2: A fome de palco e os projetos pessoais
Downloads legais & gratuitos no final da entrevista

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s