| BICHO DO MATO | “Nasceu o Rock alentejano”

De Évora para o Mundo, sobre 4 "patas"

Daniel Catarino nasceu há 28 anos em Cabeção, vilarejo do Alto Alentejo, e é ele o “poeta” e a principal voz do projeto. António Bexiga – Tó Zé para os amigos – tem 35, veste a camisola de Évora e é o virtuoso da viola campaniça, a que junta o exótico banjitar e, diz ele, “coros desafinados”. Zé Peps é a “pata” mais experiente do “Bicho”, tem 43 anos, é de Setúbal e alinha pelas guitarras folk, slide ou de pequena dimensão a que anexa “uns coros meio esquisitos”. Daniel Meliço, por fim, é de Almada, tem 31 anos, é quem bate nas peles e o mais afinado dos coros – são “de meter inveja”, dizem. Juntos são as quatro patas de um novo “Bicho” da música portuguesa. Formaram-se há um ano, já lançaram um single e estão a ultimar o álbum de estreia. O objetivo é conquistar o maior número de palcos possíveis. Seja em tascas, tendas, parques de campismo, bosques encantados ou auditórios. Tem é de haver algo para beber (nem que seja água) e pelo menos 2 ou 3 pessoas para assistir. Se forem aos milhares tanto melhor. Esta é a história deles, por eles próprios. Mas com orientação do FrankMarques’blog.

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Página 2: O símbolo
Página 3: Brasil
Página 4: A Internet
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FrankMarques – O que motivou o nascimento do “Bicho”?
To-Zé Bexiga
– Foi um convite do Tiago Pereira para gravar uns temas em Évora para o “Música portuguesa a gostar dela própria”. Quando o tempo convida, costumamos juntar-nos nas praças e jardins para improvisar. São os “ataques ninja” – termo que ouvi pela primeira vez pelo Winga, membro dos Blasted Mechanism e da Nação Vira Lata, num concerto dos Uxu Kalhus, a minha outra banda. O “ataque ninja” dos Bicho do Mato não é programado nem anunciado. Trocam-se uns SMS e o som faz o resto. Na altura, o Tiago chamou-lhes “encontros inesperados ou improváveis”. Gravámos 3 temas para ele. 2 deles surgiram nesse mesmo dia, no terraço da Sociedade Harmonia Eborense. Essas gravações acabaram por resultar em convites para concertos.

“48”, Bicho do Mato
(“A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, 07 de abril 2011)

Porquê este nome, Bicho do Mato?
TZ
– Precisávamos de um. Uma tarde, estava eu em casa, e a Mónica, a pessoa-que-partilha-a-vida-e-as-contas-da-vida-comigo, reparou num pormenor maior: Todas as nossas músicas falam sobre um animal. O nome surgiu poucos minutos depois.
Daniel Catarino – Já era algo que me chamavam frequentemente em Cabeção, quando era miúdo. Era Bicho do Mato porque dava voltas à vila para não ter de falar às pessoas e também para fugir dos beijinhos das velhotas. Achámos que o nome expressa corretamente a nossa atitude perante a música. Não queremos fazer parte de nenhum movimento. Apenas fazer o que queremos sem qualquer compromisso estilístico.

Daniel Meliço é o baterista-percussionista

Como se define esta nova espécie de “Bicho”?
TZ
– É um ser comum com poucos filtros sociais na hora de fazer e dizer aquilo que lhe vai na alma. É, por isso mesmo, igual a si próprio e encara a vida com a mesma quota de seriedade e irresponsabilidade. Vive em Évora, mas podia ser noutro lugar qualquer. Somos cada vez menos do sítio e mais do tempo em que vivemos. É um bicho do campo e da cidade, descansa à sombra do sobreiro com a mesma perna que o segura à árvore de betão. É uma espécie de “hipster rural” que vai de farpela “grunge” à tasca da aldeia ou de botas da lavoura à esplanada mais concorrida da cidade.
Daniel Meliço – Tocamos as nossas músicas para chegar ao interior das pessoas. Tentamos chegar à “alma” e ver se elas conseguem despertar para alguma coisa. Há algo a adormece-las.
Zé Peps – Será, portanto, um misto dos dois.
DC – O Bicho do Mato não é anarca. Mas também não considera que as coisas como são devam ser aceites porque sim, por instituição social. Temos esperança de dar um pequeno contributo para que as coisas melhorem e recusamo-nos a fazer críticas destrutivas.

Estão a celebrar o primeiro aniversário. Que balanço fazem?
ZP
– Tem sido muito positivo e francamente promissor.
TZ – Nestes primeiros meses fizemos vários concertos, gravámos um EP, estamos em pré-produção do primeiro disco e já temos alguns temas que farão parte do segundo, que terá possivelmente uma temática diferente do primeiro. Diria que o balanço é muito positivo. Estamos contentes com o que tem vindo a ser o percurso da banda.
DC – Somos bons amigos fora da música, o que contribuí para essa evolução. Sabemos que isso é a base para andarmos por cá muito mais tempo. Isso e a nossa dedicação e amor insanos ao que nos une: a nossa música.

“A ratoeira”, Bicho do Mato
(primeiro single, fevereiro de 2012)

O single “Ratoeira”, lançado em fevereiro, foi, então, a antecipação do primeiro álbum?
ZP
– Sim.
TZ – Como temos uma formação pouco comum, com instrumentos pouco usados nas tradicionais bandas, sentimos necessidade de fazer uma pré-produção e perceber quais os caminhos a seguir. Percebemos, por outro lado, após alguma curiosidade inicial de alguns programadores, que para conseguir mais concertos havia necessidade de ter uma gravação para mostrar. Algo físico que materializasse o Bicho e fizesse sentido no percurso da banda. É a edição de baixo custo de uma gravação caseira, muito em conformidade com a idiossincrasia do Bicho do Mato.

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Uma resposta a | BICHO DO MATO | “Nasceu o Rock alentejano”

  1. ana martins diz:

    muito bom srs bichos do mato! espero o melhor para o projecto!
    ana martins

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