| A JIGSAW | “Encaramos cada álbum como um livro”

Jorri e João Rui, dos A Jigsaw

Lançaram-se no projeto há pouco mais de 10 anos. Pediram o nome emprestado a uma música dos belgas dEUS. Em 2004, editaram o primeiro disco, o EP “From Underskin”. O crescimento, como assumem, foi sustentado e com os pés bem assentes no chão. No final de 2011 lançaram o terceiro álbum, “Druken Sailors & Happy Pirates”, e os elogios internacionais intensificaram-se. Em 2012, por exemplo, foram incluídos numa lista do jornal britânico The Guardian, onde são mensalmente destacados novos projetos de todo o planeta. E, em maio, viram o último disco ser editado na Alemanha. São habitualmente “arrumados” numa prateleira denominada Americana, mas nunca foram aos Estados Unidos, embora tenham também recebido uma distinção honrosa num concurso americano para escritores de canções onde Tom Waits fazia parte do júri. Andam à conquista da Europa e estão a deixar a bandeira “pirata” em muitas cidades do Velho Continente. No final de março, encontraram-se com o FrankMarques’blog para uma entrevista solicitada pela MUDA Magazine. A conversa com João Rui e Jorri – Susana Ribeiro esteve ausente – prolongou-se e este é o resultado integral desse encontro num miradouro de Lisboa com vista para o Barreiro.

Fotos: Pedro Almeida/ MUDA Magazine (salvo indicação em contrário)

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Página 2: O último álbum
Página 3: A evolução
Página 4: A relação com Coimbra
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FrankMarques – O primeiro single do vosso último álbum foi destacado em Março pelo jornal britânico The Guardian (Best Music from around the MAP – Map Alliance Pact). O que representa isso para vocês?
João Rui
– É bom. Mas o que nos sabe melhor, nas referências que nos fazem, é quando notamos ter havido uma preocupação de entender o nosso trabalho e ir um bocadinho mais fundo. Não ficarem apenas pelo “esta melodia parece-me engraçada, vamos falar disto”. Gostem ou não, mas que pelo menos haja esse trabalho para que se escreva com propriedade. Mas, naturalmente, sendo uma publicação tão reputada como é o Guardian, ou como foi o caso da [francesa] Les Inrockuptibles, melhor ainda.
Jorri – É sempre bom acordarmos um dia num hotel, em plena ‘tour’ por Espanha, e saber que fomos destaque no site de um jornal como o The Guardian. Foi uma boa surpresa. Nós nunca sabemos bem até onde a nossa música chega nem o interesse que as pessoas lhe dão ao ponto de a destacarem.

Têm ideia de como é que a música chegou ao The Guardian?
Jorri
– Temos assessoria de imprensa e provavelmente foi através deles.
João Rui – Mas é difícil saber. Na altura do “Like the wolf” (o 2.º álbum) também recebemos críticas de revistas de Espanha, Itália, Holanda e, inclusive, do Reino Unido para onde não tínhamos enviado nada. É como Jorri dizia: nunca sabemos quão longe a nossa música chega.

“The strangest friend”, dos A Jigsaw
(videoclip oficial do primeiro single de “Drunken sailors & happy pirates”, 2011)

O que fazem com esse destaque todo na imprensa internacional? Recortam os artigos e expõem-nos nalguma parede?
João Rui
– Nós já fazemos essa recolha há algum tempo. Faz parte do método que temos, não só enquanto músicos, mas por tudo o que rodeia a música. A maior parte das pessoas tem ideia que os músicos escrevem músicas, apresentam-nas e nada mais. Mas, no nosso caso, assumimos desde muito cedo a independência em quase tudo. Desde o “booking” ao agenciamento ou ao “management”. Tirando este ano com a assessoria de imprensa da Raquel Laíns. Fora isso, adoptamos nós próprios um método. Temos a nossa própria editora, a Rewind Music, em que nos editávamos a nós próprios. Mas essa recolha (dos artigos) era algo que já fazíamos. Tem que se fazer até para termos um caderno de imprensa. Não fazemos a recolha de artigos como uma pessoa que aparece ocasionalmente no jornal nem para mostramos onde já chegámos, mas sim de forma metódica. É uma das formas que temos continuamente de trabalhar porque acaba por ser um currículo vitae da banda.

E também porque já são muitos artigos, não é?
João Rui
– Sim, são muitos. Houve até uma altura em que íamos guardando tudo o que saía. Agora é uma recolha mais esporádica. Há semanas que sai tanta coisa que eu já nem sei bem o que recolhemos ou não.

Interesse luso cresceu com elogios estrangeiros

Que importância dão ao que escrevem na imprensa sobre os A Jigsaw?
João Rui
– Tem o seu interesse. Apesar de quando fazemos a música ser um processo em si algo solitário – fazemo-lo para nós e tem de ser a nós que temos de agradar quando a fazemos. Mas não podemos esquecer que a fazemos também para alguém. A música faz sentido se for ouvida por alguém. A imprensa acaba por ser a maior voz e representa um barómetro para percebermos como a nossa música está a ser ouvida. Em relação ao impacto que isso vai ter em nós, se vão falar bem ou mal – ainda que nunca tenha visto a falar mal (risos)… É bom ouvir as pessoas a falar bem a seguir aos concertos. Assim como as pessoas que estudam este tipo de coisas, a chamada imprensa especializada, que se informa primeiro e só depois escreve. É bom saber que o nosso trabalho mereceu essa atenção.

Sentem-se reconhecidos por essa imprensa especializada em Portugal?
João Rui
– As primeiras críticas aos nossos discos, que aprofundaram o nosso processo lírico, a conceptualidade dos discos e da forma como fazemos a música, curiosamente, começaram em Espanha, no Reino Unido, na Holanda e em França. Aí é que começaram a dar-nos reconhecimento. Em Portugal, vamos vendo agora cada vez mais coisas escritas.
Jorri – Coincidência ou não, começou a haver mais interesse sobre a nossa música a partir do “Like the wolf”, quando começámos a ir para fora, a tocar noutros países e a ter algum destaque na imprensa desses países. Notamos que nestes últimos 2 anos há mais interesse, há mais solicitações para entrevistas e para outro tipo de peças. E não só porque saiu mais um álbum.
João Rui – O Diogo Cão teve de ir dobrar um cabo e só depois quando voltou é que quiseram ir falar com ele. Suponho que seja algo histórico (risos).

“The strangest friend”, dos A Jigsaw
(Amostra promocional do CD-Single retirado de “Drunken sailors & happy pirates”, 2011)

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