| CARO EMERALD | A sensualidade do jazz pós-moderno

Caro emerald ao vivo em Lyon

Caro emerald ao vivo em Lyon

REPORTAGEM
Era um concerto há muito na lista dos desejados. Concretizou-se além fronteiras. Uma noite chuvosa em Lyon, França, tornou-se numa quente e animada sessão de cabaret pós-moderno. Aos 32 anos e grávida de poucos meses, a holandesa Caroline Esmeralda van der Leeuw ofereceu um delicioso e sensual espetáculo de jazz swingado e temperado com scratch, que serviu, sobretudo, para promover “The Shocking Miss Emerald”, o segundo e último álbum editado.

Estava marcado para as 20h. Apenas nos conseguíamos despachar às 19h30 e estávamos no outro lado da cidade de Lyon, que teríamos de cruzar em transportes públicos. Foi o que fizémos e em cerca de 40 minutos estávamos dentro do Le Transbordeur, um género de Santiago Alquimista da segunda maior cidade francesa. Estava em andamento, entrámos ào terceiro tema, contando com a “intro”. Apanhámos a “festa” ainda a aquecer. Bem a tempo, acrescente-se.

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De vestido negro e bem secundada por uma pequena orquestra de seis músicos mais ligados ao jazz, um Rocker e um DJ, Caro Emerald desfiou quase duas horas de música, não se furtando a olhar nos olhos de uma plateia rendida e bem informada ao que ia. A holandesa transparece boa disposição. De sorriso fácil e voz nada esforçada, ilustra da melhor forma o ritmo dançável que facilmente imaginamos ter sido o “ar” que deu vida aos cabarets de meados do século XX.

O concerto tinha por base o novo álbum, “The Shocking Miss Emerald”, lançado no início de maio e marcado por um ritmo mais lânguido que o registo de estreia, “Deleted Scenes From the Cutting Room Floor”, de 2010. Esse primeiro disco, aliás, seria revisitado pela primeira vez neste concerto apenas ao oitavo tema. “Back it up”, um dos temas mais fortes da discografia do projeto, chocou de frente com o rejubilo do público, que então se soltou definitivamente em comunhão com a cantora, que começou por colocar toda a gente a acompanha-la num grito em uníssono que viria a ser repetido ao longo e no fim do tema. Arrepiante.

Caro Emerald, ao vivo em Paris
(Imagens captadas no concerto da noite anterior ao de Lyon – publicado por actaria)

Depois de um instrumental que permite a Caro Emerald descansar um pouco e mudar de roupa, o regresso da voz fez-se em acústico, com o tema “Paris”, uma das várias homenagens da holandesa a um dos países que a inspira e que, nesta noite, a recebia de novo. Um regresso morno, mas confortável, retemperador, que voltaria a ser reanimado como novo salto ao disco de 2010 através da latina “Riviera Life.”

Dr. Wanna Do”, Caro Emerald ao vivo
(Captado ao vivo em 2010, no Festival de Jazz North Sea, em Roterdão – publicado por LiveFromHolland)


“Stuck” levou-nos até à primeira pausa do concerto. Podia parecer o fim, mas não. Nova quebra, com o regresso singelo de piano. Uma introdução para aquele que foi o primeiro single do novo álbum, “Tangled Up”, lançado no início do ano e um dos temas, claramente, preferidos da plateia. Miss Emerald aproveita para trocar olhares sedutores com alguns dos músicos que a acompanham, mas também desafiando o público, que a acompanha com palmas.

Parte da setlist de Lyon

Parte da setlist de Lyon

O tempo passa depressa e rapidamente, agora sim, o concerto está a ser encerrado com o irrepreensível e obrigatório “A Night Like This”. O ambiente está ao rubro. A banda despede-se, mas o público quer mais e o pedido encontra eco. O encore abre ao som da amante a quem foi prometido o futuro, mas que não passa da “The Other Woman”, num momento complementado com “That Man”, tema que nos conta a história de um homem que deixou a mulher pelo beicinho, mas que parece fazer-se difícil. O fim da atuação, quase duas horas depois do arranque, faz-se com uma versão franco-inglesa de “Ne Me Quitte Pas”, de Jacques Brel, uma música de separação, que marca, então sim, o fim de um concerto que deixou saudades e que se revelou um daqueles que poderia continuar noite dentro. A ver se os promotores portugueses despertam para este jazz provocador e pós-moderno de Caro Emerald.

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