| the JULIE RUIN | O regresso da Beastie Girl aos discos

Kathleen Hanna está de volta

Kathleen Hanna está de volta

Kathleen Hanna prepara-se para lançar, a 3 de setembro, o mais recente capítulo de uma carreira com quase um quarto de século e que, sobretudo através das Bikini Kill, ficará para sempre ligada ao movimento “Riot Grrrl”. “Oh Come On” é o primeiro avanço para “Run Fast”, álbum que surge em forma de troféu na vida da mulher que um dia casou com Adam Horovitz, o Ad-Rock dos Beastie Boys, e que há vários anos luta contra a Doença de Lyme. Uma luta que lhe custou a continuidade à frente dos Le Tigre, mas que a ensinou que o futuro é… agora. E agora ainda há muito por fazer. Por ela e pelas mulheres.

A doença travou Hanna

A doença travou Hanna

Tudo começou quando Kathleen Hanna começou a ter recorrentes infeções respiratórias de três em três semanas, lê-se na revista Spin. De início, os médicos diagnosticavam-lhe doenças de relativa banais como bronquite, sinusite ou pneumonia ligeira. “Eu percorria os sites de medicina na Internet a tentar perceber o que se passava. Ia a consultas de especialistas e chegaram a dizer-me que poderia ser Doença de Crohn, esclerose múltipla ou talvez estivesse a desenvolver sintomas de lupus”, conta a própria Kathleen Hanna, recordando “um dia” em que procurou o conforto de “uma parede na rua para chorar” porque lhe haviam dito que “sofria de artrite degenerativa”: “Nem conseguia andar e essa foi uma das razões que os levaram a desconfiar de esclerose múltipla, o facto de eu caminhar de forma estranha e falar por vezes como se estivesse bêbada.”

“Rebel Girl”, Bikini Kill
(Tema do álbum “Yeah Yeah Yeah Yeah”, 1993)

A Doença de Lyme foi o verdadeiro problema que esteve por trás da saída de Kathleen, em 2005, dos Le Tigre, a banda de Eletro Rock que criou um ano após “matar” as Bikini Kill. É também, as revelações do complicado processo de descoberta do problema e da luta pela recuperação, a parte mais delicada de um filme documentário intitulado “The Punk Singer”, que estreou em março deste ano no Festival South by Southwest, nos Estados Unidos, e que conta a história de uma das vozes mais emblemáticas na luta pelos Direitos das Mulheres, apontada como a fundadora da terceira vaga do feminismo e do movimento Riot Grrrl. “The Punk Singer” tem por base duas décadas de imagens de arquivo e um olhar recente mais intímo pela lente do marido Adam Horowitz.

Ad-Rock (Beastie Boys) e Kathleen Hanna

Ad-Rock (Beastie Boys) e Kathleen Hanna

Kathleen Hanna tem 44 anos. Há cerca de 16 começou a namorar com o “beastie” Adam Horovitz, com quem casou em 2006 e partilha um interessante blog em enaltecem também a memória de Adam “MCA” Yauch (Hanna Horovitz). Foi pela altura do início do namoro que Hanna pôs um ponto final na carreira das Bikini Kill, o projeto que havia formado em outubro de 1990, para o qual escreveu o icónico “Rebel Girl” e para o qual estava a esgotar-se em busca de um novo “hit” que elevasse uma vez mais o grito feminista. Cansou-se de perseguir a música que todos esperavam que voltasse a fazer, lançou um álbum a solo sob o nome Julie Ruin e depois criou as Eletro Rockers Le Tigre. Kathleen continuou a gritar bem alto pelos direitos das mulheres e agora com a ajuda mediática dos Beastie Boys. Em 2005, não aguentou mais. A saúde não lhe permitia e os médicos não conseguiam identificar a causa dos recorrentes problemas. Tinha de parar. Pararam os Le Tigre.

“T. K. O.”, Le Tigre
(segundo single do segundo álbum “This Island”, 2004)

The Julie Ruin: Carmine Covelli, Sara Landeau, Kathleen Hanna e Kathi  Wilcox

The Julie Ruin: Carmine Covelli, Sara Landeau, Kathleen Hanna e Kathi Wilcox

Em 2010, Kathleen Hanna regressou em força à música. Voltou a juntar-se a Kathi Wilcox, baixista dos Bikini Kill, e concretizou os The Julie Ruin, projeto de que havia feito um esboço a solo em 1998. O primeiro tema deste novo grupo chamou-se “Girls Like Us”, foi inspirado no livro “Real Man Adventures”, de T. Cooper, e foi incluído numa compilação de músicas que o autor do livro disponibilizou numa edição especial do livro.OS The Julie Ruin, entretanto, gravaram cerca de duas dezenas de temas para o álbum de estreia. Num deles, “Just my Kind”, já se sabe, surge uma colaboração com James Murphy, dos LCD Soundsystem. O primeiro single, já o referimos, foi “Oh Come On”, e recentemente foi divulgado mais um tema de “Run Fast” – chama-se “Ha Ha Ha”.

“Ha Ha Ha”, The Julie Ruin
(segundo avanço para Run Fast”, 2013)

Kathleen Hanna é, como seria de esperar, uma das vozes de maior apoio das Pussy Riot, grupo Rock russo 100 por cento feminino, que tem parte dos membros na prisão por se terem alegadamente excedido nos protestos pela liberdade de expressão no país. Ativista pelos direitos das mulheres, não baixa guarda. O novo disco das The Julie Ruin promete. Cuidado: A Beastie Grrrl está de volta.

“Girls Like Us”, The Julie Ruin feat Vaginal Davis
(Tema de 2012 inspirado no livro “Real Man Adventures”, de T. Cooper)

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