| the DOORS | Portas da criatividade fecharam-se de vez

Jim Morrison e Ray Manzarek juntos de novo

Jim Morrison e Ray Manzarek juntos de novo

Quase 40 anos depois da separação, a dupla fundadora e metade criativa dos The Doors voltou a reunir-se. Agora, para lá das portas da percepção. E da vida. Ray Manzarek morreu esta segunda-feira vítima da muitas vezes ingrata luta contra um cancro. Tinha 74 anos. “Não havia outro teclista no planeta mais apropriado para dar força às palavras de Jim Morrison”, disse o baterista John Densmore, pelo Twitter, na hora da despedida.

É um dos raros exemplos de sucesso no que toca a casamentos no seio do Rock’n’Roll. Ray Manzarek colocou o anel no dedo de Dorothy Fujikawa a 21 de dezembro de 1967. Tiveram um filho e três netos. 45 anos depois, Dorothy esteve ao lado de Ray quando o músico se despediu desta vida e foi para junto de Jim Morrison, o amigo de quem se havia separado pela via da morte a 3 de julho de 1971. A metade criativa dos The Doors volta a juntar-se para lá das portas da percepção, a expressão que deu nome ao projeto que ambos criaram em 1965 e que, em apenas sete anos, se viria a tornar num dos maiores mitos do Rock.

O estilo particular de Manzarek

O estilo particular de Manzarek

Ray Manzarek lutava há algum tempo contra um carcinoma, um cancro na visícula biliar ou bilís. Recorreu à experiência e conhecimento dos médicos de uma clínica em Rosenheim, na Alemanha. Não resistiu. O mundo ficou mais pobre. O Rock chorou. Fica a música. Como a versão de “(You need meat) Don’t go no further”, original de Willie Dixon e cantada pelo próprio Manzarek, que foi incluída como lado B no single de “Love her madly”, lançado cerca de 3 meses antes de Jim Morrison ter sido encontrado morto em Paris.

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A história de um mito
Ray e Jim foram colegas de faculdade. Reencontraram-se já depois dos respetivos cursos e, impulsionados por algumas músicas escritas entretanto por Morrison, em julho de 1965 formaram os The Doors, em Los Angeles. O nome foi inspirado pelo livro “As portas da percepção”, de Aldous Huxley. John Densmore juntou-se em agosto. Dois irmãos de Manzarek completavam o projeto, mas não duraram. Entrou o guitarrista Robby Krieger. Setembro de 1965 viu nascer a primeira gravação do grupo. Em 66, depois de conquistarem a plateia do mítico bar Whiskey a Go Go, assinaram pela Elektra. Gravaram o primeiro álbum no verão e lançaram-no no início de 1967.

Densmore, Krieger, Manzarek e Morrison

Densmore, Krieger, Manzarek e Morrison

Pouco mais de quatro anos volvidos, os The Doors editaram o sexto e último álbum com Jim Morrison em estúdio: “LA Woman”. O vocalista mudou-se para França e foi em Paris, após o que se presume ter sido mais uma das muitas noites de excessos, que Morrison foi encontrado morto a 3 de julho. Os 3 sobreviventes dos The Doors tentaram dar continuidade ao projeto, mas o fantasma de Jim era muito forte. Lançaram dois discos, mas resistiram apenas até 1973. Cada um seguiu o seu caminho, sem nunca se libertarem da sombra dos Doors. Manzarek ainda se lançou a solo e ntre 73 e 2011 assinou em nome próprio (e às vezes ao lado de outros músicos) 6 discos.

A capa do álbum de estreia

A capa do álbum de estreia

Há 20 anos, os The Doors entraram para o Rock and Roll Hall of Fame e na cerimónia interpretaram 3 músicas com Eddie Vedder, o vocalista da então banda revelação Pearl Jam a fazer a vez de Jim Morrison. Em 2000, o grupo reuniu-se uma vez mais e com a ajuda de vários vocalistas convidados – entre eles, Ians Astbury, dos The Cult, e Scott Weilland, dos Stone Temple Pilots, e Perry Farrel, dos Jane’s Addiction – gravaram um episódio para o programa “Storytellers”, do canal televisivo VH1. Por arrasto, o trio sobrevivente dos The Doors gravou mais um disco e incluiu alguns temas novos que ficariam creditados ao grupo.

Em 2002, Ray Manzarek e Robby Krieger deram corpo a uma nova formação do grupo, a que deram o nome de The Doors of the 21st century. Batalhas legais com o baterista John Densmore obrigaram a retirar do nome em certas ocasiões a referência aos Doors. Esse projeto, que contou de início com o vocalista dos The Cult, passou algumas vezes por Portugal, a última delas na edição 2008 do Festival Marés Vivas e com Bret Scollin, dos The Fuel, como “Jim Morrison”. Agora… o órgão dos Doors calou-se de vez. “Sinto-me feliz por ter tocado com ele a música dos Doors na última década. O Ray foi uma grande parte da minha vida e irei sentir a sua falta para sempre”, disse o guitarrista Robby Krieger, em comunicado.

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