| the FALL | Digressão do 30.º álbum passa pelo Barreiro

Vocalista anuncia concerto em Portugal

Vocalista anuncia concerto em Portugal

13 de maio de 2013 marcou o lançamento do 30.º álbum oriunda da industrial Manchester de 1976. 37 anos depois, mais coisda menos coisda, a 12 de outubro próximo, o grupo liderado por Mark Edward Smith apresenta-se ao vivo pela primeira vez numa das cidade de traços industriais mais marcados neste país à beira mar plantado.
São os 10 anos do Out.Fest.

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“Chino”, The Fall
(concerto, na -Escócia, dias antes do lançamento do novo álbum, “Re-Mit”)

Mark é a voz dos The Fall há 35 anos[/caption]Os “trintões” The Fall, do cinquentenário Mark E. Smith, são os cabeças de cartaz da décima edição do Out.Fest, Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, um evento que nasceu em 2004 na margem certa do Tejo e que tem vindo a crescer com os pés bem assentes no chão e um “apoio protocolado”, como assumem, com a Câmara Municipal do Barreiro. A notícia da vinda dos britânicos a Portugal foi avançada de surpresa pelo próprio vocalista e grande mentor do projeto de Manchester, no decorrer de uma entrevista à revista portuguesa Blitz.

Mark é a voz dos The Fall há 35 anos

Mark é a voz dos The Fall há 35 anos

Os The Fall acabam de lançar um novo álbum, “Re-Mit”, o 30.º da carreira e numa entrevista à revista portuguesa Blitz o vocalista Mark Edward Smith – Mark E. Smith, para os jornalistas – antecipou o anúncio oficial do regreso do grupo a Portugal. “Acabámos de receber a confirmação há poucos dias. Vai ser no… Barreiro”, terá dito Mark E. Smith à Blitz quando, ao que parece, foi questionado sobre o regresso dos The Fall a Portugal. O músico, casado há 12 anos com a teclista do grupo, Elena Poulou, garantiu que dá “sempre o máximo em palco” – “não sei fazer as coisas de outra maneira”, acrecentou -, reforçando a expetativa de um concerto intenso, a 12 de outubro, na margem sul do Tejo.

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“The Hittite man”, The Fall (versão Record Store Day)
(Tema do álbum “Re-mit”, 2013, com edição especial no último Record Store Day)

Na última sexta-feira (17 de maio), entretanto, a organização do Out.Fest – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, a reboque da antecipação de Mark E. Smith, confirmou a presença dos The Fall no cartaz da 10.ª edição do evento barreirense. “Mais novidades muito em breve”, rematam os responsáveis da Associação Cultural OUT.RA, que organiza o Out.Fest desde 2004.

The Fall mantém a mesma formação desde há 3 álbuns

The Fall mantém a mesma formação desde há 3 álbuns

O novo álbum

Mark E. Smith e a mulher, Elena Poulou

Mark E. Smith na primeira pessoa

A entrevista de Mark E. Smith à Blitz é publicada na próxima edição da revista, que sai para as bancas na última sexta-feira do mês (31 de maio). O músico, que prefere intitular-se como “escritor”, tem-se desdobrado em conversas com jornalistas nas últimas semanas. Uma delas foi com Tim Cumming, do britânico The Independent, a quem terá começado por confessar, a propósito do processo de gravação de “Re-Mit”, que “é cada vez mais difícil [gravar] quanta mais tecnologia houver no estúdio”. “O nosso som está mais duro e limpo. Em termos vocais, é o mais forte e detalhado que fizemos desde há vários anos”, garantiu o líder dos The Fall, 56 anos celebrados a 5 de março. Rebelde, como sempre se mostrou, Mark aponta o dedo ao atual estado da indústria da música: “Quando eu gravo uma letra como a de ‘No respects Rev’ [n.: tema do novo disco], é deliberado. Quero deixa-la como ficou, mas aparece sempre um ‘cara de caralho’ de um produtor a dizer: ‘Ok, mas podemos gravar isto com uma voz decente?’ ‘Isto é uma voz decente’. Eles pensam que estamos bêbados ou algo assim.”

O quinteto de Manchester

O quinteto de Manchester

“Seja Pop, seja Rock, é tudo miserável nos dias que correm. Todas as pessoas que encontro dizem-me isso. Tudo que oiço é que é tudo merda. Seja de pessoas com mais idade, seja de jovens ou até mesmo de motoristas de taxis. Não há nada [na música atual]”, protestou Mark E. Smith, recordando as entregas de prémios a que vai e se senta, por exemplo, ao lado dos The Killers: “Será que estou no comboio correto? A sério! Sempre a falarem de negócios. E estar com os Mumford & Sons é como estar sentado ao lado da Ernst & Young [n.: uma das mais consultoras do Mundo].”

Ao falar sobre “Sir William Wray”, um dos novos temas de “Re-Mit que teve direito a edição especial para o Record Store Day deste ano, o líder dos The Fall revela que “a ideia era fazer uma canção que fosse antimúsica”. “As rimas não estão lá. O gajo que está a fazer a mistura dos temas perguntou-me: ‘Queres mesmo que fique assim, Mark?’ ao que respondi: ‘Claro. Deixa como está’. São os ossos do tema, sem letra, apenas os resquícios. Enfiem isto no cú, X-Factor [n.: programa televisivo de talentos de Karaoke]. Antimúsica”, reforçou.

Mark E. Smith na primeira pessoa

Mark E. Smith na primeira pessoa

“Hittite man”, por exemplo, termina com uma pessoa a ter um ataque respiratório, como se quisesse tossir e não conseguisse. Foi o próprio Mark. “Apanhei uma infeção pulmonar muito grave e achei que aquilo servia ali muito bem”, explicou. “No respects Rev”, segundo se percebe, foi o resultado de um projeto de criar uma m´suica para a banda sonora da trilogia cinematográfica “Twillight”. “O nosso agente conseguiu um negócio com os produtores do filme: Eles diziam que nos pagavam 50 mil dólares por uma canção. E eu respondi: ‘Vamos dar-lhe algum horror…’. Mas eles nada sabem de horror, pois não? Pode assustar as crianças. É assustador, não é?”, questiona de volta Mark E. Smith. A verdade é que a música não surgiu mesmo na banda sonora de qualquer um dos filmes da trilogia e agora revela ser uma das melhores de “Re-Mit”. “Cumpri o meu contrato com Satanás”, rematou o músico sobre o tema, acusando os produtores de que “se eles fossem bons teriam aproveitado a música”, mas, “para eles, horror é apenas um rapaz a correr pela floresta com os olhos a brilhar” – “O Orson Welles teria aproveitado a música”, garantiu.

“Re-Mit” foi lançado a 13 de maio deste ano. Como diria Cavaco Silva, terá sido inspirado, à imagem da 7.ª avaliação das contas de Portugal pela Troika, pela Nossa Senhora, por quem muitos esfolavam os joelhos neste mesmo dia em Fátima. O disco – para não nos dispersarmos – é o 30.º da carreira dos The Fall e o responsável pela digressão que está já em curso e que em outubro chega a Portugal. Para já, com um único concerto no Barreiro.

À data que escrevemos, o último concerto dos The Fall aconteceu nmo Clapham Grand, em Londres, e este foi o alinhamento das músicas tocadas:
1. Victrola Time
2. Hot Cake
3. Strychnine
4. Sir William Wray
5. Chino
6. Kinder of Spine
7. I’ve Been Duped
8. No Respects rev.
9. Hittite Man
10. Bury! 2+ 4 Pts
11. Loadstones
12. Jetplane
Encore:
13. Theme From Sparta F.C.

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