| BICHO DO MATO | O Rock alentejano ao vivo no Barreiro

Os Bicho do Mato no Casa Velha Pub

Os Bicho do Mato no Casa Velha Pub

REPORTAGEM |
Um ano depois da entrevista exclusiva ao FrankMarques’blog, o quarteto de Évora apresentou-se no Barreiro. Um concerto no Casa Velha Pub e que confirmou as boas expetativas que existiam sobre o grupo. Foi um belo concerto de Rock de raízes tradicionais e espírito inconformado, com boa disposição contagiante e algum psicadelismo à mistura.

Fotogaleria

Este slideshow necessita de JavaScript.

Era um dos concertos mais desejados e esperados por estes lados. Especialmente depois da entrevista que nos concederam em exclusivo em abril do ano passado. Finalmente aconteceu a 3 de maio e valeu muito bem a espera. Os Bicho do Mato, um quarteto de Évora que anda a inventar o Rock alentejano desde 2011, estrearam-se finalmente no Barreiro. Com a cerveja em alta rotação, desfilaram pelo Casa Velha Pub os rabiscos daquele que será em breve o álbum de estreia do grupo. No cardápio, aquilo a que podemos chamar “histórias da floresta verde” (referência que fará alguma luz na mente da geração de 70) e que mais não são do que “vidas” de bichos cantadas, gritadas e sussurradas, sempre com uma referência sócio-política que se pode associar ao pior de todos os animais: o homem. Falou-se de vacas sagradas, toupeiras, galinhas de ovos d’ouro, javalis, aranhas, patos e até de escorpiões. Tudo bem temperado com guitarras várias e uma bateria sobre a qual se lia o aviso “Cuidado com o cão”.

Daniel Meliço na bateria

Daniel Meliço na bateria

Marcado para as 22h, mais uma vez se confirmou que o público português está a ficar mal habituado em relação a estes eventos de salas pequenas. O arranque deu-se já depois da meia-noite com a casa ainda a meio gás. Um instrumental, com guitarras repletas de efeitos e a introduzir da melhor forma o que ali vinha. O temas “48” e “Vaca sagrada” deram o mote e a reação do público não demorou a ir de encontro às melhores expetativas que haviam sobre o concerto. Bem dispostos, as quatro “patas” do Bicho do Mato revelaram companheirismo e excelente sintonia, não se mostrando em nada condicionados pelas limitações sonoras da sala que, horas antes, lhes haviam provocado algumas dores de cabeça durante o “check sound”.

Daniel Catarino foi o cícerone dos Bicho do MatoAo quarto tema, Daniel Catarino, o vocalista, membro dos Uaninauei e único membro do grupo a ter página própria na Wikipédia – é obra! -, apresentou “Pato psicopata” como “a história de um pato assassino que um dia virou maricas”. E, de facto, cantou-se a perseguição de um pato que queria matar uma pata, embora sem referências a qualquer arco-íris. A conversa entre Catarino e o público foi uma constante durante o concerto. No outro extremo do improvisado palco, Zé Peps e Tó Zé Bexiga, trocavam sorrisos, encostos e piadas entre eles. De quando em vez, Tó Zé, o “mestre” da Viola Campaniça e também membros dos Uxu Kalhus, lembrava-se de agradecer a Nélson Tanganho, um dos gerentes do bar que os recebeu. Peps, também membro dos Pucarinho, ia alternando entre as várias guitarras com que se fez acompanhar até ao Barreiro, qual estrela de Rock setubalense à conquista de Évora . Na bateria, Daniel Meliço, que também alinha pelos Bandex, fazia a ponte rítmica entre os pólos (o esquerdo e o direito), juntando o som das guitarras ao abanar de cabeça e pezinho que se via entre o público que se foi aglomerando, com naturalidade, no Casa velha Pub.

A setlist no Barreiro

A setlist no Barreiro

Pelo meio do concerto, houve, inclusive, um momento para lembrar Jeff Hanneman, o guitarrista dos Slayer que havia morrido na véspera aos 49 anos. Daniel Catarino havia prometido antes do concerto que o iria fazer e cumpriu. As restantes patas do Bicho respeitaram o momento e aproveitaram para pedir mais uma cerveja e repetir o agradecimento a Nelson Tanganho com um gesto como que a dizer “estás aqui no peito”. Um gesto tantas vezes repetido ao longo da noite. O concerto dos Bicho do Mato prosseguiu com “Os ossos no Portão da Cova do Cão”. Estávamos a meio do espetáculo e com o público presente rendido. “Nós somos bué alternativos”, disse às tantas Daniel Catarino, na introdução àquela que descreveu como “a música mais estranha” que o grupo havia feito. E surgiu “A raposa matreira”. Ao longo de quase hora e meia – encore incluído – ouviu-se no Casa Velha Pub algum do melhor Rock português da atualidade: letras bem medidas, histórias com princípio-meio-fim e música de arragalar os ouvidos a qualquer bom apreciador de guitarras.

Zé Peps e Tó Zé

Zé Peps e Tó Zé

O ponto final no concerto foi colocado sobre as 01h30 da madrugada e chegou após uma progressiva música de quase 20 minutos que incluiu pelo meio parte da “Vaca sagrada” nos trouxe à memória o termo “ataques ninja”, expressão com que os Bicho do Matos batizaram as “jam sessions” inesperadas de onde nasceu o grupo e pelas quais se desenvolveu até chegar ao projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, que está na génese da junção destas quatro “patas” num mesmo bicho de diferentes influências. Foi um concerto de Rock, com ascendência na chamada música mais tradicional e descendência, por vezes, nalgum psicadelismo. Sempre em bom português e sem lamechices. Os Bicho do Mato vão andar por aí em concertos e nós, por cá, estaremos à espera desse primeiro álbum do qual, pelo que se percebeu nesta noite, já ficou uma boa série de cópias por vender.

Esta entrada foi publicada em Concertos: Reportagem, Música com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s