| THEE EVILTONES | O beat macabro que assaltou o Montijo

Rock'n'Roll no Montijo

Rock’n’Roll no Montijo

São quatro e entre eles há um guitarrista português “undercover” que de vez em quando falou na língua de Camões. Estão prestes a lançar o segundo álbum da carreira e vieram apresenta-lo a Portugal. No segundo de nove concertos de uma digressão de dez dias pelo nosso país à beira mar plantado, o projeto de Nottingham mostrou coesão, bons riffs, excelente atitude e qualidade a exigir mais público do que o presente no Timilia das Meias, no centro do Montijo. O novo disco promete. Foi dele, de “Beat Macabre”, uma boa parte do alinhamento deste concerto. Mas houve espaço para percorrer toda a carreira de seis anos do projeto. E ainda uma festiva “cover” sacada aos The Trashmen.

Estava marcado para as 23h45. Chegámos um pouco mais cedo. Sem saber onde ficava o Timilia das Meias e confrontados com uma barreira policial no centro do Montijo, arriscámos perguntar a um agente de autoridade pelo bar. Amável, indicou-nos o caminho e ainda sugeriu onde estacionar. Com essa preciosa ajuda, entrámos no Timilia pouco passava das 23h. Não sabíamos que era de entrada livre como se verificou. Estranhámos. Até porque não estava muita gente. O espaço é amplo, com um pé alto generoso e uma decoração bem Rock’n’Roll, polvilhada maioritariamente pelos cartazes dos concertos que por ali se têm sucedido. Entre eles, um de Fast Eddie Nelson, no fundo do palco. As pessoas foram chegando. Uns entravam e saíam. De cerveja na mão. Voltavam. Reabasteciam. No ambiente sonoro do espaço, uma playlist bem escolhida “escorria” pelas colunas num volume que permitia manter conversas ao balcão ou nas mesas ocupadas.

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Foi já depois da meia noite, finda a sexta-feira santa, que os Thee Eviltones tomaram conta do palco. Arrancaram do fundo do baú, onde recuperaram “Swallow you whole”, lado B do single de estreia, “Telekinetic”, de 2009. Era o início de um exorcismo que prometeram diabólico, mas que se revelou bem mais luminoso, pela positiva. O aparentemente “invertebrado” Jim Vincible, o vocalista – homem de parcas palavras, mas de sorriso fácil, escondido atrás de uns “dark shades” -, ensaiava os passos de dança que a banda não se cansou de repetir querer ver refletidos no público. Não tiveram muita sorte. Tirando um pequenos grupo de 4 ou 5 pessoas bem na boca de palco, poucos fizeram mais do que abanar a cabeça e bater o pé no chão. Não é que o concerto não pedisse mais, foi talvez por a sala não estar lotada e haver muito espaço inibidor entre os presentes.

O strip tease de Madmanroll

O strip tease de Madmanroll

Na guitarra, aos poucos, foi-se soltando o português do grupo. Madmanroll é um dos criativos dos Thee Eviltones. Proprietário de um estúdio de gravação em Nottingham, revelou ser pessoa mais batida nos meandros do Rock’n’Roll. Especialmente pela forma como parecia provocar e desafiar o público a entrar na ginga do “beat” macabro do grupo. “Beat macabre” é, aliás, o nome do segundo álbum do projeto de Nottingham. Um disco, tal como os anteriores (o single “Telekinetic”, de 2009, e “In the shadows of the beast”, de 2011), gravado no estúdio de Madmanroll, com data de lançamento prevista para algures em maio e que serve de prato principal para a presente digressão dos Thee Eviltones por Portugal.

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A Setlist do Montijo

A Setlist do Montijo

Depois de um primeiro concerto em Portalegre, o grupo apresentou-se no Montijo com a lição bem estudada. Da setlist que colocaram no palco, confirmaram-nos no fim que não foi bem aquela a linha seguida: “Mudámos uma ou duas”. Em pouco mais de uma hora de concerto, os Thee Eviltones acrescentaram ainda um encore de dois temas não previstos. Um extra especial que serviu para premiar a ponta final de um concerto onde os riffs de garagem dominaram, recuperando um género criado na década de 60, com expoente máximo, porventura, na música que os Rolling Stones começaram por fazer. E tal como os Stones, os Eviltones também gostam de fazer “covers”. E foi, curiosamente, com uma versão de “Paint it black”, tema escrito a “mielas” entre Mick Jagger e Keith Richards para o álbum de 1966 dos Rolling Stones, “Aftermath”, que o quarteto de Nottingham iniciou a sequência final prevista na “setlist” do Montijo. O público reagiu, com agrado. Muito agrado. E mais ainda quando fecharam o “set” com outra versão bem conhecida: “Surfin’ bird”, dos The Trashmen (1963) – no original uma combinação de dois temas dos The Rivingtons: “Papa oom mow mow” (1962) e “The Bird’s the word” (1963).

A dança de Jim Vincible

A dança de Jim Vincible

O ponto de partida do concerto, como já referimos, deu-se com “Swallow you whole”, de onde os “tons maléficos” saltaram para o primeiro álbum “In the shadow of the beast” (2011). Seguiu-se o tema (“Just tell her”) com que contribuíram em 2012 para a futura banda sonora de um futuro filme espanhol e juntaram “Murder in the dark”, que entrou na compilação dos 15 anos do programa de rádio Indiegente, da portuguesa Antena 3. Voltaram ainda ao álbum de estreia antes de mostraram, finalmente, o que aí vem em maio: “Beat macabre”.

O som revelou-se limpo, alto, mas sem passar para o lado do ruído. A atitude da banda foi generosa, dedicada. O público nem tanto – salvo algumas exceções. Ainda assim, os Thee Eviltones aceitaram voltar para um primeiro encore, no qual recuperaram “Feel the fear”, do primeiro álbum, e que dedicaram ao amigo Luís “Creepy Psycho” Furtado, que lhes tomou conta da banca de “merchadising”. Por fim, acederam a mais dois temas extra para fechar de vez o concerto. Um bom concerto. O segundo da digressão de dez dias e nove “gigs” por Portugal, que os levaria a Leiria na noite seguinte deste concerto no Montijo. Esta terça-feira, os Thee Eviltones voltam aos palcos lusos em Lisboa, no Roterdão, Cais do Sodré. Seguem-se Vila Real (ABC Cultura, quarta-feira), Coimbra (Popfresh, quinta), Viseu (Estudantino, sexta), Gaia (FNAC Gaiashopping, sábado à tarde) e o adeus, sábado à noite, no Armazém do Chá, no Porto.

É um concerto altamente recomendado a quem gosta de genuíno Rock’n’Roll.

O encontro "after show" para a posteridade

O encontro “after show” para a posteridade

Mais informação:
A entrevista exclusiva de antecipação ao concerto
O site oficial dos Thee Eviltones

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5 respostas a | THEE EVILTONES | O beat macabro que assaltou o Montijo

  1. sonia paredes diz:

    paços de dança ou passos de dança?

  2. Vi-os em Portalegre. Foi giro embora não seja uma coisa que me apeteça ouvir em repeat.

    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

    • Percebo-te. Por estes dias não há muita coisa, confesso, que oiça em repeat. Felizmente tenho-me cruzado com muita coisa gira e algumas muito boas. Achei, ainda assim, este um concerto bem esgalhado e daqueles pelo qual não me importaria de pagar bilhete.

      Obrigado pela visita, Pedro, e pelo feed-back

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