| FAST EDDIE NELSON with PHIL D. | Blues no reino do Jazz

Fast Eddie destila Blues no Be Jazz

\\ REPORTAGEM
O segundo concerto de apresentação de “Nuff said!”, o novo disco do autor de “Riverman”, aconteceu sábado, 28, no Barreiro. Foram mais de 2 horas de música numa sala que se revelou limitada para o novo Blues Rock de Fast Eddie, por estes dias acompanhado à bateria por Phil D. E, nestes primeiros concertos, com o convidado especial El Pavoni em palco. Só faltou mesmo a edição física do novo vinil, que ainda não estava pronto. Mas fica para a memória mais um belo concerto deste guitarrista barreirense de unhas e língua afiadas que os “iluminados” da música em Portugal continuam estranhamente a ignorar.

“That moonshine”, Fast Ediie Nelson with Phil D.
(“Nuff said!”, edição Raging Planet e Vinil Experience, 2012)

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Entrevista sobre “Nuff said!”
Rodelas de plástico: “Riverman”, Fast Eddie Nelson
Rodelas de plástico: “Bovine intervention”, Fast Eddie & the Riverside Monkeys
Planeta FrankMarques #55
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Estava marcado para as 23 horas. Arrancou mais perto da meia-noite. O Be Jazz Café, no centro do Barreiro, foi o local escolhido por Fast Eddie Nelson para apresentar na cidade natal “Nuff said!”, o novo disco em nome próprio e no qual, desta feita, partilha os créditos com o baterista Phil D. Numa sala repleta de cadeiras e mesas – quase todas reservadas por antecipação, sublinhe-se -, foi já com a casa à pinha que Fast Eddie surgiu em palco de guitarra em punho. Sozinho, com o já habitual boné da cervejaria Avis de Rio Maior, Nelson lançou de forma instrumental (“Driftwood”) o segundo concerto da presente digressão (o primeiro havia sido uma semana antes, em Setúbal).

Phil D. marca o ritmo para Fast Eddie

“Carry me home”, um dos temas de “Riverman”, o primeiro disco, lançou Phil D. em palco faltavam 10 minutos para a meia noite. O público gostou do arranque e aplaudiu. Surgiu pouco depois em palco El Pavoni, convidado especial que Fast Eddie tem feito questão de ter a seu lado ao vivo. Com o baixo e a harmónica somados ao constante movimento gingão, El Pavoni deu ainda mais animação ao tom festivo que Fast Eddie promete com o novo disco (ler entrevista ao Frank Marques’blog). “That moonshine”, que apresentámos em exclusivo na abertura da 55.ª edição do Planeta FrankMarques, provou que o público está atento às novidades da carreira de Fast Eddie Nelson. Boa parte dos presentes já conhecia a letra e, embora poucos estivessem de pé, mesmo os que estavam sentados abanavam o pézinho e a cabeça, sem se afastarem muito dos copos e garrafas que repousavam nas mesas.

El Pavoni (ao fundo) com Fast Eddie Nelson

O Be Jazz Caffé, como o nome indica, é uma sala habituada a espetáculos eruditos. O som claro dos instrumentos refletiam a acústica do espaço: um prédio antigo de paredes grossas. A voz, por outro lado, um dos pontos fortes do Blues “alcoolizado” de Fast Eddie, não esteve tão afinada. Soava de certa forma abafada pelos instrumentos e muitas palavras, cantadas ou faladas, perdiam-se entre emissor e receptores. Já havia sido uma dor de cabeça, ao que soubemos, no teste de som. Mais de 1 hora à volta dos botões que equilibravam o micro não ajudou.

“Get outta bed” é mais um dos temas do novo disco de Fast Eddie Nelson. E é também mais uma prova do ambiente festivo que o compõe. A presença da bateria e do baixo dão, de facto, força aos “riffs” do virtuoso guitarrista. Uma orgânica que já conhecíamos dos tempos dos Riverside Monkeys. Seguiu-se uma das habituais versões nos concertos de Fast Eddie Nelson: “Midnight special”, de Lead Belly, um Bluesman do Lousianna nascido ainda no século XIX. Fast Eddie dá ao tema um fulgor ainda maior do que se sente no original e torna-o facilmente num dos momentos memoráveis dos seus concertos. Mais à frente haveria ainda espaço para revisitar o espólio dos Beatles (“Come together”), de Rory Gallagher (“Bullfrog blues”) ou do também já inevitável Muddy Waters (“Mojo workin”).

Mike Styles (à esq.) tocou com Fast Eddie e Phil D.

“The innocent”, provavelmente o tema mais forte de “Riverman”, abriu espaço para um pequeno intervalo e para mais uma dose de rum velho. Dez minutos volvidos, altura para o que habitualmente seria o projeto de aquecimento, mas que aqui transfigurou esse conceito para uma atuação intermédia. Mike Styles apresentou 2 temas e reforçou uma vez mais a colagem vocal ao ícone Bob Dylan, de quem interpretou logo a abrir “The times are a-changing”, uma música bem atual, mas que está perto de fazer meio século. Depois, Fast Eddie e Phil D. juntaram-se em palco ao jovem Styles para o segundo tema.

No regresso ao microfone, Fast Eddie anunciou a ida ao baú para sacar algumas músicas mais antigas, que havia feito para outros projetos. Recordaram-se os tempos dos já referidos Riverside Monkeys. “The believer” e o assombroso “Baptize me in wine” não deixam ninguém indiferente. Nunca. “Voodoo Queenie” mantém a temperatura elevada. E assim continua o serão até à despedida, que se faz com mais alguns convidados em palco. Estes de improviso. Alguns dos membros dos The Hollygators ajudam Fast Eddie Nelson no refrão do já citado “Mojo workin”. Foi o final algo confuso, mas em grande festa, daquele que é, aos nossos olhos, o concerto mais longo que vimos a Fast Eddie Nelson.

The Hollygators em palco para "Mojo workin'"

Eram 02h e meia da manhã. A adrenalina pedia um prolongamento da madrugada noutro lado qualquer. Mas não. Acabámos mesmo por ali. Com a certeza de esta ter sido uma bela noite para deixar o sofá e enfrentar a chuva de abril. Demos por nós a comparar este concerto com um dos melhores “gigs” internacionais a que assistimos em 2011: Seasick Steve, no Alive. E a questão que se coloca, mais uma vez, depois de vermos Fast Eddie em palco é: Porque é que este rocker não anda já a atuar em palcos maiores? Mistério…

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Mais informação:
Fast Eddie Nelson (Facebook)
Fast Eddie & the Riverside Monkeys (Facebook)
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