| WRAYGUNN | De regresso aos palcos e húmidos de prazer

O Rock tomou conta do Lux

\\ REPORTAGEM
Cinco anos depois da edição de “Shangri-la”, a banda de Paulo Furtado, Raquel Ralha e Selma Uamusse apresentou-se no Lux, em Lisboa, para mostrar ao vivo o novo disco, “L’art brut”. Tocaram as 12 novas músicas de enfiada, seguindo a ordem do disco, e provaram que o álbum “respira” muito bem em palco. A satisfação da banda estendeu-se à plateia.
\\ com Fotogaleria

Estava marcado para as 22h30, mas meia hora antes ainda o público estava à porta da discoteca Luz a aguardar ordem de entrada. Ela surgiu e o processo fez-se sem rápido e sem stress. Lá dentro mais alguns minutos de espera. Pelo Facebook, Paulo Furtado, o vocalista, ia revelando algumas fotos e reforçando a ansiedade do público. A expetativa é grande e o público acorreu em massa a um espetáculo a que só tinha acesso quem comprasse o novo disco nas lojas FNAC. Houve casais que, para estarem presentes lado a lado neste concerto, compraram dois discos.

Furtado apresentou-se com aba de grilo

As luzes apagam-se no rés do chão do Lux pelas 23 horas. Os canhões de fumo criam uma neblina. Os Wraygunn surgem com as duas meninas nos habituais vestidos brilhantes e Paulo Furtado com casaco aba de grilo. Arrancam, tal como em “L’art brut”, com “Tales of love”, uma canção em registo “spoken word”, de ritmo arrastado e voz sussurrada. O som está limpo. Tudo se ouve no devido lugar. Sem pisões. E, ao segundo tema, o primeiro single “Don’t you wanna dance”, solta-se a festa em palco.

O público já conhece alguns refrães. Acompanha entre dentes a banda. Há alguma reserva nas pessoas em libertarem-se e perceberem que, nesta noite, até estão a ver um concerto numa verdadeira pista de dança. “Vocês estão muito calados”, atira às tantas Paulo Furtado, e espicaça: “Nós estamos húmidos aqui em cima. Espero que alguma desta humidade passe para vocês”. E arrancam para “Bet it all on you”, o sexto tema da noite, depois de já terem deixado para trás, entre outras, “Strolling around my hometown, que passou pelo Planeta FrankMarques #49, e “Kerosene honey”, o tema que a banda havia apresentado em primeira mão nos concertos de The Legendary Tigerman, nos Coliseus, em Janeiro de 2011.

Selma Uamusse, Paulo Furtado e Raquel Ralha

A harmonia e satisfação patentes em palco transpiravam para a plateia. O público uniu-se ao grupo e, certamente agradado com os novos temas, rendeu-se à exigência do corpo em deixar-se levar pela música. Cada música era saudada com efusivas palmas. Raquel e Selma não evitavam os sorrisos e trocavam olhares cúmplices de alegria. A moçambicana, grávida de alguns meses, tinha a seu lado um banco para ir descansando.

Disco assumidamente de amor e desamores, multiplicam-se as vezes que se ouve a palavra “love” ao longo do concerto. O ritmo deambula entre a balada de travo Soul e o Rock com muito Roll. A banda confirma que a paragem não lhes toldou a intensidade de palco. Furtado é o chefe de orquestra. João Doce, nas percussões, algo escondido atrás dos tambores e da bateria que dividia com Pedro Pinto, foi-se soltando e aos poucos e poucos tornando-se num dos mais efusivos em palco. O fim do concerto chegou pouco depois da meia-noite. A versão de “Cheree”, original dos Suicide, que fecha o disco, fechou também a apresentação ao vivo de “L’art brut”. A banda deixa o palco perante uma ruidosa salva de palmas. Mas não acabava assim a festa…

João Doce junta-se a Raquel no "micro"

Depois de alguma resistência às palmas, e certamente muitos abraços e palavras de incentivo nos camarins pelo primeiro concerto da nova digressão, os Wraygunn regressaram para um encore arrasador. Recuam a 2003 e ao álbum “Eclesiaste 1.11”, o tal que foi disco do ano à altura em França. A voz de Martin Luther King antecipa “Soyul city”, o tema de abertura desse disco, um dos melhores da música moderna portuguesa. O público, agora sim, deixa-se levar em êxtase e acompanha a festa Gospel da banda. Sem dar muito descanso, segue-se “Drunk or stoned”. O Lux está ao rubro. “Juice”, ainda do disco de há 9 anos, fecha o primeiro encore, numa sala já repleta de sorrisos parvos, que se vislumbram do palco ao bar, no outro extremo. João Doce, por esta altura, estava já na frente do palco. De joelhos, diante de Raquel.

Paulo Furtado invade a plateia

Teria sido este o brilhante final pensado pela banda, pelo menos a julgar pela “setlist” que cada elemento tinha a seus pés. Mas não, faltava ainda uma última investida face ao ruidoso da pista de dança do Lux. Combinam “All night long” para fechar. E Paulo, que entretanto trocara a sua camisa vermelha e o colete preto por uma camisola de alças, aproveita para dar o seu habitual passeio de microfone em punho pela plateia. Vai até ao bar, desafiando as meninas a entoar o refrão. Algumas arriscam, outras fogem do “tigre”. O final surge em êxtase coletivo, de luzes acesas, e Furtado a empurrar “sem querer” um microfone para o chão. É o ruído que encerra de vez a festa quando faltavam 20 minutos para 1h da manhã.

All night long” (excerto, com a invasão do bar), Wraygunn
(concerto no Lux, 17 de março de 2012)

“Obrigado a todos os que esgotaram ontem o Lux! Fizeram um agrupamento de pessoas muito feliz!”, escreveram os Wraygunn, no dia seguinte, domingo. Segue-se Coimbra, quinta-feira, depois Tondela e por fim Porto antes da tradicional “tour” por terras de Sarkozy e Carla Bruni.

A "setlist" junto aos pés de Raquel Ralha

Setlist:
1.Tales of love
2. Don’t you wanna dance
3. Keroseene honey
4. Strolling around my hometown
5. That cigarette keeps burning
6. Bet it all on you
7. My secret love
8. I fear what’s in here
9. Track you down
10. Wanna go (where the grass is green)
11. I’m for real
12. Cheree

Encore
13. Soul City
14. Drunk or stoned
15. Juice
encore 2
16. All night long

Mais informação:
Entrevista sobre o novo disco
Facebook oficial dos Wraygunn

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2 respostas a | WRAYGUNN | De regresso aos palcos e húmidos de prazer

  1. ana diz:

    ….assim como estas breves linhas que acabo de ler
    foi de facto um concerto que me encheu a alma
    BOM, ou mesmo muito bom

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