| JON SPENCER BLUES EXPLOSION | Com os ouvidos a zunir

Bauer, Simmins (atrás) e Spencer à direita

\\ REPORTAGEM
Hora e meia de rock sujo e garageiro. Rock para gente grande. Foi assim o concerto em Lisboa da Jon Spencer Blues Explosion, de regresso a Portugal e com dupla escala (a primeira havia sido de véspera, no Porto). O som não esteve à altura dos artistas. A plateia tentou alhear-se da confusão de ruídos. No fim, saldo positivo para um concerto a que só faltou melhor fio condutor.

Jon Spencer Blues Explsoion, em Lisboa (15 de março 2012)
(vídeo publicado por MrMrcardos)

As manas Julia e Maria Reis abriram o concerto

A “blues explosion” na sala TMN ao Vivo, que curiosamente é de cor azul, estava marcada para as 22 horas. Começou mais de meia hora depois. Quem sabe para dar tempo a que “green explosion” acalmasse em Manchester, onde o Sporting tinha acabado de eliminar o milionário City, na Liga Europa. A primeira parte do concerto da noite foi entregue às jovens lisboetas Pega Monstro. E logo aí o som deu mostras de estar bem longe da qualidade que testemunhámos no recente concerto dos Helmet naquela mesma sala. As manas Reis também não pareceram ter uma das melhores noites do projeto que partilham – esperamos que esta sexta-feira surjam melhores quando se apresentarem no bar do Grupo Desportivo dos Ferroviários, no Barreiro (noite Cafetra Records, com Kimo Ameba, Éme e Pow! também a atuarem – entrada gratuita).

Hora e meia de Garage Rock'n'roll

Largos minutos a abanar a anca ao som de um Garage-Funk pré-gravado resultou em melhor aquecimento para o que ali vinha. Às 22h36, Jon Spencer, Judah Bauer e o baterista Russell Simins “invadem” o palco. A frente da plateia fica repleta. Arranca “explosão”. Poderosa. Depressa se percebeu que o som de microfone não era o melhor. A voz era tudo menos clara. A forma de Spencer cantar – entre o grito, o riso e o sopro à lobo mau – também não ajuda. E pior soa com as constantes falhas do micro, que a espaços deixava de se ouvir.

Jon Spencer Blues Explosion, em Lisboa (15 de março de 2012)
(vídeo publicado por sofiabailote)

Ficámos situados à beira do palco. O som que ouvíamos vinha da amplificação dos próprios músicos, colocada nas costas dos dois guitarristas e emparedando a bateria. A coordenação do trio é brutal. Ou não andassem eles nisto há 20 anos – a presente digressão assinala exatamente essas duas décadas. O alinhamento é abrangente à carreira do grupo. As músicas sucedem-se e os riffs pujantes, sujos, colam-se vertiginosamente. Em simultâneo, Jon Spencer, à direita do palco, ensaiava saltos acrobáticos, ficando sempre a meio de uma imaginária espargata. O povo gostava. É disto, aliás, que o “meu” povo gosta, já dizia o outro, falando de bola.

A Blues Explosion está bem oleada

De disco em disco, de riff em riff, um piscar de olhos aqui, um sinal na manga da camisa ali, mais uma torrente de guitarras e uma trovoada de bateria. Tudo numa crua harmonia Garage. Não usam “setlist”. Já não precisam. Sai tudo de enfiada após os primeiros acordes de cada tema.

Pelas 23h42 o trio despede-se. Recolhe aos camarins e deixa no ar um “loop” estridente, que promete sequela. O público aplaude, chama por nova “explosão”. Houve quem se fosse embora. Afinal era noite de quinta-feira e para muitos havia ainda mais um dia para encerrar a semana de trabalho. A Blues Explosion retoma o palco menos de 5 minutos depois de sair. Arrancam para nova investida Punk’n’roll.

Jon Spencer é o líder natural da "explosão"

Mais 25 minutos a puxar pelas cordas das guitarras, entremeados com “sessões espíritas” de Jon Spencer em torno de um Theremin. A Blues Explosion “cavalgou” pela sala à beira Tejo plantada, conquistou a plateia e saiu de rompante. Sexta-feira tinham mais Rock’n’roll em Madrid e, sábado, em Barcelona antes de um mês de férias. Nós?… Com os ouvidos a zunir, recuperámos o fôlego, deslocámos-nos à banca de “merchandising” e gastámos 10 euros na compilação “Dirty Shirt Rock’n’roll”, de 2010, o último disco editado pela Jon Spencer Blues Explosion.

É assim que deve funcionar a indústria da música: vê-se um concerto, gosta-se da música, compra-se o registo gravado para ouvirmos de novo quando quisermos. O preço de 22 euros, que na realidade eram 23 e meio com a estranha taxa de emissão do bilhete, é que pareceu um pouco puxado. Mas os homens têm de ganhar a vida, não é? É preciso pagar as viagens, a promoção e a comida do cão…

De Lisboa, a "explosão" seguiu para Madrid

Mais informação:
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