| HELMET | Hora e meia a abanar o capacete

Page Hamilton desfocado... só na foto

Aconteceu em Lisboa o arranque da digressão dos 20 anos sobre o álbum “Meantime”. Os metaleiros de Los Angeles apresentaram-se bem dispostos, embora confessando uma enorme bebedeira apanhada algures na capital portuguesa, na noite anterior. Entre histórias de Hollywood, de cabeças decepadas e de estrelas da Pop, houve Rock pesado no antigo Armazém F, junto aos Cais do Sodré. E esta terça-feira há mais. No Porto.

Entrámos na sala ribeirinha, com porta virada para o Tejo, pelas 21h30. Os irlandeses Fighting With Wire, responsáveis pela primeira parte do concerto, estavam a a meio da última música. Nem deu para ficar com uma ideia do valor desta banda jovem, que os próprios Helmet elogiaram e escolheram para abrir os concertos desta digressão de aniversário. Celebram-se os 20 anos sobre o álbum “Meantime”, o primeiro que o grupo liderado por Page Hamilton (único membro original a manter-se) gravou para a Interscope Records e, até hoje, o disco de maior sucesso comercial do projeto.

O baixo sempre ao lado da guitarra

Passava pouco das 22h quando os Helmet entraram em palco. A sala, por estes dias rebatizada como TMN ao Vivo, estava a meio gás. O que se poderia justificar por ser uma segunda-feira e os bilhetes terem sido fixados a €20 mais um serviço de bar que cobra €2,5 por imperial. Era, porém, a primeira vez dos Helmet em Portugal e isso merecia uma receção calorosa, que se confirmou, com ilustres na plateia do nível de Tó Trips (Dead Combo e Lulu Blind), Zé Pedro e João Cabeleira (Xutos & Pontapés) – os dois primeiros agora também colegas nos Ladrões do Tempo.

O concerto arrancou tal como fecha “Meantime”, com o tema “Role Model”. O baixo de Chris Taynor revela-se pujante. E o tom da noite estava dado. O grupo saltou de uma para outra faixa do disco de há 20 anos. E só a meio da atuação Page Hamilton começou a falar com o público. Uma conversa em crescendo e impulsionada por alguns problemas que o vocalista foi sentindo com o amplificador da guitarra. Era preciso tapar os tempos mortos e Page revelou toda a sua experiência nesse particular. E contou com a compreensão e interação do público.

Dan, Chris e, atrás dos pratos, Kyle

Entre os temas abordados por Page destaca-se a notícia da cabeça decepada encontrada há alguns meses junto às letras de Hollywood nas colinas de Los Angeles. “Disseram que foi perto da casa do Brad Pitt e da Angelina Jolie. Em todas as coisas, eles lá conseguem meter a Angelina ao barulho”, brincou o músico original dos Helmet, que se apresenta com um certo ar de médico com o cabelo grisalho e alguma cálvice. Mais à frente, brincou com Kate Perry: “Ela canta sobre sexo. Eu também. Não temos diferenças”. O público apreciou as temáticas abordadas, que não desceram ao nível “brega”.

Foi o primeiro concerto da atual digressão europeia. Mas a “máquina” mostrou-se bem ensaiada com alguns dos temas a surgirem quase colados. E a bateria a marcar os ritmos. Curiosidade para o facto de o alinhamento de “Meantime” ter surgido invertido em palco. Da última música para a primeira. E em cerca de 45 minutos estava despachado. Para fechar o “set” principal, os Helmet juntaram um tema do último álbum de originais, “Seeing eye dog” (2010), depois outro de “Aftertaste” (1997) e fecharam com “Wilma’s rainbow”, que abre o álbum “Betty”, de 94, o sucessor de “Meantime”. Por esta altura, já o público estava solto e à boca de palco a coreografia “headbanging” estava sincronizada. O que levou a um apelo bem sonoro pelo “encore”.

“Unsung”, Helmet ao vivo em Lisboa
(TMN ao Vivo, 05 de março de 2012, gravado por stormchelas)

Escassos minutos de descanso e os Helmet estavam de volta ao palco. Apresentaram mais meia hora de Rock, brincaram entre si e Page chegou a ameaçar o baixista de despedimento algumas vezes. Tudo, entre sorrisos e bom espírito. Temas retirados a todos os discos posteriores a “Meantime” (apenas “Strap it on”, de 1990, não foi contemplado em Lisboa) compuseram o prolongamento. No final, a banda entregou-se à conversa com o público, assinando CD, “setlists” e bilhetes. E contando um pouco mais da noite anterior.

Estreia dos Helmet em Portugal


Conversa de ressaca
“Chegámos ontem (domingo) e fomos jantar a um restaurante chamado Sacramento. Conheces?”, perguntou-nos o baterista Kyle Stevenson, acrescentando de pronto: “É muito bom!”. Depois confessou estar “arrasado” porque este era “o primeiro concerto da tour” e a noite tinha sido “um pouco dura”. “Embebedámos-nos com caipirinhas. Foi demais. Mas hoje queremos sair outra vez. Onde é que podemos ir?”, atirou, ávido de repor os líquidos no corpo. Ao que lhe respondemos, claro, “Bairro Alto”. “Dá para ir a pé, daqui?”, acrescentou. “Sim, é logo ali em cima”. Desejámos-lhe boa sorte, para a noite e para o resto da Tour, e lá o deixámos a confraternizar com outros portugueses. Hoje os Helmet tocam no Porto, no Hard Club, e amanhã seguem para Espanha, numa carrinha que lhes permite dormir durante as viagens. Durante o próximo mês, a banda vai passar ainda por França, Suíça, Itália, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Reino Unido. O regresso a Portugal ficou prometido para 2013, mas até pode acontecer antes.

Mais informação:
Site oficial
Facebook oficial

“Better”, Helmet
(“Meantime”, Interscope Records, 1992)

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