| KUS KREDO | Foi há 20 anos que o primeiro grito soou

KK: Filipe, Graça, "Kanina" e "Xoco"

É um projeto barreirense surgido, nem eles sabem muito bem, por volta de setembro de 91. Era o auge do grunge, das letras tristes cantadas com raiva, das guitarras distorcidas, do novo punk. Cantavam em português, tinham algo para dizer. Queriam “passar ‘stress’ e energia à rapaziada”. Aguentaram-se dois anos. Esta é a história deles.

Página 2: O fim e os regressos

As memórias não são as mais frescas. O passado vem lá atrás. Ficou lá atrás. Mas o baixista Filipe Brito não esquece, não quer deixar esquecer. Os Kus Kredo são uma banda punk formada no Barreiro em Setembro de 1991, mês em que foram por coincidência lançados os álbuns “Nevermind”, dos Nirvana, e “Trompe le monde”, o último de originais dos Pixies. Fruto de “uma grande vontade de tocar e fazer coisas”, os KK celebram, tal como esses influentes discos, vinte anos. “Queríamos passar ‘stress’ à rapaziada. Pôr as coisas a mexer, dizer que os direitos estavam errados, pôr cá fora tudo o que nos ia na alma. Sem preconceitos nem tabus”, afirma o agora membro dos Viralata, um novo projecto também na órbita do punk nacional, e baterista dos StereoFux, projecto barreirense mais relacionado com o indie-rock. Filipe sublinha que a mensagem a passar pelos KK, quando começaram, era “nunca ser diferentes porque somos todos iguais”, um grito de revolta pela falta de tolerância por quem não se deixava ir pelo marasmo.

“MFRN”, Kus Kredo ao vivo
[AUTOPLAY]

Pedro ‘Kanina’ Ventura era o guitarrista e, rezam as parcas memórias, o grande impulsionador dos KK. Para o agora líder dos Hidden Cookie, projecto que se movimenta de forma intermitente num género de folk-pop bem distante do punk, o mote para lançar a banda há 20 anos foi “muita energia e musicalidade que havia para libertar”. “Eu tinha uma guitarra desde os 13 anos e queria ter uma banda. Depois, e quase por imposição, obrigou o ‘Xoco’ [Nuno Silva] a comprar uma bateria para deixar de dar cabo dos tachos da mãe. Arranjou-se um baixista, o Filipe, que foi obrigado a aprender a tocar. E a coisa cresceu. Fomos fazendo umas músicas e um dia, durante um ensaio, bateram-nos à porta e convidaram-nos para dar um concerto”, recorda Pedro.

"Kanina" e Filipe

Opinião diferente do guitarrista tem Filipe quanto à mensagem que os KK pretendiam transmitir. “O que nós queríamos era passar energia mais do que qualquer outra coisa. Éramos miúdos e queríamos curtir. A seriedade só se notava nas horas que passávamos a ensaiar e na facilidade com que fazíamos músicas”, defende.

As letras dos KK eram na maioria da autoria de Zé Graça, vocalista do projecto, de origens cabo-verdianos, apaixonado pelo reggae, possuído pelo punk. “Nasciam das longas noites sem dormir dele”, atira Filipe, que descreve o amigo como “um anarco-sindicalista lírico”. “‘O mensageiro que desce do rio/ remota por toda a parte a sua arte’. O que é que isto quer dizer? Não sei. E isso importava? Nada! Temos um tema, o ‘Zumbido’, que o pessoal entoava como ‘Dores de ouvido’. Outro tinha por refrão ‘Suave suave que nem corte’ e, nos concertos, ficou ‘Suave suave que nem coca’ (risos). Há 20 anos, a qualidade de som não era como hoje e a malta era mais surda”, brinca o baixista.

Kus Kredo em concerto... kaótico

Os Kus Kredo começaram com uma formação diferente daquela que fez história no Barreiro. “Entre 1988 e 1990, o ‘Kanina’ tinha um projecto chamado Alcoolémia, que nunca chegou a andar muito para a frente. Eu e o Zé tínhamos os N’PaDFrades, de bandeira completamente negra. Em 91, o Nuno comprou a bateria e nasceram os Part-time. O ‘Kanina’ era o pilar da coisa, o único que sabia tocar e comandava. O Pedro Russo ainda fez os primeiros ensaios como vocalista, mas depois ficámos só os três e tínhamos apenas dois temas: ‘Escravos do tempo’ e ‘Imagens’, cantados pelo ‘Kanina’. Como a coisa não andava, convidei o meu amigo de infância, o grande Zé Graça. E aí começou a barulheira à séria”, lembra.

Página 2: O fim e os regressos

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4 respostas a | KUS KREDO | Foi há 20 anos que o primeiro grito soou

  1. Diogo diz:

    Gostava muito de ver um concerto com três bandas do barreiro, Kus Kredo, Sexofome e Maltratos. Fica a sugestão!

  2. Diogo diz:

    Frank, era muito fixe fazer o mesmo historial para outras bandas do barreiro. Não só aquelas que referi anteriormente como também os Coca Coca Mentol e Rococo. Entre aquelas que me lembro no incio do anos 90 a par dos Sexofome e Maltratus eram das que mais tocavam nos arredores e tinham muito pessoal a vê-los principalmente na discoteca Gare.
    cumps

    • A ideia que deixas não é nova cá por estes lados. É, aliás, um projeto que pode a qualquer momento ganhar força e consistência. Os Kus Kredo ajudaram bastante. A ver se o “tempo” ajuda.

      Obrigado pela participação, Diogo.

      Nunca hesites em comentar o que no for na alma depois de leres ou ouvires aqui o que quer que seja.

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