| MAYA SOLOVÉY | “Sempre me senti atraída por Portugal”

A americana que canta em português

É norte-americana de origens russas. Vive em Nova York, mas já “teve” casa em Espanha, Equador e Brasil. Canta em inglês, espanhol e português. Não é fluente nos idiomas latinos, mas esforçada. Escolheu Portugal para lançar o primeiro disco em formato físico. Acabou de o fazer. E, antes de se apresentar ao vivo no nosso país, concedeu algumas entrevistas aos portugueses. A primeira foi esta à colaboração MUDA Magazine/ FrankMarquesBlog.

Introdução
Tem origens europeias, mas é norte-americana. Nasceu a 30 de Dezembro de 1984 no Massachusets e reside em Nova York. O apelido é herdado de Solovchek, o nome da avó, mas transformou-se para “solovéy”, que significa rouxinol em russo. Viveu em Saragoça, Espanha, e aprendeu o idioma de cervantes. Uma paixão igual pelo de Camões levou-a a passar uma temporada no Brasil. Começou a tocar piano aos 5 anos e escreveu a primeira música aos 15. A 19 de Setembro, Maya lançou em Portugal a edição física do primeiro álbum da carreira, um sussurro musical em três línguas. A artista, o disco e o regresso a Lisboa serviram de mote para uma descontraída entrevista exclusiva. E assim ficámos a conhecer também outra paixão: a cozinha.

Página 2: O álbum e a FIFA
Página 3: A cozinha e as sopas portuguesas

A capa do disco (versão digital)

FrankMarques – Escolheu Portugal para relançar o primeiro álbum, “Maya Solovéy I:II, que saiu originalmente em 2009. A nova edição traz mais um tema. Porque decidiu relançá-lo?
Maya Solovéy
– Bem, não é verdadeiramente uma reedição uma vez que o álbum nunca havia sido em formato físico, mas apenas digital. De qualquer forma, sim, o tema “Ring ring ring” é um acrescento ao disco e parte de uma nova ordem das coisas. Um dos benefícios de ser uma artista independente num mundo digital é que tu podes mudar as coisas com muita facilidade à medida que novas situações ocorrem e fizer sentido para ti mudar. Esta música nova era algo em que vinha a trabalhar desde a edição digital original do álbum, mas quando a minha editora aqui em Portugal a ouviu os responsáveis pensaram que ela devia ser o single do disco.

– Porquê lançar o disco em Portugal?
– Sempre me senti atraída por Portugal. Especialmente em termos musicais, culturais. Quando toquei em Portugal pela primeira vez [nr.: Clube Ferroviário, Lisboa, 20 de Janeiro de 2011], o meu amor por este sítio e pelos portugueses cresceu ainda mais. E no concerto eu também conheci pessoas maravilhosas da Fabulous Generation [empresa lisboeta de agenciamento de artistas]. E eles quiseram que trabalhássemos juntos. Fiquei empolgada pela oportunidade. E cá estou eu!

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– Uma boa parte das músicas de “Maya Solovéy, I:II” é em português. Porquê?
– Tal como a história conta, há alguns anos um amigo deu-me um disco de João e Astrud Gilberto [casal brasileiro considerado impulsionador dos ritmos bossa nova]. E uma parte de da minha alma como que despertou. Ouvi esse disco diariamente durante meses e apaixonei-me pela linguagem. Durante esse tempo comecei a ouvir músicas, as minhas próprias músicas, em português embora eu não falasse a língua na altura. Uma parte de mim, porém, sabia que esses temas tinham de ser cantados em português, por isso, tinha de a aprender.

– Onde aprendeu, então, a falar português? Há quem diga que é uma língua difícil de aprender.
– E é, mas para mim, que já falava espanhol, embora houvesse muito vocabulário novo e uma pronúncia muito diferente, a gramática e a sintaxe não eram assim tão estranhas. Encontrei uma escola na baixa de Nova York e pedalei na minha bicicleta para lá tantas vezes quanto me foi possível. Quatro meses depois, arranjei forma de ir para o Brasil. Viajei por lá, estudei percussão e vivi num hotel abandonado de Salvador, na Bahia. Foram alguns dos momentos mais belos e dos mais difíceis da minha vida. Mas, através disso tudo, aprendi o idioma.

– É capaz de manter uma conversação em português?
– O português de Portugal é novo e mais difícil para mim porque o que eu aprendi foi a versão brasileira. Não sei se consigo, por exemplo, discutir os princípios da filosofia, mas posso manter uma conversa. Especialmente se não se importarem que eu misture de vez em quando um pouco de “portuñol” [solta um sorriso com piscadela de olho].

– Viveu uma parte da sua vida em Espanha. Em que cidade?
– Vivi no nordeste, em Saragoça. Tinha 16 anos e estive lá sensivelmente um ano. Fez parte de um programa de intercâmbio e estive a residir com uma família espanhola muito simpática.

– Já tinha estado em Portugal antes de ter vindo a tocar ao Clube Ferroviário, em Janeiro?
– Infelizmente, não. O mais próximo onde tinha estado foi na Galiza, no noroeste de Espanha. Mas nunca havia estado antes nas famosas terras de Portugal.

– Pelo que percebemos, as suas referências são mais brasileiras do que portuguesas. Há algum artista português de que goste?
– Por acaso, até tenho conhecido ultimamente alguns artistas modernos portugueses. Estou obcecada por Peixe:Avião neste momento. Toda a banda é fascinante em termos musicais e a voz é particularmente extraordinária. Sou também grande admiradora de Mazgani. Adoro os tons e a bela fragilidade da sua voz. E, claro, sou uma enorme fã de Amália Rodrigues. Ela é absolutamente uma das minhas artistas favoritas de todos os tempos.

Página 2: O álbum e a FIFA
Página 3: A cozinha e as sopas portuguesas

[para continuares a ouvir a música de Maya Solovéy abre a próxima página numa nova janela]

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