| DEAD LOVER’S TWISTED HEART | “Viver da música”

Guto, Pat, Ivan e Vinicius

São três rapazes e uma rapariga. Ela, Patrícia, é designer, baterista e a mais nova do grupo – tem 26 anos. Vinicius, homem das Letras, é o mais velho, tem 30. Ivan e Guto, formados em História, têm respectivamente 28 e 29 anos. Juntos são os Dead Lover’s Twisted Heart, projecto indiepop de Belo Horizonte, Brasil. Têm um EP (“What is it for?”, de 2006) e um álbum homónimo brilhante. Estrearam-se em Portugal com dois concertos na capital, a 21 e 22 de Julho últimos, respectivamente no Arte&Manha e no Bacalhoeiro. E foi após este último “show” que a MUDA Magazine “encurralou” os quatro. A formação, os dois discos lançados e a estreia europeia deram o mote para uma entrevista que passou pelos Clã, o Punk e o acordo ortográfico para a língua portuguesa. E eles não estão nem aí para a norma linguística.

Entrevista na MUDA Magazine

FrankMarquesBlog – Como se formaram os Dead Lovers Twisted Heart (DLTH)?
Guto – Começámos em 2006 quando nós os três [n.: exclui a Patrícia] nos juntámos. Tínhamos passado a adolescência juntos, em Belo Horizonte, indo aos mesmos “shows”, vendo os mesmos filmes. Havia uma cena muito forte de punk-rock e nós frequentávamos isso. Eu e o Ivan voltámos a encontrar-nos na universidade, começámos a escutar umas músicas que ele fazia e a tocar. Na altura com outro baterista, o Marcelo. Começámos a ensaiar “super” na brincadeira, a beber e fazendo “bagunça”. A certa altura, partimos para os concertos e o Marcelo não pôde. Entrou a Pat.
Patrícia – Eu tinha estado numa banda só de meninas. Tocávamos Bikini Kill, Sleater Kinney, Third Sex ou Dominatrix, que é uma banda punk de São Paulo.
Guto – Um dia encontrei a Pat à porta de um clube, perguntei-lhe se queria tocar connosco e ela aceitou. Nem tínhamos nome ainda.

Dead Lover's Twisted Heart

E porquê DLTH?
Guto – É terrível para as rádios, nós sabemos, mas em Belo Horizonte tratam-nos apenas por Dead Lovers. Mas essa é também uma das nossas marcas: optar sempre por caminhos pouco usuais. Partimos de uma onda “lo-fi”, que remetia para o Daniel Johnston, cuja produção é muito caseira. Também somos assim. O primeiro EP foi todo gravado na sala do Vincius e a capa é toda feita à mão. O nosso nome resulta um pouco como o dos Cansei de Ser Sexy, que agora são conhecidos como CSS.

O álbum, porém, teve mais produção do que o EP de estreia. Não foi tão artesanal.
Guto – Teve mais produção, sim, mas ainda assim caseira. Fomos ajudados por um grande amigo nosso, o Thiakov, que foi o produtor. O disco foi “mixado” num estúdio profissional, mas a gravação é caseira. Foi no meu quarto. E talvez por isso tenha demorado dois anos.

Notam-se algumas semelhanças entre os DLTH e os Cansei de Ser Sexy. Concordam?
Guto
– Um dos primeiros concertos deles foi em Belo Horizonte e eu estive lá. Vi também o segundo. Na altura já tínhamos a banda. Considero o primeiro disco deles sensacional, é muito bom, mas não é algo que eu queira fazer. É uma banda que admiro pela carreira internacional que está a conseguir.

Patrícia

Os Dead Lovers, segundo o vosso Facebook, dão muito destaque ao facto de terem uma baterista. Porquê?
Guto
– (risos) Quem escreveu o “press” do Facebook foi um amigo nosso, o Thiago. Para nós, o peso de termos uma mulher na bateria é relativo. Pode ser surpreendente para as pessoas, mas nunca fizemos disso algo de especial. É, aliás, natural. De início, tivemos de reformular algumas músicas. A entrada da Pat acabou por dar até uma cara diferente à banda.

Da sua parte, Patrícia, sente-se especial?
Patrícia
– Não. Torna-se, aliás, engraçado.
Ivan – Quando entramos em palco com um teclado, toda a gente pensa que é para ela (risos).
Vinicius – … Ou então esperam que seja a cantora.
Guto – Eu acho muito surpreendente mulheres guitarristas porque é um instrumento mais masculinizado. Mas vejo-o de forma positiva. Até no baixo como era o caso nos Smashing Pumpkins, com a Darcy; ou nos Sonic Youth, com a Kim Gordon. E agora há essa banda nova só de mulheres, as Warpaint, que fazem um uso muito delicado das guitarras e da bateria.

O vosso objectivo é viver da música?
Vinicius
– Eu estou a fazer um estúdio em casa, no Brasil, com alguns amigos. Estou a tocar com outras bandas e a fazer casamentos com uma orquestra pimba. Estou a 100 por centro pela música.
Guto – Eu tenho outra profissão, mas cada vez mais a música ganha espaço. Não tenho a menor dúvida de que hoje a música é a minha principal actividade. E não é só tocar porque ter uma banda é muito mais do que os concertos.

“Isabelle”, do álbum “Dead Lovers Twisted Heart

Página 2: Portugal e o Acordo Ortográfico

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