| THROWING MUSES | Kristin Hersh: “Odeio música”

David Narcizo, Kristin e Bernard Georges

A banda está a celebrar os 25 anos sobre a estreia discográfica pela 4AD. Ela, a vocalista, acaba de chegar aos 45. É casada, tem 4 filhos e é uma das vozes mais viciantes do indierock planetário. Honesta e directa, acusa a música de lhe fazer mal, de a deixar com tendências suicida. Mas está de volta aos palcos. No final de Outubro, dá dois concertos em Espanha. Portugal está fora de rota.

Kristin Hersh é a vocalista dos Throwing Muses, banda que celebra este mês os 25 anos sobre a estreia discográfica pela mítica 4AD. Foi também este mês, a 7, que Kristin celebrou o 45.º aniversário. E é este ano que os Muses regressam aos palcos europeus. A digressão assinala o quarto século sobre o álbum homónimo de ’86 e promove a compilação de êxitos “Anthology”, que sai na próxima segunda-feira, 5 de Setembro. Mas pronto a sair estará também um novo disco do agora trio, que, além de Hersh, conta com Dave Narcizo e Bernard Georges. Tanya Donnely, irmã por consanguinidade de Hersh (o pai da primeira casou com a mãe da segunda na década de 80) e co-fundadora dos Muses, não faz parte “line-up”. Saiu em ’91 e foi substituída por Georges.

“Dizzy”

A digressão dos Throwing Muses pelo velho Continente arranca a 2 de Outubro, em Amesterdão, Holanda passa pela Alemanha, Bélgica e, antes de terminar no Reino Unido, tem duas escalas em Espanha. A 29 de Outubro, na sala Shoko, em Madrid, e um dia depois na Apolo, de Barcelona. Os dias 28 e 31 mantém-se sem concertos marcados. Assim como Portugal mantém-se sem um espectáculo da banda de Kristin Hersh agendado.

Kristin e um dos seus 4 filhos

A reboque deste regresso, Hersh tem-se desdobrado em entrevistas várias. Algumas a destapar memórias de viva voz que haviam ficado registadas na biografia editada em Janeiro, “Paradoxical undressing” (nos Estados Unidos saiu em 2010 e chama-se “Rat girl”), que revive um ano alucinante na vida da artista. Com 19 anos, na universidade e já na banda, foi-lhe diagnosticado esquizofrenia, tentou-se matar, recuperou, engravidou sem o desejar e nasceu o primeiro filho. No livro, a irmã Tanya revela que Kristin “não sequer gosta de música”. Ela confirma.

“É verdade, odeio música”, confessa, sem rodeios, Kristin ao jornal The Guardian, e prossegue: “Toda a gente sabe isso a meu respeito. Até os meus filhos odeiam música. Quando eles estão a ver um programa infantil na televisão, assim que começa uma música, a TV é silenciada”. “Bem, ódio talvez seja demais”, retrocede, preferindo assumir apenas que não tolera bem a música. “A intensidade da boa música é demasiado para aguentar. E a má música é tão ofensiva que também é demais para aguentar”, reforça.

O marido, e pai dos seus 3 filhos mais novos, Billy O’Connel, que é também o seu agente, tem dito a Kristin para parar e deixar a música. Mas ela não consegue. “É uma entidade que que me segue. Penso nela como uma benção bem como uma maldição. Mas provavelmente teria sido melhor se tivesse vivido sem a música”, reconheceu. E dá o exemplo do amigo Vic Chestnutt, que morreu de overdose há dois anos, e cujo desaparecimento ela relaciona com a música. “Penso que nele teria uma pessoa melhor sem a música e, acima de tudo, ainda estaria por cá. Mas ele era mais precioso para mim do que foi para ele mesmo. E eu sei que também desempenho esse papel para as pessoas. O meu marido suplica-me para parar. Tentei, mas não resulta. O Vic nem o queria. Mas eu quero”, sublinhou.

Entrevista de Kristin Hersh em 1999, com o terceiro filho ao colo

“Sem a música eu talvez tivesse sido a cientista que sonhava ser. Seria eu mesma, mas sem esta precipício etéreo. quer dizer, eu adoro o planeta Terra. Quero estar aqui. O facto de estarmos aqui e sermos um conjunto de átomos agregados… é lindo e muito simbólico. Mas aquele ressalto extra que tenho na cabeça foi muito intenso para mim”, referiu Kristin, reportando-se a um acidente de bicicleta que teve por volta dos 15 anos e que a deixou a ouvir música. É esse acidente que ela aponta como causa para se ter dedicado a fazer música. E pela música que muitas vezes fica com desejos suicidas.

É por esses desejos que “Bill quer que pare”. “Sempre que escrevo uma música ou todas as vezes que escuto uma canção que é real, isso dispara um instinto suicida. E não é subtil. Ele pensa que não é justo uma mãe de crianças ter de lutar contra um instinto suicida que parece tão atractivo. Essa combinação de beleza e morte é inapropriada”, remata. E será esse instinto tão forte como foi na adolescência? “Acho que é mais ainda”, dispara, antes de um golpe cómico final: “Mas… e se morrermos? E se morrermos e houver música em todo o lado?”

Kristin Hersh, Tanya Donelly e David Narcizo

Biografia
Os Throwing Muses são norte-americanos. Formaram-se em 1981 em Newport, Rhode Island. Kristin Hersh e Tanya Donelly, irmãs de consanguinidade, partilhavam as vozes e as letras. O primeiro EP, homónimo, foi lançado em 1984 em modo por uma “label” criada de propósito. Um ano depois lançaram mais algumas demos em k7, que viriam a ficar conhecidas com as “The Doghouse cassette”. Em agosto de 1986, a banda lançou o primeiro álbum a sério. Homónimo, levou a etiqueta da 4AD, editora conhecida pela força dada à chamada música alternativa e que criou um culto muito próprio para os projectos que representava.

Após quatro álbuns, em 1991 Tanya Donelly abandonou o grupo e juntou-se aos The Breeders, das irmãs Deal, e depois formou os Belly. Voltaria a colaborar com os Muses em 2003, como voz de apoio ao segundo álbum homónimo da carreira do grupo, o oitavo e último de originais até à data. Kristin Hersh, por seu lado, criou também uma carreira a solo e, pouco depois do derradeiro disco dos Muses, criou os 50 Foot Wave. Agora está de volta aos Muses, de novo sem a irmã, com um disco novo algures e uma compilação de êxitos prestes a chegar às bancas. Segue-se o palco!

Ligações oficiais
Site de Kristin Hersh
Throwing Muses na 4AD

Alinhamento de “Anthology”

Disc One:
1. Garoux Des Larmes
2. Finished
3. A Feeling
4. Marriage Tree
5. Fish
6. Hate My Way
7. No Way In Hell
8. Colder
9. Tar Kissers
10. Mr. Bones
11. Limbo
12. Summer St.
13. Furious
14. Bright Yellow Gun
15. Pretty or Not
16. Flying
17. You Cage
18. Two Step
19. Vicky’s Box
20. Mania
21. Cry Baby Cry

Disc Two (b-sides & rarities)
1. Hillbilly
2. Same Sun
3. Amazing Grace
4. Cottonmouth
5. Cry Baby Cry
6. Manic Depression
7. Snailhead
8. City of the Dead
9. Jak
10. Ride Into The Storm
11. Handsome Woman
12. Like A Dog
13. Crayon Sun
14. Red Eyes
15. Tar Moochers
16. Serene Swing
17. Limbobo
18. If
19. Heel Toe
20. Take (live)
21. Finished (live)
22. Back Road (Matter of Degrees)

Downloads gratuitos
Discografia dos 50 Foot wave

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