SBSR’11: Só com Vaccines de Arcade Fire se esquece o pó

SPSR'11

Novatos britânicos e estrelas canadianas deram os melhores concertos do festival. Portugueses The Glockenwise foram uma bela surpresa e também figuram no top-5. Ian Brown esteve pior que o pó e tornou-se na anedota do evento mais empoeirado de que há memória. A Sangria a jarro (baldes de 0,75lt, entenda-se) também brilhou.

O Festival Sudoeste foi o primeiro “rei” da poeira no Verão português, no que a eventos de música se refere. Mas o Super Rock, agora rebaptizado de forma não oficial como Super Pó, já assumiu o trono naquela que foi a segunda edição do evento na Herdade do Cabeço da Flauta, ali entre o Barreiro, terra de rock, e o Meco, praia do rock (se não era, passa a ser…). Em três dias houve mais pó no ar do que aquele que parecia haver no chão (é um exagero, mas foi o que pareceu). E o “chefe” da organização do “SPSR” garantiu no final que “vai ser assim também nos próximos 10 anos”. É bom que mantenham a qualidade do cartaz, que não vai ser nada fácil, se quiserem continuar a crescer e criar um novo “Sudoeste” mais perto de Libsoa. O preço dos “combustíveis”, tal como no Alive, foi um absurdo. Valeram as sandochas levadas de casa e os baldes de sangria que davam para cinco para que o custo do SPSR’11 não se tornasse similar ao de Benicassim. É que até espanhóis e ingleses se estavam a queixar dos “nossos” preços anti-crise. Arrumadas as primeira referências ao pó, vamos à música.

Dia 1: “Tiros” de Glock na noite dos macacos
Entrámos no recinto com relativa facilidade no primeiro dia. Depois de corta-mato por estradas de areia desde Sesimbra, entrámos no recinto pelas 17h30 pelo lado do Parque de Campismo do evento, que metia medo. E àquela hora era mais demorada a fila para os chuveiros do que as dos carros nos “suburbs” do festival. O primeiro concerto estava marcado para as 19h15, no Palco principal. Sean Riley & the Slow Riders, de Coimbra, eram os anfitriões de três dias de “Meco, sol e Rock’n’roll”, como reza o lema do festival. O rock “downtempo” dos portugueses, ao jeito da melhor folk americana, caiu muito bem neste primeiro final de tarde. O som esteve impecável e o líder do grupo, Afonso Rodrigues, cativou a assistência, chegando a distribuir abraços na plateia perante um cartaz que indicava “free hugs”.

Para as 20 horas estavam marcados os The Glockenwise, no palco secundário. Chegámos com 20 minutos de atraso, mas ainda a tempo de testemunhar um “ganda” concerto. A banda de Barcelos, que em Ourubro passado andou pelo país a promover o Barreiro Rocks, mostrou estar na linha do que melhor têm saído da cidade da margem sul do Tejo (Act Ups, Fast Eddie & the Riverside Monkeys…) e estranhamente até lhes passou à frente, conseguindo chegar ao palco de um grande festival. Rock’n’roll, Garage, Surf rock, os nortenhos revelaram um manancial bem interessante de estilos que aqueceram a plateia e obrigaram à permanência no local, apesar da presença dos The Walkmen no palco principal. Dizem ter sido um belo concerto dos autores do álbum “Lisbon”, mas os Glockenwise prenderam-me por completo a atenção.

Seguem-se os Tame Impala, por quem tinha alguma expectativa. Esfumou-se. Concerto morno, distante do fulgor dos temas de estúdio. A banda, com ar de drogados, mas que até estiveram a jogar monopoly no backstage, segundo revelou o vocalista dos Glockenwise, mostrou com serenidade o indie-rock-eletrónico que os distingue, mas revelaram-se algo repetitivos e até cansativos com o alinhamento escolhido. Ou então eu estaria já a pedir muito mais depois do grande concerto que os precedeu. Resolvo dar um salto a espreitar os The Kooks. Bem mais interessantes. Indie-pop semi-acústica a conseguir estabelecer empatia com o público, que já começava a aglomerar-se na frente do palco.

No palco secundário vão tocar os El Guincho, do espanhol Pablo Diaz-Reixa. Animado, como se esperava. Muito mais animado, muito mais festivaleiro. A fazer lembrar aqui e ali os ritmos afro-pop dos Vampire Weekend. Por esta porém, está a começar Beirut no palco principal. Tentamos aproximar-nos, mas é um mar de gente imenso que até assusta. Ao longe, o som não é o melhor, mas melhora quando nos conseguimos aproximar. Mas este foi mais um dos graves problemas ao longo do festival. A expectativa era grande para ver o regresso do projecto de Zachary Francis Condon a Portugal depois de um concerto que, dizem, foi fantástico na edição de 2010 do Sudoeste. O público pareceu gostar, aqui ao “escriba” pareceu morno. Deu ideia de ser um daqueles concertos que cairia que nem ginjas ao início da tarde em Paredes de Coura, sem pó, mas com espaço para dançar tranquilamente. A dois ou a cinco ou seis.

Novo salto ao topo do recinto para ver Likke Li, um dos nomes mais aguardados do palco secundário. Terceira vez em Portugal. Mas não convenceu também. Com um jogo de luzes que a manteve quase sempre escondida, a voz não se confirmou o portento que é em disco. E à meia-noite espera-se mais animação. Se tivessem invertido a ordem deste palco no primeiro dia talvez tivesse rendido mais. Assim…

A fechar o palco principal, no primeiro dia, estiveram os Arctic Monkeys. Os quatro “mosqueteiros” de Sheffield andam a promover o quarto álbum, mas apresentaram um alinhamento repleto de antiguidades. E ainda bem porque os últimos dois discos estão cheios de “fantoches das sombras” e de poucos “macaquinhos do árctico”. Mas foi um concerto aquém do que havíamos visto em 2010 no Campo Pequeno. As paragens entre as músicas foram demasiado longas. Mas lá se foram safando. Para os ver é que estava difícil. A plateia estava compacta e, para agravar tudo, havia sempre alguém a querer passar sabe-se lá de onde para onde. E de copo na mão. A 2 euros a imperial houve muito “guito” desperdiçado por ali. Arrancaram às 00h45 e pouco depois das 2h despediram-se, com um único encore. A primeira noite a comer pó acabou de forma razoável. O pior foi sair do recinto no meio da confusão. Parece que havia pouca gente a render-se à tenda electrónica, que nem cheguei a conhecer. Às 04h da manhã desta primeira noite James Murphy, dos LCD Soundsystem, ia fazer de DJ, mas, pelo que ouvi, não valeu a espera.

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