| VIRALATA | As mamas da Ivone nunca mais foram as mesmas

O punk rock nacional está vivo

São uma banda nova do punk rock português. Querem relançar os usos e costumes de há 20 anos na música portuguesa. Há um pouco de Censurados e de Peste & Sida nestes “cães vadios”. E é com um tema sobre silicone nos peitorais de uma senhora da classe média que prometem conquistar a audiência. Mas há mais para além das mamocas. A política é visada e não é pouco. O primeiro concerto foi na passada sexta-feira.

São quatro, mas não são mosqueteiros. Todos têm portfolio para apresentar nesta coisa do punk. E andam a tocar na garagem há já alguns meses. O primeiro álbum está em fase de gravação e existem várias músicas a rodar nas redes sociais. “Ivone” é a que melhor sorte parece estar a ter e, na última sexta-feira, não houve quem não a pedisse naquele que foi o primeiro concerto dos Viralata. Aconteceu no LX Factory, em Alcântara, no já conhecido Open Day daquela infra-estrutura de edifícios abandonados, que foi reciclada para dar desenvolvimento da criatividade de jovens talentos nacionais oriundos de várias áreas e sem espaço próprio para trabalhar. E a música também tem lucrado com esta “nova” oportunidade.

Público em bom número

Os Viralata actuaram no espaço da CoWork, no quarto andar de um dos edifícios recuperados para o projeto urbanoempresarial da LX Factory. No final alguém, impressionado com o concerto que havia visto dos “punkers”, falava com um dos responsáveis da organização e dizia que aquilo devia ter acontecido numa outra sala, uns andares abaixo, que teria mais espaço para aquela festa onde algumas dezenas de pessoas ainda arriscaram um pequeno “circle pit” diante da banda. Tudo com respeito pelo próximo e é assim que deve ser. No alinhamento dos concertos daquele espaço, primeiro surgiu o projecto Filho da Mãe, do guitarrista Rui Carvalho, que foi acompanhado pelo “VideoJockey” Tiago Pereira. Um concerto acústico que pouco tinha a ver com o que se seguiria.

Só as guitarras descansavam

Pelas 23h05, arrancaram os “vagabundos”. “Zé Ninguém” deu o tiro de partida de um alinhamento com todas as nove músicas que os Viralata têm vindo a preparar para o primeiro álbum. O público foi aumentando de forma gradual. Na assistência, alguns amigos da banda iam atirando umas “bocas” por entre as músicas. E com alguma frequência lá se ouvia gritar “Toca a Ivone!”. Seguiu-se “F.A.M.E.L.” e depois “Carocho”, com uma mensagem ofensiva para todos os políticos sem excepção que a banda acusa de estarem “agarrados ao poder”. O concerto prosseguiu o seu curso com alguns dos presentes a não hesitarem em pagar bebidas à banda pelo bom concerto que lhes estavam a proporcionar. E a imperial, diga-se, custava apenas 1 singelo euro.

O "encore" foi natural ao contrário das mamas da outra

O fim do concerto aproximava-se. E até ele nos levou a ansiada “Ivone”. É a música que promete colocar os Viralata nos ouvidos de toda a gente e que as rádios mais comerciais, se ainda forem rádios de entretenimento e não de agenda, não vão deixar passar despercebida muito tempo. Depois desta primeira amostra, desconfio que as mamas da Ivone, de todas as Ivones, não mais serão as mesmas. Tenham ou não silicone.

O “encore” era obrigatório. A banda não tinha mais músicas, mas lá se decidiram a repetir duas. A Ivone não teve bis, e ainda bem, porque não é música para saturar já. Repetiu-se o “Zé Ninguém” e o “Carocho” até quase à meia noite. E mais não houve. Fica para o próximo concerto, na certeza que, se houver justiça, virá aí uma agenda preenchida para estes Viralata de barriguinha proeminente.

Primeira amostra dos Viralata

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8 respostas a | VIRALATA | As mamas da Ivone nunca mais foram as mesmas

  1. Sofia Helena Semedo diz:

    É impressão minha ou isto tem qq coisa de Chutos …pelo menos o vocalista faz nos primeiros 30 segundos uma interpretação muito identica á do nosso amigo Tim…não sei…se calhar é só impressão…

  2. JorgeRodrigues diz:

    O concerto no avante no pavilhão de Setubal foi espectacular, e já tinha saudades de ver ao vivo bandas hardcore com qualidade como eles parecem ter. Nunca tinha ouvido e convenceram-me. Fála um fã de Censurados, Peste & Sida, Crise Total, Mata-ratos, Dias de Raiva, Tara perdida e todas as bandas Punk Rock portuguesas que acrescenta(ra)
    m qualidade nesta onda musical, que por sinal é a minha favorita. Força Viralata.

    • Como assim, bandas hard-core?

      Sim, dos que vi, foi de facto o melhor destes “rafeiros” à procura de casotas para tocar. Foi, certamente, um dos grandes momentos deste ano na Atalaia.

      • Jorge Rodrigues diz:

        Hardcore punk, no contexto punk, refere-se à cena musical surgida internacionalmente através da “segunda onda do punk”, no final dos anos 70, e mais comumente a um estilo de punk rock caracterizado inicialmente por tempos extremamente acelerados, canções curtas, letras baseadas no protesto político e social, revolta e frustrações individuais, cantadas de forma agressiva.

  3. Pois, tinha essa ideia e por isso estranhei a relação. Não entendo os Viralata, ou os Peste & Sida ou os Tara Perdida como parte desse movimento “hardcore”, que vejo como um estilo do punk mais violento ou agressivo, especialmente na forma de cantar, do que o que estes projectos desenvolvem ou desenvolviam. Mais facilmente encaixo os “novatos” Dias de Raiva na onda “hardcore” que descreves. Mas este, no fundo, é mal de tantas “prateleiras” para a música, para o rock. Acaba sempre por ser uma questão de interpretação.

    Obrigado pela participação, Jorge, e nunca hesites em enriquecer tanto quanto possível os artigos que vou por aqui escrevinhando. Esse tipo de colaboração é uma das motivações que me faz continuar.

    Abraço.

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