| PETER MURPHY | Primeiro avanço do novo disco é grátis

O "Godfather of Goth" está de volta a solo

“Ninth” é o título do oitavo álbum da carreira a solo do vocalista dos Bauhaus, o primeiro desde que o músico reagrupou a banda gótica numa segunda reencarnação, em 2005. Com a banda na “gaveta” há quase três anos, o “vampiro da pop” lança o novo disco na Europa (isto é, no Reino Unido) a 6 de Junho e o primeiro avanço, “I spit roses”, está disponível na “rede” como download gratuito.

É o primeiro disco da carreira a solo de Peter Murphy a ser lançado desde a última reencarnação dos Bauhaus. A separação da banda, em 2008, permitiu ao vocalista voltar ao estúdio e trabalhar uma vez mais liberto da pressão dos outros. Primeiro houve uma sessão de “covers”, que incluiu “Transmission”, dos Joy Division, “Space Oddity”, de David Bowie, e “Hurt”, dos Nine Inch Nails. Essas versões deram origem, ainda em 2009, a uma pequena digressão intitulada “The secret covers tour”. No ano passado, Murphy cancelou por alegada doença uma digressão conjunta com Brendan Perry, dos Dead Can Dance (projecto que também está de regresso este ano). Mas, restabelecido, o vampiro do rock, que por sinal até é vegetariano, está de volta com “Ninth”.

O novo disco, o oitavo da carreira a solo, inclui 11 músicas novas e duas já são conhecidas. “I spit roses” foi o primeiro avanço, em Março (podes guardá-la no final deste artigo). “Seesaw sway” é o segundo, tornado público a 23 de Maio. As duas músicas fazem parte da amostra do disco que a editora de Murphy disponibiliza para pré-escuta.

“Ninth” [sampler]

O alinhamento
1. Velocity Bird
2. Seesaw Sway
3. Peace To Each
4. I Spit Roses
5. Never Fall Out
6. Memory Go
7. The Prince & Old Lady Shade
8. Uneven & Brittle
9. Slowdown
10. Secret Silk Society
11. Crème de la Crème

A carreira
Para trás, Peter Murphy conta sete discos. O mais conhecido de todos, sem dúvida, é o de 1990, “Deep”, que inclui o incontornável “Cut’s you up”. Afastado dos ambientes mais negros e “underground” dos Bauhaus, a solo, o vocalista, assume uma veia mais pop, mas sem nunca abandonar por completo os sentimentos mais negros. A orgânica da sua música torna-se mais viva e colorida sem a pressão gótica que paira sobre a banda de que não mais se vai conseguir dissociar. Mas da qual tenta fugir desde que em 1986 lançou em nome próprio “Shoul the world fail to fall apart”, o primeiro álbum.

Peter Murphy nasceu em Northampton, no centro da Inglaterra, a 11 de Julho de 1957. Celebra este ano 58 anos. A sua figura esquálida e a voz grave que o demarcam dos demais, somado aos ambientes negros criados pelos Bauhaus, valeram-lhe o título de “Godfather of Goth”, algo que o músico nunca reconheceu como justo. Criado no seio de uma família católica irlandesa, Murphy optou, na década de 90, por converter-se ao islamismo, mudando mesmo a sua residência para a Turquia onde reside com a mulher, Beyhan Murphy, e dois filhos, Hurihan e Adem. Beyahn é turca, coreografa dança moderna e é directora da companhia de dança moderna da Turquia. “Conhecemo-nos em Londres no início dos anos 80”, revela Murphy, em recente entrevista ao LA Times.

A banda antes do "divórcio"

Os Bauhaus foram sempre, porém, uma presença constante na vida do músico. Em 1998, o grupo voltou a reunir-se após um hiato de 15 anos, em que a outra parte da banda além de Murphy se havia mantido no activo com o projecto Love and Rockets. Do regresso dos “monstros do gótico” resultou uma digressão, a “Ressurection tour”, que incluiu um concerto no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Desse período resultou um “best of” e um álbum ao vivo. Em 2005, a banda voltou a juntar-se para tocar no festival de Coachella, nos Estados Unidos, um espectáculo que fica marcado pela entrada em palco de Peter Murphy: descendo pendurado de cabeça para baixo e a cantar “Bela Lugosi’s dead”. No ano seguinte, andaram na estrada com os “amigos” Nine Inche Nails e começaram a falar num álbum novo. O que se confirmou em 2008, com a edição de “Go away white”. Foi o princípio do fim. Um estranho “incidente” anunciado mas nunca esclarecido pelo baterista Kevin Haskins marcou o fim abrupto da banda. O disco já nem teve promoção em palco e acabou numa polémica tão obscura quanto os ambientes sonoros criados pelos próprios Bauhaus ao longo da carreira. De um lado Murphy, do outro os restantes membros: Daniel Ash, Kevin Haskins e David J. “I spit roses”, curiosamente,fala sobre o fim dos Bauhaus.

A capa do oitavo disco

“Estava perto de um jardim de rosas a falar ao telefone com uma amiga sobre o que estava a suceder [na banda]. Ela disse-me para não me preocupar e levar uma rosa [para o estúdio] num sinal de paz. Em vez disso, levei três ou quatro e coloquei-as na boca. Quando entrei [no estúdio], o David, o Kevin e o Danny estavam a conferenciar sobre a banda. Pensei: ‘Oh não, aqui vamos nós…’. No momento em que alguém se dirigir a mim, a minha resposta será cuspir-lhes rosas na cara – e foi isso que aconteceu. O Daniel disse ‘Peter temos de falar sobre…’ Pffuahh!! ‘Essa é a minha resposta’. Eles ficaram a pensar ‘Olhem para ele, está louco!’. E eu respndi: ‘Vá lá, são rosas. Não percebem? Vamos mas é trabalhar'”, relata Murphy, em declarações citadas pela Nettwerk, a nova editora do músico, responsável pela edição de “Ninth”. A origem do fatídico episódio nos Bauhaus foi o dia anterior às rosas. Um dia que havia sido passado em estúdio e do qual Peter Murphy se retirou depois de fazer a sua parte, deixando os ex-colegas a trabalhar sozinhos nos arranjos. E o vocalista assume ter suspeitado logo que essa decisão iria causar mossa. A conversa com a tal amiga era sobre essa suspeita.

“I spit roses” (download gratuito)

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