| DIAMANDA GALÁS | Brilho nas trevas de Leiria

Galás foi um "fantasma" de palco

A norte-americana, de 55 anos, foi a eleita para abrir os concertos deste ano da FadeIn. A associação cultural da cidade do Lis promove no final de Julho o festival gótico Entremuralhas e lançou a agenda com um espectáculo a propósito. A maioria sabia ao que ia. Alguns foram pela experiência e houve quem não aguentasse. Os fotógrafos acabaram escorraçados antes do trabalho feito.

Noite gótica em Leiria. O castelo, no topo da cidade do Lis, ainda esteve em silêncio, mas no ar já deu para sentir o travo do Entremuralhas, o festival de Verão que a associação cultural FadeIn promove no final de Julho. E a responsabilidade da antecipação deste ambiente foi de Diamanda Galás, cantora de voz poderosa, pianista e manipuladora de sensações negras. A norte-americana, de ascendência grega, abriu as actividades deste ano da FadeIn com um concerto poderoso, arrebatador para muitos, repelente para alguns. Houve quem deixasse a sala antes mesmo de o espectáculo chegar a meio.

Uma das primeiras a abandonar o Teatro

“Há certos sons que me deixam mais mal disposta que os cheiros. E ela [Diamanda Galás] consegue produzir alguns sons que me deixaram mesmo muito mal disposta”, afirmava a primeira desistente à saída do Teatro José Lúcio da Silva, na noite de sábado, 16 de Abril. A sala, essa sim, convence e de que maneira qualquer amante de música: É confortável, espaçosa e possui uma acústica impressionante.

Diamanda Galás, de 55 anos e mais de 30 de carreira, apresentou o seu espectáculo “The Refugee”. E, apesar da forma como alguns saudaram efusivamente o início, a artista não entrou da melhor forma em palco. Os fotógrafos presentes tinham autorização para registar o concerto durante a primeira música. Mas não lhes foram permitidos pela própria Diamanda mais do que dois minutos. Primeiro, mandou-os “calar” as máquinas (foto do topo). De surpresa, e num salto tão repentino quanto assustador, a norte-americana “correu” com as objectivas da boca de palco. “Fuck off! It’s enough. Out, out…”, atirou a cantora, estranhamente revoltada face aos inúmeros “cliques” que ouvia dos profissionais da imagem. Resultado: As imagens obtidas são escassas e de fraca qualidade, como de fraca qualidade foi o infeliz e, para mim, até surpreendente momento de uma artista que vive como poucos da própria imagem.

Rendas e botas nas vestimentas a rigor

Na plateia, góticos vestidos e maquilhados a rigor davam nas vistas entre “metaleiros” e pessoas de várias gerações vestidas de forma casual. Houve quem se deslocasse de Espanha para ver este ícone das trevas, que em tempos cedeu a voz para filmes tão curiosos como “Conan, o Bárbaro” ou o mais apropriado “Dracula”, de Francis Ford Coppola. A maioria sabia bem ao que ia, mas alguns estavam notoriamente à procura da alegada experiência inesquecível que se diz ser um concerto de Galás.

Ao piano, sozinha no palco, com 4 litros e meio de água a seu lado e um jogo de luzes simples, mas tenebroso, Diamanda cantou em inglês, francês, espanhol e grego. E, depois de escorraçar os fotógrafos em inglês, tentou falar ao público no idioma de Cervantes. No final de cada tema, as palmas eram efusivas por parte da grande maioria da plateia. “Esta gaja é completamente marada”, ouviu-se alguém dizer na sala. Os sentimentos, as emoções que transpiravam do palco, revelavam uma bipolaridade, que, regra geral, sucumbia em gritos de desespero, frustração, desolação. Num instante, Diamanda suspirava numa aparente felicidade serena, mas de repente soltava a voz e acentuava o ambiente soturno que as próprias luzes e o fumo libertado já haviam sugerido.

O final via lente de telemóvel

Durou pouco mais de uma hora o espectáculo. Teve três encores e fechou com a versão de “Gloomy Sundays”, que Diamanda pediu emprestado a Billie Holiday e que aos primeiros acordes já exultava à celebração na plateia. As luzes acenderam-se na sala, as pessoas saíram e no átrio de entrada as conversas sucederam-se sobre o que tinham acabado de assistir. As opiniões divergiam, mas o que resulta, e é irrefutável, é mesmo o facto de esta ser uma experiência a que ninguém fica indiferente. Para o bem. E para o mal!

O tema que fechou o concerto
(não é gravado em Leiria)

[O FrankMarquesBlog agradece à FadeIn a colaboração na realização desta reportagem]

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