A febre dos melhores de 2010…. CONCERTOS

Anda toda a gente a elaborar listas dos melhores do ano. De álbuns a singles, de artistas a capas de discos. Eu fico-me pelos concertos. Não recebi CDs, só comprei e esses são obviamente os melhores. Aliás, recebi um: Fast Eddie & the Riverside Moinkeys, “Bovine Intervention”. Embora seja de facto um disco muito, muito bom, este torna-se simultaneamente o melhor e o pior do ano para o FrankMarquesBlog. Para ter uma considerável opção de escolha, fico-me pelos concertos. E esses, sim, foram uns quantos…

Prince a escassos quilómetros da praia do Meco


Falo do que vi, não do que ouvi. Estive num dia do Super Rock, não fui ao Alive, assisti na íntegra ao Paredes de Coura e a uma boa parte do Optimus Hype em Lisboa. Vi tudo o que estava no cartaz do Barreiro Rocks 2010. Pelo meio, estive em algumas dezenas de concertos específicos. O que testemunhei permite-me elaborar duas listas dentro das possibilidades: os melhores do ano, a revelação e as desilusões. Vamos a elas, às listas.

Os melhores 6 concertos de 2010
1.º Prince (Super Rock @ Meco, dia 3)
– Foi o nome que me fez gastar algum dinheiro para me lançar à anunciada confusão que iria ser chegar até ao recinto do festivalm que, por um fim de semana, cortou o normal acesso à praia. _as valeu a pena. Cheguei cedo, estacionei perto, sem problemas. Vi alguns concertos interessantes sem me deslumbrar com nenhum. Até que “choquei” com Sharon Jones & the Dap Kings. Belo espectáculo, a abafar por completo o dos The National, no palco principal, que felizmente reteve muita gente iludida pela forte mediatização dos norte-americanos, autores de High Violet. A Sharon deu-lhes uma goleada! E foi o melhor aquecimento para o que se seguiu: o regresso de Prince Rogers Nelson a Portugal. E no auge dos seus 52 anos de idade, o pequeno génio do “showbiz” deu um grande concerto. Bom som, excelente banda, entregou-se, foi simpático, tocou a maioria dos êxitos da carreira e promoveu o disco mais recente, “20ten”. Pelo meio, a esperada colaboração com a amiga Ana Moura, na qual mostrou que o fado, o tradicional fado português, também pode ser eléctrico e rockeiro. Muito, muito bom!!! O pior mesmo foi voltar para casa. Bem mais de duas horas para fazer um caminho que em dias normais demoraria cerca de 30 minutos. Enfim… valeu a pena!

2.º Peter Hook plays Unknown Pleasures (Paredes de Coura, dia 2)
– Foi um dos primeiros nomes que justificou marcar férias para aquela altura, abrir a carteira e comprar o bilhete para todos os dias. Ficou apenas dez euros mais caro do que o dia em que tocou o Prince (€40). As críticas na internet eram ambíguas. Uns gostavam, outros odiavam e achavam um sacrilégio o facto do baixista ter assumido a vocalização das letras do mítico Ian Curtis, a voz única dos Joy Division. O concerto fez parte da digressão que assinalou os 30 anos sobre o suicídio de Ian. Peter Hook havia testado outros vocalistas, não se identificou com nenhum. Assumiu ele. A banda de suporte, os The Light, souberam interpretar o espírito. O mote escolhido para a digressão foi o álbum “Unknown Pleasures”, o primeiro dos Joy Division, lançado em Junho de 79. O palco era minimalista, tinha apenas uma imagem da capa do disco sobre o baterista. E as cores escuras. Pouca luz. O impacto foi forte. Não era, de facto, a voz de Ian Curtis. Não podia ser. Mas Peter Hook, na minha opinião, fez um bom trabalho. Ouviu-se Joy Division em Paredes de Coura. As emoções foram fortes. No final, a técnica de som de Peter Hook, que me cedeu a setlist do concerto, chorava. “É sempre assim, em todos os concertos”, dizia. Pois é, é história, é único. Foi Joy Division!

3.º U2 (Coimbra, dia 2)
– Nunca os tinha visto em concerto. Nem mesmo aqui pelo Barreiro quando, em 2004, vieram fazer uma sessão fotográfica nuns terrenos baldios por onde também já andou semi-despido (ou semi-vestido) Cristiano Ronaldo. Mas este ano tive a sorte de os ver em palco. Ainda que com bilhete comprado em 2009. É caro o ingresso, mas o espectáculo, pelo menos este valeu o investimento. Um palco assombroso, repleto de tecnologias. Quatro músicos experientes. Um manancial de êxitos e mais algumas musiquetas feitas a preceito para as exigentes, que não boas, setlists das rádios “mainstream”. Foram duas horas arrebatadoras de música em Coimbra. Um som a rondar a perfeição, a ameaça de a garganta de Bono Vox sucumbir logo à terceira música, a recuperação e o arranque para um concerto muito bom, totalmente planeado, mas com alguma arte de aparente improviso. Só a chuva ia, afinal, falhando. Mas no fim lá permitiu mais uma brincadeira aos quatro fantásticos de Dublin, que deixaram o palco ao som do clássico “Singing in the rain”. A primeira parte contou com os magníficos Interpol, que, em palco, teimam em não fazer jus à tremenda qualidade que transpiram em disco. Foi sonso o aquecimento, mas portentoso o concerto dos U2. O segundo em dois dias consecutivos naquele palco.

4.º King Khan & the Shrines (Barreiro Rocks, dia 2)
– Era um dos nomes mais aguardados do cartaz deste ano. A par dos Strange Boys, que brilharam no primeiro dia. Foi um nome de recurso que substituiu os desejados The Gories, de Mick Collins, que não puderam vir este ano a Portugal. Mas talvez tenha sido pelo melhor. O senhor Khan chegou cedo ao Barreiro, assistiu aos concertos do dia 1, conversou com o público, sorriu, bebeu cerveja, tirou fotos. Uma simpatia. No segundo dia, a celebração. Um som límpido, um groove intenso, um funk arrasador, uma banda fantástica, especialmente o teclista, o francês Fredovitch. O público embarcou na festa. Foi o melhor final de festa que o Barreiro Rocks podia ter desejado. Lotação esgotada como há muitos anos não acontecia. Só foi pena os espanhóis Guadalupe Plata terem actuado quando toda a gente ainda ressacava do “flash” que foi o concerto de King Khan. Eles mereciam um pouco mais de atenção porque também são uma banda interessante. Assim como o confirmaram também, no after-party do dia anterior, os britânicos Thee Vicars.

5.º Eels (Coliseu de Lisboa)
– Oriundos dos Estados Unidos, encerraram em Lisboa a digressão europeia. Mr. E é um nome consagrado no indie-rock e esta foi uma fugaz oportunidade de o ver actuar em Portugal. A adesão não correspondeu à expectativa. Mas o artista é um bom artista e resolveu a questão com profissionalismo e muito rock. A primeira parte já havia revelado uma surpresa ao integrar a actuação de um ventríloquo antes da apresentação da jovem transmontana Emmy Curl. Os Eels surgiram em palco depois do apito final no Benfica-Sporting, mas nem assim com meio Coliseu para o receber. Não se fez rogado, fez, sim, a voz rouca. Bem secundado por uma banda bem para lá de competente, atacou a guitarra com unhas afiadas. Lenço na cabeça, óculos escuros, barba comprida, fato macaco branco. Foi a indumentária escolhida. E no final tudo se resumiu a um “Lucky day” para o rock’n’roll.

6.º Black Rebel Motorcycle Club (Aula Magna)
– Eram uma das bandas que me faltava no currículo dos concertos vistos. Já não falta. Actuaram pela primeira vez em nome próprio em Portugal e fizeram por marcar a diferença face às anteriores actuações. Som fanhoso no arranque, corrigido, melhorado e depois uma descarga eléctrica que tomou conta da sala mais intimista e envolvente da capital. Duas horas de rock, que responderam e bem à questão “Whatever happen to my rock’n’roll?”, lançada pelo primeiro disco dos norte-americanos. Na plateia estiveram os pais da nova baterista da banda, que voaram especialmente da Dinamarca para revisitar a cidade onde se haviam conhecido há 40 anos. Foi uma das histórias partilhadas pela banda com a plateia. O único problema do concerto foram mesmo algumas pessoas que insistiram em permanecer sentadas mesmo quando a música o “proibia”. A banda podia ter solicitado o movimento, convidado quem dançava atrás para animar à frente. Não o fez, talvez o faça da próxima vez. Para a história fica um dos melhores concertos de que tenho memória em salas portuguesas.

Maior revelação
Ty Segall (Barreiro Rocks, dia 1)
– O norte-americano criou fama a “jogar” em casa. Um amigo nova-iorquino dizia-me antes do espectáculo que, se fosse ele a decidir, era Ty Segall o cabeça de cartaz do primeiro dia e não os também norte-americanos Strange Boys. Custou-me a acreditar. Tinha ouvido algumas coisas na internet e achava que era um projecto demasiado lo-fi, que ao fim de algum tempo iria passar de música a simples ruído nos meus ouvidos. Nada mais errado. O loirinho de São Francisco é mesmo um grande rocker, com um futuro brilhante pela frente. “Da próxima vez que for a Portugal tenho a certeza que já vai estar com maior destaque nos cartazes”, acrescentou no final o meu amigo americano. Concordo. O espectáculo é simples, directo, bom. O som é límpido, mas intercala com distorção em medidas exactas, letras claras, simples. E o rapaz é simpático. O Barreiro Rocks conseguiu juntar este ano um naipe bem simpático de bons artistas. Ty Segall foi uma excelente surpresa. E este foi tão só o primeiro concerto dele na Europa. O único para já em Portugal. Mas ele vai voltar. Tem de voltar!

Menções honrosas
Sharon Jones & the Dap Kings (Super Rock, dia 3)
Florence & the Machine (Aula Magna)
Fast Eddie (Galeria Municipal do Barreiro)
Los Chicos (Alburrica bar)
Eli “Paperboy” Reed (Paredes de Coura, dia 1)
The Gallows (Paredes de Coura, dia 1)
The Specials (Paredes de Coura, dia 3)
Prodigy (Paredes de Coura, dia 3)
Thee Vicars (Barreiro Rocks, dia 1)

As maiores desilusões
Empire of the Sun (Super Rock, dia 3)
Dandy Warhols (Paredes de Coura, dia 3)
SoulWax (Optimus Hype, Lisboa)

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