Pedro Esteves: Suave melodia do dia-a-dia

Pedro Esteves é um cantautor português. É do Barreiro, mas nunca tocou “em casa”. Mostra-se onde encontra espaço. Já vai recebendo convites. Vai receber mais, certamente. O que escreve e toca é mais, bem mais, do que uma singela gota no mar da música ligeira portuguesa. Tem pernas para andar e, melhor ainda, unhas para tocar

Pedro Esteves a solo na CulturBica

É quinta-feira. Início de noite em Lisboa. Há uma manifestação pacífica anti-NATO, com concerto dos Mercado Negro, no Largo do Camões, ao Bairro Alto. Um pouco mais à fente, pela Calçada do Combro, corta-se à esquerda, para a Bica, na Marechal Saldanha. Entramos na Rua do Almada e chegamos à CulturBica. Espaço acolhedor, com noites temáticas e que desta feita recebe um espectáculo acústico. É Pedro Esteves, músico do Barreiro e confesso admirador do cancioneiro popular lusófono. Não esconde as influências brasileiras, entre as várias da terra mãe. Todas elas se fazem sentir. De Sérgio Godinho a Zeca Afonso, passando por Chico Buarque. Por momentos até chega a parecer que a entoação das letras vai revelar uma pronúncia “canarinha”, mas não. É tudo em português. Sem ultramar.

O concerto estava marcado para as 22 horas. A manifestação musical, não muito longe, e a escassa promoção não ajudam ao engrossar da plateia. Pouco antes das 23 horas, Pedro pega na guitarra, saúda os poucos presentes e desenrola a ementa de originais que tem vindo a escrever. Pelo meio há um tema resultante da colaboração com o irmão Filipe, no fim a revisão a uma voz de “A acupuntura de Odemira”, original escrito “a mielas” entre José Afonso e Fausto.

Vista de dentro para fora da CulturBica, ao som de Pedro Esteves

A casa não esteve cheia. Mas este tipo de espectáculo também não requer multidões a assistir, pessoas a conversar no fundo da tela. Quer, sim, espaço para respirar, para deixar respirar, para ouvir as letras, o dedilhar na guitarra. Pedro nem sempre toca sozinho como ontem. Por vezes é acompanhado por um baixista, outras junta-se-lhe uma bateria. No “myspace”, há ainda referência à participação de um pianista/acordeonista e também de um trombetista. Nos concertos, Pedro conta que tem actuado entre o número a solo e o trio. Esta quinta-feira foi só ele e a guitarra. Soube bem ouvi-lo assim, tranquilo, suave, numa casa vazia. Desconfio que não vai ser sempre assim. O projecto tem pernas para andar e unhas para tocar. Canta-se o amor, o dia-a-dia e às tantas até se defende que o Mundo não está tão mal assim.

Durou pouco mais de meia-hora. Podia ter sido mais. Ficou assim. Foi bom, muito bom. Para a semana há mais. Outra vez em Lisboa. O Barreiro, curiosamente, ainda não abriu as portas à música de Pedro Esteves. Dia 25, de novo uma quinta-feira, há concerto marcado para o Botequim da Graça. Depois, Pedro volta a pegar na guitarra, em público, dia 5 de Dezembro, um domingo, no Bacalhoeiro, espaço cultural alfacinha próximo do Terreiro do Paço. Para dia 19 de Dezembro, outro domingo, está previsto novo concerto, desta feita em “modo trio” e ainda pela capital, na Fábrica Braço de Prata, em Marvila. Quem te avisa teu amigo é!

Video de “Essa canção Passa”:

(Gravado durante o concerto na CulturBica, 18 Novembro 2010, através de uma Cybershot)

Mais informação:
Myspace de Pedro Esteves

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