Barreiro Rocks: Um dia os Ferroviários vêm abaixo

Não foi assim ontem, mas quase. O festival da margem sul viveu uma noite histórico no fecho das celebrações dos dez anos. Davila 666, mas acima de tudo, como era de esperar, King Khan & the Shrines, deram concertos explosivos, bem secundados pela Nicotine’s Orchestra e os Tiguana Bibles. Os Guadalupe Plata sairam a perder com o desgaste aplicado à assistência pelos quatros primeiros concertos da noite. Mas foi bom. Muito bom!

O pavilhão esteve perto de pegar fogo e toda a gente agradeceu


O Pavilhão do Grupo Desportivo dos Ferroviários viveu ontem uma noite histórica. Era há muito um mero sonho de João Cruz, o director artístico do festival. E ontem tornou-se realidade. O Barreiro Rocks teve lotação esgotada. E mais uma noite vivida em perfeita harmonia, muita cerveja, algum kalimotxo e toneladas de rock ‘n’ roll. Fantástico.

OS Tiguana Bibles abriram o palco e "prenderam" muitas pessoas

King Khan, como era de esperar, acabou por ser mesmo o rei da noite. E quem sabe do festival. Mas não se resumiu a ele a segunda noite de Barreiro Rocks. Começou, e muito bem, com a actuação dos Tiguana Bibles, colectivo de Coimbra que conta com uma vocalista britânica, Tracy Vandals. Foi a quarta presença no festival do guitarrista Vitor Torpedo, que já ali havia tocado com os Parkinsons (2002 e 2003) e com os Blood Safari (2006). “É um grande festival e a prova de que pode haver mais acontecimentos deste tipo”, confessou Torpedo no final ao FrankMarquesBlog.

Nicotine alargou a Orchestra e saiu a ganhar

O rock de Puerto Rico
Sempre com o afamado Crooner Vieira a entremear os concertos, a Nicotine’s Orchestra, projecto pessoal de Carlos Ramos que passou de uma one-man-band para um quarteto, subiu ao palco precisamente às 23h59. Arrancou psicadélico, assumiu uma postura rock e foi assim que, através de um som fantástico, agarrou todos os presentes. A Orchestra ganha muito com a divisão de tarefas por quatro elementos.

Sir Charles e AJ... os Davila 666 destacaram-se

Foi já depois da 1h da manhã que os Davila 666 entraram em palco. Por entre uma nuvem de fumo cénico, os porto riquenhos provaram porque são uma das mais excitantes bandas da cena Garage Rock actual na margem Oeste do Atlântico. Estão pela primeira vez na Europa e, depois da estreia da véspera no Porto, apresentaram-se no Barreiro como uma garra impressionante que não é tão perceptível em disco. E é isso que faz uma boa banda de rock. O público rendeu-se. O pavilhão estava à pinha, mas toda a gente tinha espaço para exorcizar do corpo os demónios do rock. Braços no ar, gritos, alguns empurrões, mas sempre com respeito pelo próximo, sem confusões.

A aclamação do King
Com o pavilhão em ebulição, aproximava-se o grande momento da noite. Lá fora, o cartaz improvisado a avisar para a lotação esgotada confirmava toda a expectativa criada para este segundo dia de concertos. King Khan entrou… à rei. E foi à rei que saiu. Começou por volta das 2h30, deixou o trono já depois das 4h. Começou de casaco vermelho brilhante e camisa escura. Terminou de capa amarela sobre o tronco nu, a popular barriguinha proeminente à mostra e uma energia contagiante. James Brown, esteja onde estiver, não se deve importar nada com as constantes comparações com “mister” Khan.

O rei encantou a assistência


Uma palavra também para o “master of the organ”, Fredovitch. O homem é um poço de adrenalina. Ele salta, ele canta, ele grita, ele agarra no órgão e, por momentos, parece capaz de o atirar para a assistência. Ele toca pandereita, ele gosta de saltar gradeamentos, de se misturar com o público. Bem, se não gosta, não parece. Porque foi isso tudo e muito mais o que Fredovitch fez no pavilhão dos Ferroviários. Toda a banda de King Khan, os Shrines, porém, se revelou excelente.

Pela segunda vez na história, a organização teve de improvisar um aviso

O derradeiro concerto da noite coube aos Guadalupe Plata. A sala já não estava tão composta como antes. Muitos haviam já sucumbido à “tareia” de horas antes. E até do dia antes. Os espanhóis não se deixaram abater e mostraram o rock soturno que, em entrevista exclusiva ao FrankMarquesBlog, haviam prometido. Foi um óptimo concerto para encerrar a décima edição do Barreiro Rocks, mas o que estava para trás era o que maior parte das pessoas presentes estava a querer guardar melhor na memória. E o que fica é mesmo um grande, um histórico, um “fabulástico” festival. As críticas não podem ser negativas e, desta vez, omitir é não ser honesto. Este foi um dos melhores acontecimentos, não de rock, mas de música, não deste ano, mas dos últimos anos em Portugal. Hajam mais. Para o ano há mais. Barreiro Rocks 2011 já mexe!

A imagem que fica do Barreiro Rocks 2010 é a de festa, comunhão e rock 'n' roll baby, rock 'n' roll

Para a história:
Dia 1 do Barreiro Rocks 2010
Os capítulos anteriores de uma bonita história de três acordes e dez anos

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2 respostas a Barreiro Rocks: Um dia os Ferroviários vêm abaixo

  1. tiago ( eclipserecords ) diz:

    fantastico e mitico aniversario 10anos!!!….amanha e dia de trabalho(e ainda hoje me doi todo o corpo)parabens barreirorocks…e parabens tambem ao belissimo blog….OBRIGADO BARREIRO:)…””’ehhh king khan…tens ai o vinil?????””’

    • Obrigado Tiago!
      Mas fico com o vynil do King Khan atravessado. Porque é que tu pudeste ter o que querias e eu não? Não é justo!
      Seja como for, obrigado pelo comentário. Espero ler-te por aqui mais vezes….

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