O que terá acontecido ao Rock ‘n’ Roll?

Veste-se de preto, é rebelde, gosta de motos e formou um clube. Ou melhor, uma banda. Os Black Rebel Motorcycle Club abriram da melhor maneira aquela que se assume como “a” semana do rock em Portugal, em 2010. Um concerto de duas horas, “obrigou” o público a saltar das cadeiras e a dançar freneticamente na Aula Magna, em Lisboa. Os portugueses Mudering Tripping Blues estiveram à altura, na primeira parte

Peter Hayes, Leah Shapiro, Robert Levon Been - BRMC


Foi quase com pontualidade britânica que os norte-americanos Black Rebel Motorcycle Club iniciaram o primeiro de dois concertos em Portugal, integrados na digressão europeia que os levará até á Rússia. “War machine”, do mais recente “Beat the Devil’s tattoo”, abriu a actuação. E rapidamente Robert Levon Been mostrou querer tomar conta da assistência. É o mais extrovertido do trio, que inclui agora uma menina, Leah Shapiro, antiga baterista de digressão dos dinamarqueses The Raveonettes. O som inicial do concerto dos BRMC não era o melhor, a voz de Been mal se ouvia e a bateria perdia-se na distorção estridente das cordas. Mas melhorou e de que maneira.

"Red eyes and tears" foi o primeiro hit da noite

À terceira música, a primeira explosão, isto é, salto das cadeiras. É que a Aula Magna é uma das melhores salas de espectáculo de Lisboa, mas tem o problema de intimidar as pessoas na hora de dançar por causa das cadeiras. E não foi fácil colocar toda a gente de pé. Mas, escrevia, à terceira viram-se os primeiros saltos. “Red eyes and tears”, um dos melhores temas do álbum homónimo de 2001, foi o responsável. O som estava, agora, melhor.

O trio foi soltando-se. Leah agredia cada vez mais forte a bateria. Robert e Peter partilhavam as cordas, ora baixo ora guitarra, mas também os solos e as vocalizações. E ainda havia um piano e um sintetizador. O público dividia-se. Uns rendiam-se e saltavam das cadeiras, dançavam, gritavam. Outros resistiam estranhamento aos apelos do rock ‘n’ roll. Houve sinais de Jesus & the Mary Chain, de Sonic Youth, mas este é, porém, já um som característico, de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.). Mas “o que é que aconteceu ao rock ‘n’ roll”, reclama uma das mais emblemáticas músicas dos BRMC. O problema, respondemos nós, não é do rock, mas dos pseudo-rockers. É irresistível saltar, dançar e gritar os refrões quando um concerto atinge picos de qualidade como o de segunda-feira à noite na Aula Magna. Desta vez, a banda em palco não chamou o público da plateia secundária para animar os chamados “doutorais”, e foi pena. Não desceu o público, desceu Been, de guitarra em punho, abrindo caminho sobre as cadeiras “doutorais” até chegar quase ao limite do balcão. A certa altura, a plateia junto ao palco dividia-se entre uma metade de pé e outra sentada quando a música protestava por movimento, por uma resposta. Deve ser ingrato para quem actua, mas enfim…

Os BRMC fizeram três "encores"

Pouco depois das 23h, os BRMC deixam pela primeira vez o palco. O público quer mais. É natural. Regressam com uma “cover” de “Dirty Old Town”, música tradicional irlandesa popularizada pelos The Pogues, cantada a solo por Been e por instantes entoada sem amplificação para o silêncio entretanto exigido ao público. Voltam a arrancar para mais meia hora de bom nível. Haveria ainda um segundo “encore”. E um terceiro. Com o psicadelismo. A banda esticou alguns dos temas até à exaustão, levando o concerto a acabar já depois da meia-noite. Pelo meio dos encores, tempo para uma revelação por Robert Levon Been: “Os pais da Leah estão aqui hoje e é bonito. Eles conheceram-se em Lisboa há 40 anos e hoje voltaram aqui. Viajaram desde a Dinamarca. Lisboa é uma bela cidade para nos apaixonar-mos”. Foi de facto bonito.

Músicas Gratuitas:
“In line”
“Conscience killer” (clica com o botão direito do rato e “save link as…”)

O final em apoteose dos BRMC


A primeira parte
Os Murdering Tripping Blues foram os eleitos para fazer a primeira parte dos Black Rebel Motorcycle Club e provaram estar à altura. Um som próximo da new wave e do post-punk, com um baterista a colocar muitas “drum-machines” a um canto. Meia hora de espectáculo com muita gente curiosa a perguntar: “Quem são? São portugueses? Não parece…”. Fica o registo de um belo concerto e…

... a foto da praxe!

Uma semana louca
Os Black Rebel Motorcycle Club abriram uma das melhores semanas de concertos de que há memória em Portugal. E colocaram a fasquia bem alta. Esta terça-feira, os BRMC actuam no Porto (Hard Club), os !!! (chk chk chk) em Lisboa (Lux). Na quarta, os !!! sobem à Invicta (Teatro Sá da Bandeira) e aterram os Vampire Weekend (primeira parte Jenny&Johnny) na capital (Campo Pequeno). Na quinta, os Vampire Weekend actuam no Coliseu do Porto, enquanto os The Drums já contam com um Lux esgotado para os receber em Lisboa, cidade que recebe também (no Musicbox) os These New Puritans.

Na sexta há Interpol, no Campo Pequeno, em Lisboa, e Barreiro Rocks, na margem sul do Tejo, com Strange Boys, Demon’s Claws, Ty Segall, Tiago Guillul e Thee Vicars. No sábado há mais Barreiro Rocks, com King Khan & the Shrines, Davila 666, Nicotine’s Orchestra, Tiguana Bibles e Guadalupe Plata. No Domingo, são os The Walkmen (primeira parte Os Golpes) no Coliseu de Lisboa e Xavier Rudd e Ben Howard na Aula Magna. Mais concertos em Agenda Yeaaaah!

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3 respostas a O que terá acontecido ao Rock ‘n’ Roll?

  1. sophiabia diz:

    do melhor….boa “reportagem”…grande concerto…grande tu…LOVE

  2. Carlos Guedes diz:

    Olá Francisco.
    Li atentamente a tua review do concerto dos BRMC.Tive acesso a ela através da página dos BRMC no facebook onde deixaste lá o link directo á review.
    Bem,eu também assisti ao concerto,precisamente nas doutorais.Posso dizer-te que foi o melhor concerto que vi este ano e um dos melhores que vi em toda a minha vida(e já vi,seguramente,mais de uma centena).
    O concerto teria sido perfeito,não fora as constantes irregularidades no som,onde não raras vezes se tinha alguma dificuldade em perceber as vozes.E se existe uma particularidade que distingue os BMRC do resto das bandas da sua geração,são precisamente as vozes da dupla Hayes/Been,ambas lindíssimas,especialmente quando em simultanêo.
    Relativamente ao local escolido para acolher o concerto,concordo que poderia ter sido outro.O som deles exigiria,eventualmente,uma sala onde o público pudesse estar de pé(como no Hard Club,em Gaia).Mas,por outro lado,o facto de estarmos sentados,permitiu-nos(pelo menos a mim) usufruir da música que emanava do palco de uma maneira especial.Houve alturas em que me apeteceu encostar a cabeça para trás,fechar os olhos e viajar.Como em “Aya”,por exemplo.
    Um abraço.

    • Obrigado Carlos.
      Foi de facto um grande concerto, não há dúvidas. E sim, concordo, houve músicas em que soube bem estar sentado e deixar-nos embalar pelos BRMC. Mas depois houve aquelas mais “puras&duras”. E aí impunha-se saltar da cadeira, dançar… e é apenas nisso que eu critico aqueles que nunca se levantaram das cadeiras ou que o fizeram porque simplesmente alguém à frente deles o fez.
      Seja como for, não deve ser esse o tónico deste concerto. Mas sim a música e o espectáculo que vimos. E esse foi mesmo muito bom. Assim como muito bom foram as duas noites de Barreiro Rocks a que “sobrevivi” este fim de semana. Enormes (na qualidade) concertos de Ty Segall, Strange Boys, Thee Vicars, Nicotine’s Orchestra, Davila 666 e King Khan & the Shrines.

      Um abraço,

      FM

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