Islândia à espera de Ronaldo

Portugal apenas visita Reykjavik a 12 de Outubro, mas os islandeses, a viver uma crise económica sem precendentes, estão desejosos de ver Cristiano Ronaldo no país pela primeira vez. A oportunidade surge devido à fase de qualificação para o Euro 2012, de futebol, que arrancou a 3 de Setembro

Portugal é o adversário mais aguardado na Islândia de entre todos os do Grupo H, na corrida ao Euro 2012 (grupo e calendário), que esta sexta-feira tem início. O caso não é para menos, vai além das ambições desportivas dos islandeses, mas passa por conseguir uma surpresa, como conta Jordão Diogo. O defesa-esquerdo português, formado no Alverca e que pertence aos quadros do KR Reykjavik, foi recentemente cedido por uma época aos gregos do Panserraikos FC, clube que regressou à “Super League” helénica, mas já leva dois campeonatos completos na Islândia.

“Eles sabem que não vai ser nada fácil contra Portugal. Todos prevêem um jogo complicado e um resultado exagerado. Alguns antevêem até uma goleada para Portugal”, revela Jordão, alertando, porém, os compatriotas de que “pode não ser bem assim porque a Islândia tem alguns jogadores no estrangeiro que são mais experientes.”

O perigo reconhecido pelos islandeses face a Portugal, que vão defrontar pela primeira vez na sua história, prende-se, contudo, num jogador. “Vai ser complicado parar o Ronaldo. A Islândia é forte no meio-campo, mas defensivamente, e nomeadamente, no guarda-redes não são”, denuncia Jordão Diogo.

A visita de Portugal à Islândia está marcada para dia 12 de Outubro. Será o quarto jogo na fase de qualificação para a equipa das quinas e o terceiro para os islandeses. A primeira jornada disputa-se esta sexta-feira, com a recepção de Portugal ao Chipre e da Islândia à vizinha Noruega (descansa a Dinamarca).

Portugal atravessa uma crise técnica face à suspensão de seis meses do seleccionador Carlos Queiroz decretada pela Autoridade de Anti-Dopagem de Portugal. O treinador recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) e é possível suspender o castigo, prevendo-se que possa estrear-se no banco precisamente na Islândia. E é na visita a este pequeno país, marcado pelo recente caos mundial provocado por um impronunciável vulcão e que atravessa há um par de anos uma grave crise económica e financeira, que este artigo se centra.

O campo que vai receber o jogo com Portugal é o Laugardalsvöllur, o estádio nacional, que fica situado na capital Reykjavik. Tem lotação para cerca de 15 mil pessoas, mas por restrições da FIFA tem de ser reduzido para cerca de dez mil nos grandes jogos. É a “casa” da selecção e na óptica de Jordão o único estádio da Islândia. “É razoável, similar talvez ao do Alverca. Mas o estádio da Luz é para aí quatro vezes maior”, atira de pronto, salvaguardando as enormes diferenças do termo “grande” entre os dois países.

Jordão Diogo assinou em 2008 pelo KR e foi agora cedido a um clube grego

“Os islandeses gostam muito de andebol e basquetebol, mas também é do futebol que mais gostam. É no feminino, porém, que o futebol é mais desenvolvido na Islândia, embora também amador”, explica um dos poucos profissionais dos quadros do KR, “o maior clube da Islândia” ou, como destaca Jordão, “o Benfica da Islândia”. Na verdade é o clube mais velho (fundado a 16 de Fevereiro de 1899) e com mais sucesso do país (24 títulos nacionais). Jordão Diogo, porém, deixou recentemente o clube e foi, por empréstimo, para a Grécia. Os problemas relacionados com a impossibilidade de por estes o dinheiro ganho na Islândia estar impedido de deixar o país e obrigado a ser investido localmente a isso terá obrigado o português.

A explicação do problema partiu de outro português. Guilherme Ramos apostou no futebol islandês e no secundário clube Njardvik no início da época local, em Abril. Mas resistiu apenas três meses no país. E escreveu um blogue onde relatou todo o processo. E este facto fez com que muitos dos estrangeiros que alinhavam na Liga islandesa saíssem do país, baixando ainda mais a qualidade do futebol local. Apesar da maior experiência, o KR, por exemplo, foi afastado esta temporada da Liga Europa pelos desconhecidos ucranianos do Karpaty, na segunda pré-eliminatória.

Sobre o futebol local, Jordão Diogo, defesa-esquerdo português que aterrou na Islândia em 2008 e já cumpriu dois campeonatos por inteiro, fala de uma Liga em que “as melhores equipas estão em Reykjavik” e onde “a deslocação mais longa” na época passada “era de 40 minutos de autocarro”. “Esta temporada é que há uma pequena deslocação de avião a uma ilha onde está uma equipa que subiu”, aponta.

O campeonato aproxima-se do fim, faltam quatro jornadas e o líder IBV, que já foi campeão em três ocasiões, leva dois pontos de vantagem sobre o segundo, Breidablik. O KR é quarto a cinco pontos. A Liga termina a 25 de Setembro, o jogo com Portugal realiza-se cerca de três semanas depois, já com os dias bem reduzidos e a noite invernal do hemisfério norte a dominar. A Islândia já sonha com a primeira presença no país de Cristiano Ronaldo. Eidur Gudjohnsen, por estes dias no Mónaco e fora da selecção, deverá ser o anfitrião do português e, como ele pela equipa das quinas, usar a braçadeira de capitão dos nórdicos. O que fará com que ambos reeditem o aperto de mão que estrearam na Liga inglesa quando representavam, respectivamente, Chelsea e Manchester United.

O capitão Gudjohnsen de pé vai apertar a mão a Cristiano Ronaldo

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