O Paulo acreditou e o Sérgio fez a festa. Como ficou o Bento?

O treinador do Sporting acreditou na reviravolta no playoff da Liga da Europa. E a verdade é que essa fé motivou a equipa a conseguir inverter a derrota caseira da semana anterior, a golear o Brondby na Dinamarca e a estar presente com mérito no sorteio da fase de grupos da prova

O Sporting conseguiu o que pouca gente acreditava e está por total mérito na fase de grupos da Liga Europa. Depois de uma muito surpreendente derrota caseira (0-2), os leões foram à Dinamarca, colocaram as garras de fora e empurrados por dois reforços, Evaldo e Nuno André Coelho, conseguiram inverter, com um grande golo de Yannick Djaló, nos descontos, a derradeira eliminatória de play-off para a fase de gupos. 3-0 foi um resultado justo, que a equipa fez por alcançar, que Paulo, o treinador, acreditava ser possível, e Sérgio, também o treinador, festejou com regozijo, no final. E Bento, também o treinador, mas também o nome do técnico que começou a última época, como terá ficado?

Especulações e brincadeiras à parte, o Sporting foi de facto um vencedor inquestionável deste play-off. O jogo de ontem teve altos e baixos da equipa, muitos ataques, poucos remates na primeira parte, uma grande, enorme defesa de Rui Patrício na segunda parte e um frango do guarda-redes dinamarquês. Uma atitude leonina irrepreensível nos derradeiros minutos foi coroada com a excelente jogada de entendimento entre Liedson e Yannick, que decidiu a eliminatória e permitiu ao marido de Luciana Abreu dedicar o primeiro golo ao filho de ambos que deverá nascer dentro de seis meses, segundo anúncio no dia de ontem do próprio casalinho.

Abel substituiu a preceito o lesionado João Pereira, Polga ficou no banco, mas Nuno André Coelho deu boa conta do recado e ainda teve o feliz remate que valeu o 2-0. Evaldo marcou o 1-0 à beira do intervalo, festejou com raiva e foi com raiva que pareceu também jogar, defendendo com dureza quanto baste e sempre procurando dar apoio ofensivo. André Santos e Maniche complementaram-se bem no miolo, mas o jovem mostra ainda estar um pouco preso e por vezes desconcentra-se. Simon Vukcevic voltou à esquerda e mostrou que está de volta à boa forma, não se escondendo dos adversários, assumindo a bola e não tentando “sacar” faltas por falta de físico. Yannick ficou na direita, mas poucas vezes conseguiu soltar-se. Pior foi mesmo Hélder Postiga, que passou ao lado do jogo e Paulo Sérgio demorou a substituir tal a emergência dos leões em fazer golos, vários golos. Liedson, na frente, fartou-se de lutar e ainda viu o árbitro invalidar-lhe mal um golo limpo a meio da primeira parte.

Aos 67′, finalmente o treinador trocou Postiga por Matías Fernandez, o salvador do último fim de semana. A equipa estava a perder o controlo do jogo e reequilibrou o meio campo, recuperou a posse de bola em maior segurança. Os dinamarqueses já tinham tido o seu tempo e então veio a bomba de Nuno André Coelho, que Stephan Andersen deixou escapar para o fundo das redes, igualando a eliminatória. Jaime Valdés foi chamado ao jogo a cinco minutos do fim, para o lugar de Vukcevic, e o Sporting pressionou, sem se deixar levar pelo entusiasmo da superioridade. E foi feliz um minuto para lá dos 90, com Yannick a conseguir num chapéu bem medido para o momento da noite.

“O golo foi muito especial. Conseguimos chegar à fase de grupos da Liga Europa. A vitória foi importante para a equipa e dá-nos ainda mais confiança para o resto da temporada”, afirmou Yannick, no final.

“Demonstrámos em Alvalade que éramos superiores a este adversário, mas o resultado foi enganador. Provámos que tínhamos razão. Valeu a pena acreditar. O nosso compromisso é trabalhar sempre e morrer em campo pela camisola, se for preciso. Quem trabalha sempre alcança e foi o que aconteceu”, assumiu o treinador Paulo Sérgio, defendendo ter ajudado a escrever “mais uma página bonita na história do clube”.

Do lado dinamarquês, a desilusão foi natural. E ficou espelhada, curiosamente, no antigo guarda-redes de Brondby e Sporting Peter Schmeichel, que esteve no estádio a comentar o jogo para uma televisão local e terá ficado frustrado. Antes do apito inicial, o Gran Danois cumprimentou algumas pessoas do Sporting, mas depois do apito final, à saída, recusou-se a falar à comunicação social portuguesa.

Não falou Schmeichel, falou Henrik Larssen, o treinador dos dinamarqueses: “Penso que o que matou a eliminatória foi o segundo golo do Sporting. Um remate a 30 metros não pode entrar daquela forma. Depois, já estávamos à espera do prolongamento e devido a mais um erro defensivo voltamos a sofrer um golo infantil.”

FC Porto OK, Marítimo KO

O FC Porto, que contou com o regresso de Hulk, confirmou a supremacia sobre os belgas do Genk e, no Dragão, voltou a vencer, por 4-2. O regressado brasileiro assinou um hat-trick.

Na pérola do Atlântico aconteceu mais ou menos o mesmo, mas no inverso. O Marítimo trouxe uma derrota da Bielorrússia (0-3) e voltou a confirmar que o Bate Borisov é mais forte, repetindo a derrota, agora por 1-2 e dizendo adeus ao sonho de participar nas provas europeias desta época.

Sorteio no Mónaco

O Sporting fez-se representar no sorteio da fase de grupos da Liga Europa por Costinha e… Zapater. O médio espanhol foi convidado especial da UEFA na cerimónia realizada no Mónaco na qualidade de primeiro jogador a marcar na mais nova prova do calendário europeu de futebol. Foi ao serviço do Génova há quase um ano, num jogo contra o Slavia de Praga.

À imagem do que aconteceu com Benfica e Braga, na Liga dos Campeões, o sorteio da fase de grupos da Liga Europa não foi mau para os emblemas portugueses. O rival mais difícil cabe ao FC Porto e marca o regresso ao Dragão de Ricardo Quaresma, jogador formado em Alvalade e feito grande figura do futebol internacional na Invicta. Por estes dias, o português é, a par do espanhol Guti, a grande figura do Besiktas de Istambul. Para os leões, o maior perigo teoricamente surge dos modestos franceses do Lille.

Grupo C
SPORTING
Lille
Levski de Sofia
KAA Gent

Grupo L
FC PORTO
Besiktas (Quaresma)
CSKA Sofia
Rapid de Viena

————-
Grupo A
Juventus
Manchester City
Salzburgo
Lech Poznan

Grupo B
Atlético de Madrid (Simão e Tiago)
Bayer Leverkusen
Rosenborg
Aris Salónica

Grupo D
Villarreal
Club Brugge
Dinamo de Zagreb
PAOK

Grupo E
AZ Alkmaar
Dinamo de Kiev
Bate Borisov
FC Sheriff

Grupo F
CSKA Moscovo
Palermo
Sparta de Praga
Lausana

Grupo G
Zénit St. Petersburgo (Danny, Fernando Meira e Bruno Alves)
Anderlecht
AEK Atenas
Hajduk Split

Grupo H
Estugarda
Getafe
Odense
Young Boys

Grupo I
PSV
Sampdoria
Metalist
Debrecen

Grupo J
Sevilha
PSG
Borussia Dortmund
Karpaty

Grupo K
Liverpool
Steaua de Bucareste
Nápoles
Utrecht

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2 respostas a O Paulo acreditou e o Sérgio fez a festa. Como ficou o Bento?

  1. João Canário diz:

    Como já tinha deixado escrito no Facebook, esta crónica está excelente. De facto, posso ser leigo para avaliar o texto de uma forma profissional, mas costumo ler os jornais desportivos (e não só) com uma certa regularidade. Além de que, eu próprio gosto de escrever. E de tentar primar pela qualidade…
    Para mim, o texto “O Paulo acreditou e o Sérgio fez a festa. Como ficou o Bento?” tem “qualidade jornalistica” suficiente para ser incluído num jornal e em nada fica atrás dos textos que, todos os dias, vêm até nós através do “Record”, por exemplo.
    Esta é a minha opinião, Kiko.
    Não conhecia o teu blog, mas já está gravado nos meus favoritos. Gostei…
    Saudações Leoninas.

  2. sophiabia diz:

    great job!!!!!!!!!!!!!!

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