| 123 | “Temos muita vontade de atuar em Portugal”

Sentido do relógio: Burak, Feryin, Dilara e Berke

Nasceram em Istambul há 7 anos. Eram um trio e apenas projeto paralelo que tocava Eletro-jazz a 123 bpm. Cresceram para quarteto, apoiados na ideia de uma trilogia ambiciosa composta por CD e livros: “Aksel”, “Arve” e “Anja”. A nova banda tornou-se prioritária e impôs a criação de uma editora própria. Acabam de lançar “Lara”, o primeiro álbum fora do âmbito da trilogia ainda incompleta. Têm atuado pelo centro e pelo norte da Europa, mas querem chegar à Península Ibérica e até ao Japão. Para já, apresentam-se aos portugueses através de uma entrevista ao FrankMarques’blog. O baterista Berke é o porta-voz dos 123 e Dilara, a vocalista, fala-nos da sua única viagem a Portugal.
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Página 2: O novo disco
Página 3: Turcos a cantar em inglês
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FrankMarques – O que motivou a formação dos 123 e porque é que o primeiro álbum demorou cerca de 5 anos a sair?
Berke
– A ideia de uma banda chamada 123 foi minha, em primeiro lugar. O Burak, o nosso teclista, e eu já tocávamos há anos por essa essa altura. Precisávamos de um baixista e o Feryin juntou-se a nós. A banda, propriamente dita, formou-se em 2004, mas não fizemos nenhum álbum até 2009 porque andávamos ocupados com outros projetos. Os 123 começaram como algo paralelo. Quase como uma banda experimental para trabalhar algumas ideias. Por isso, demorámos tanto tempo a gravar um álbum. Mas foi na altura certa que o fizemos.

Mas porquê 123? Certamente, concordam que é um nome difícil de pesquisar na Internet?
Sim, de fato, não é um nome muito simpático para o Google. Mas agora já aparecemos nos 5 primeiros resultados quando se escreve “123” [n.: fizemos a experiência, mas não se confirmou, certamente por a busca não ter tido origem em servidores turcos]. O nome surgiu porque costumávamos tocar um set de temas Electro-jazz, todos com 123 bpm [batidas por minuto]. Sem parar. E nessa altura éramos 3 pessoas. Depois, gostámos da ideia de ver esses 3 números em quase todos os sítios para onde olhássemos: em apartamentos, paragens de autocarro, aeroportos… literalmente em toda a parte que possam imaginar. Éramos sempre nós (risos).

“Laughter”, de “Arve”
(Aisha Records, 2010)

Sabem que existe uma outra banda no Connecticut, Estados Unidos, que se chama 1,2,3? As únicas diferenças são as vírgulas e, claro, o estilo de som.
Sim, sabemos disso agora porque há pessoas na Internet que pensam que nós somos eles. Recebemos mails por isso. E tenho a certeza que os 1,2,3 também recebem mails de pessoas que pensam que eles somos nós. Mas, tal como disseste, as vírgulas diferenciam as duas bandas e a música também. É totalmente diferente.

A personagem criada no primeiro álbum, Aksel, já existia ou foi criada de propósito para o disco?
A personagem foi criada para o primeiro disco. Mas, claro, começou a crescer e a desenvolver-se antes mesmo de o álbum estar terminado. O nome surgiu-me a partir de um livro que estava a ler naquela altura.

Berke com "Aksel" nas mãos

O que vos inspirou para esse primeiro disco?
Um livro do pianista e romancista Ketil Björnstad [25 de Abril de 1952, Noruega]. E, claro, o meu gosto particular pela cultura escandinava influenciou e moldou a história. Um pouco antes do nosso primeiro álbum os nossos ouvidos andavam cansados com a confusão que nos rodeava. Estávamos a tentar criar a obra com que sonhávamos. A viagem, o isolamento, a necessidade de separação… tudo isso estava nas nossas cabeças. Escrevi uma história e todos nos encontrámos dentro dela, tentando torna-la em algo que se pudesse ouvir.

Parece-nos um pouco triste, “Aksel”. É quase um álbum instrumental apropriado para o Outono. Concordam?
Sim, é para o Outono e também para a maior parte do Inverno. Gravámos o álbum numa vila perto do Mar Negro. Era Outono e aquele lugar era tão sereno e silencioso. Éramos só nós, a música, o ar fresco, cinzas e fumo. E companheirismo.

Quais são as vossas referências musicais e como podem descrever o vosso estilo?
Somos influenciados praticamente por tudo. É por isso que ao longo dos nossos últimos discos o nosso som continua a evoluir em diversas direções. Pode ser meloso, selvagem, tenso, ligeiro, excitante ou até aborrecido. Estamos muito expostos a diferentes sons. Desde o Jazz escandinavo ao Metal, do Shoegaze à Pop ou da Electrónica às baladas fatais. Somos tudo isso. Até porque, apesar de tudo, somos humanos. Somos criaturas complexas, não é?

Os 123 em 2009

“Aksel” apresenta-nos um disco acompanhado de um livro de ilustrações com 230 páginas. O que nos podem contar deste livro?
Não há muito para ler no livro. São, na sua maioria, ilustrações realizadas pelo artista Huban Korman. A nossa personagem, Aksel, é um jovem rapaz muito solitário a viver no sul. Ele gosta muito de ir a um edifício muito alto chamado Huzuv. E um dia, no topo desse sujo edifício cor-de-rosa, ele encontra um mocho morto. Depois, é a viagem conjunta deles. Apesar de o mocho estar morto, Aksel cria um laço emotivo com ele. E os dois viajam juntos para a republica das baleias. Pelo meio, há muitos mais detalhes que tornam visível a trilogia “Aksel”, “Arve” e “Anja”.

A segunda parte da trilogia, “Arve”, saiu em 2010. E ainda falta a terceira, “Anja”. O que nos pode contar sobre a história? É de alguma forma autobiográfica?
Não há nada de autobiográfico, é tudo ficção. Mas, como é natural pode haver um outro detalhe autobiográfico que eu posso ter escrito sem intenção. Os três personagens são mostrados em separado, mas têm intimamente ligações fortes. É amor, mas não da forma como o conhecemos.

O segundo capítulo também é acompanhado de um livro, mas em vez de ilustrações, é preenchido por fotos. Também haverá um livro para a terceira parte?
Sim, a terceira parte da trilogia também irá ter um livro. Só que desta vez irá ser o ponto de vista de Anja. Vai ser como o seu próprio diário privado. Muitas perguntas vão ser reveladas pela escrita da própria rapariga.

“Balina”, 123
(do álbum “Aksel”, Aisha Records, 2009)
AUTOPLAY

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